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Futuro do campo passa pelas práticas sustentáveis

Especialistas falam sobre uma agricultura em harmonia com o meio ambiente no Agenda do Agronegócio

| ACidadeON/Ribeirao

Weber Sian / A Cidade
Especialistas comentam sobre a agricultura em harmonia com o meio ambiente (foto: Weber Sian / A Cidade)

 

Ao contrário do que se pode imaginar, o Brasil é um dos países em melhor posição para usar o agronegócio para melhorar a sua qualidade de vida. Essa foi uma das conclusões mais importantes do primeiro dia do Agenda do Agronegócio, conjunto de quatro seminários que vão discutir o presente e, principalmente, o futuro do agrobusiness no País. O painel de ontem teve como tema “Agricultura em harmonia com o meio ambiente”.

Uma das principais conclusões de ontem foi que o futuro do país, como ator de destaque no cenário internacional, passa necessariamente pelo agronegócio. No entanto, o elemento que fará a diferença é a inclusão de práticas agrícolas sustentáveis.

“Nós não vamos conseguir concorrer com a China, por exemplo, na produção de computadores. No entanto, no agronegócio, estamos entre os melhores do mundo”, afirmou Paulo Herrmann, presidente da John Deere Brasil.

Para o professor da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da USP-Ribeirão, Marcos Fava Neves, as metas de redução de emissão de gases poluidores – assinadas no final do ano passado em Paris pelo Brasil e outros 194 países – são um dos mais fortes estímulos para que o país invista na agricultura sustentável. As consequências, para ele, são aumento do Produto Interno Bruto, mais impostos arrecadados, mais geração de empregos e a massificação do uso das energias limpas.

Segundo Neves, até 2030 – meta fixada em Paris – o país deveria investir cerca de US$ 31 bilhões, parte deles na construção de 80 usinas de açúcar e álcool. A geração direta e indireta de empregos seria de quase 300 mil.  

Menos burocracia e papelada

As declarações mais polêmicas do seminário de ontem ficaram por conta do secretário de Estado do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Defensor fervoroso das privatizações e da redução do papel do Estado na economia, ele concordou com as propostas apresentadas por Marcos Fava Neves, mas disse que, no atual contexto do país, são metas impossíveis de serem alcançadas. “Fico pensando como vamos atender a essas metas internacionais quando temos uma Cetesb que ainda faz processos em papel e que demora oito meses para dar resposta a uma empresa e a um produtor. Como vamos atender a demandas do século 21 com uma política cartorária da década de 1940, do governo Vargas?”, afirmou.

A ideia do dia

Um dos pontos destacados pelo professor Marcos Fava Neves para defender os investimentos de US$ 31 bilhões diz respeito a um “subproduto”: o aumento do uso de energias não-poluentes. “O Brasil é, hoje, um dos países que melhor se posiciona como um low carbon country pela baixa emissão de gases de carbono. Isso pode melhorar ainda mais com os biocombustíveis – que, além de tudo, são gerados nos locais onde são produzidos”, afirmou.

Acompanhe o seminário desta quarta-feira (3)

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