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Terceira geração do pioneiro Nissan Murano concentra seu foco no público feminino

O preço no México parte de 644.400 pesos, ou seja, cerca de R$ 115 mil

| ACidadeON/Ribeirao

 


POR ASTRID ZAPATA, DO AUTOCOSMOS.COM
EXCLUSIVO NO BRASIL PARA AUTO PRESS
COLABORAÇÃO DE MÁRCIO MAIO/AUTO PRESS

 

O segmento dos SUVs explodiu nos últimos anos e não por puro modismo. Alguns fatores foram determinantes para isso, como segurança, praticidade e, também, por questões estéticas ou de status. No entanto, embora exista uma ampla gama de crossovers adaptada para cada tipo de usuário, quando essa tendência estava chegando, havia opções um tanto limitadas na hora da decisão de compra. Na Nissan, foi em 2002 que apareceu o desejo de reverter a maneira como as minivans eram vistas na sociedade, com um aspecto mais sóbrio, um pouco careta e sem ousadias no desempenho e no visual, mas extremamente bem-sucedidas quando o assunto era a habitabilidade. Naquele ano, o Murano conseguiu se posicionar entre o novo segmento que estava para chegar e certamente inspirou muitas marcas a criar sua própria frota de veículos utilitários, algo que a fabricante nipônica enxerga como um momento de revolução e divisor de águas para os crossovers.  

Foi pensando em atrair o público do sexo feminino de um jeito capaz de prender a atenção também dos homens que a Nissan quebrou paradigmas em termos de design, equipamentos e motorização. Até a segunda geração, lançada em 2009 só a primeira chegou ao Brasil, entre 2007 e 2009, e não há expectativas por um retorno , a marca adotou uma aparência mais esportiva e até futurista ao modelo, até pelo pioneirismo neste novo segmento e tentar ocupar um lugar de destaque nas vendas da marca. Em 2013, no entanto, quando o Salão de Detroit recebeu um preview, a partir de um conceito, do que poderia mudar na geração futura do SUV, uma nova estratégia surgiu e se materializou em 2015, quando o Murano começou a ser comercializado já atualizado em diferentes países. Alguns países da América Latina, no entanto, demoraram a receber o modelo. No México, país onde a avaliação foi realizada, isso só aconteceu agora, em 2018.  

Em relação à última geração, o exterior está mais dinâmico e as linhas da cintura incentivam uma sensação de movimento, mesmo quando o veículo está parado. A plataforma é a mesma dos sedãs Altima e Maxima e a frente recebe a grade "V-Motion", já adotada em modelos como o Kicks, SUV compacto produzido em Resende, no Rio de Janeiro. Faróis de leds em forma de bumerangue outro ponto que já virou clichê nos modelos da fabricante nipônica aparecem, favorecendo um aspecto mais musculoso e agressivo do que as gerações passadas. Uma grade na parte inferior foi adotada para melhorar o fluxo de ar e, consequentemente, a aerodinâmicas do veículo. As rodas de alumínio podem ter entre 18 e 20 20 polegadas e o amplo teto incorpora calhas laterais cromadas.  

Na parte de trás, as linhas são mais suaves e um spoiler traseiro dá uma aparência mais robusta, Saída dupla de escape cromado combina com as molduras laterais fabricadas no mesmo material e amplia a ideia de esportividade do utilitário. Por dentro, o console central tem sistema de informações e entretenimento com tela de oito polegadas que inclui navegador GPS e conectividade com Apple CarPlay, Android Auto e Mirror Link. Ar-condicionado de duas zonas e saídas para os passageiros de trás também estão presentes, assim como sistema de som da Bose com nove 9 alto-falantes, subwoofer e amplificador. Os assentos de couro e são aquecidos e têm ajustes elétricos, mas para lombar está disponível apenas para a versão mais cara.  

O motor é um 3.5 litros V6 que entrega 252 cv de potência a 6 mil rpm e 33,2 kgfm de torque em 4.400 giros. Ele trabalha junto a um câmbio CVT X-Tronic que simula sete relações, mas essas simulações só são realizadas manualmente a partir da alavanca, ou seja, não há paddle shifts no volante. A configuração de entrada tem tração dianteira, mas amais cara recebe tração integral. Em relação à segurança, há alerta de tráfego cruzado e sensores de ponto cego tanto sonoros quanto visuais, a partir de uma luz amarela nos dois cantos do carro. Aviso de possível colisão frontal e sistema de freio de emergência inteligente que ajuda o veículo a parar antes de sofrer um impacto também aparecem, assim como assistência de partida em declives, controles de tração e de estabilidade eletrônicos e distribuição eletrônica de frenagem. 

Airbags, dependendo da versão, podem ser frontais, laterais, de cortina e até de joelhos para o motorista. Já o preço no México parte de 644.400 pesos, ou seja, cerca de R$ 115 mil, mas vai aos 727 mil pesos, algo em torno de R$ 130 mil, com tração integral.

Conforto familiar  

É normal que os crossovers sejam planejados para transmitir alguma ideia de esportividade. Daí a decepção, já nos primeiros momentos de percurso, pela falta de aletas no volante para fazer uso das simulações manuais do câmbio CVT adotado pelo Murano. Para isso, é preciso deslizar a alavanca na parte inferior do console, algo um tanto desmotivador. Ambos os assentos, dianteiros e traseiros, são confortáveis e o piso é plano na segunda fila de bancos, o que ajuda na acomodação de cinco passageiros no carro sem tanto aperto.  

Os ajustes para o banco do motorista são precisos e facilitam bastante a achar a posição ideal. De cara, o rodar é um pouco mais duro e até pode transmitir uma sensação similar à condução de carros mais antigos. Quanto à estabilidade, curvas em alta velocidade não são indicadas para motoristas que não estão acostumados a controlar tanto um modelo deste porte. A frenagem é boa e a suspensão absorve muito bem os solavancos e imperfeições do solo. A impressão é a de que foi projetada mesmo para priorizar o conforto, tendo menos atenção dada ao desempenho. A aceleração não é ruim, mas a adoção de um propulsor com mais força facilitaria sua utilização, principalmente nas estradas. Em baixas rotações, não convém arriscar muito ultrapassagens. O consumo também não se mostrou dos melhores: média de 9 km/l em ciclo combinado. Ou seja, o Murano é até um SUV bom para quem procura um veículo com design vanguardista e os equipamentos ideais para o dia a dia. Mas não vai tanto além disso.

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