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Ser pequeno não significa ter de pensar pequeno

Associativismo, profissionalização e tecnologia são os caminhos para a agricultura familiar

| ACidadeON/Ribeirao

Weber Sian / A Cidade

 

O terceiro painel da série de quatro seminários do Agenda do Agronegócio teve como ponto central os pequenos produtores rurais. E, segundo os debatedores (leia mais ao lado), os desafios serão enormes.
O principal é a concorrência feroz. Com a iminência de o Brasil se tornar o maior produtor mundial de alimentos, esse “bolo de riqueza passou a ser cada vez mais disputado por gente muito forte”, disse o sociólogo Zander Navarro.

A saída, segundo os debatedores, está em três principais palavras: associativismo/cooperativismo, como forma de dar dimensão à produção desses profissionais; profissionalização, de maneira que as práticas produtivas se tornem mais racionais e resultem em produtos de maior qualidade; e, por fim, investimento em tecnologia, para reduzir os custos de produção.

Caminho das pedras

O responsável pela Cati (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral), João Brunelli Junior, acrescentou, ainda, um quarto pré-requisito: os pequenos produtores devem ouvir com atenção as demandas do mercado e direcionar os produtos para o que o consumidor quer comprar.
Brunelli, aliás, apresentou o que poderia ser chamado de manual de sobrevivência do pequeno produtor rural em um mercado que está cada vez competitivo.

Entre as sugestões apresentadas estiveram a adoção de modernas técnicas de produção e diversificação da produção para produtos de maior valor agregado, além dos pré-requisitos citados anteriormente. “Seguindo esses passos, o agricultor familiar consegue permanecer no mercado em um ambiente altamente concorrido, especialmente em São Paulo”, afirmou. 

Paulinelli e os alimentos saudáveis

O ex-ministro da Agricultura no governo Geisel (1974-1979), Alysson Paulinelli, 81 anos, foi um dos destaques do painel “Qual o futuro dos produtores rurais de menor porte econômico?”. Agrônomo, ele disse que já é possível perceber uma mudança nos hábitos alimentares mundiais, sobretudo nos países de 1º Mundo, em direção aos produtos orgânicos, criados de maneira sustentável. Assim, segundo ele, pode surgir uma boa oportunidade de negócios para os pequenos produtores rurais. “Os países ricos estão criando um mercado cada vez maior para os alimentos saudáveis. Não podemos perder isso. Temos de ser inteligentes”, disse.

A ideia do dia

O pesquisador em sociologia rural da Embrapa, Zander Navarro, defendeu o uso da pressão política por parte dos pequenos produtores como forma de fazer valer os seus direitos. “Agir politicamente é algo que se espera em um regime democrático”, disse. “Se os [pequenos] agricultores não se organizam, não pressionam, nada vai cair do céu, porque os recursos não existem para todos. Sendo assim, para onde eles vão? Para quem pressiona mais”, concluiu.

Acompanhe ao vivo do seminário desta sexta-feira (5), sobre alimentação saudável.

Arte / A Cidade

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