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Ex-ginasta Laís Souza aguarda retomada de tratamento com células-tronco

Quatro anos após acidente, ribeirão-pretana sonha em voltar a ter movimentos nas pernas e braços; 'Quero fazer carinho na minha mãe', diz

| ACidadeON/Ribeirao

 

Os jogos Olímpicos de Inverno de 2018 na Coreia Sul terminaram neste sábado (24). E foi em enquanto se preparava para participar de uma prova de esqui aéreo na competição de 2014, ocorrida em Sochi, na Rússia, que a ex-ginasta ribeirão-pretana Laís Souza sofreu um acidente que a deixou tetraplégica.  

Quatro anos depois, Laís foca em sua recuperação, nas palestras motivacionais que faz Brasil afora, na faculdade de psicologia e aguarda liberação do FDA (Foods and Drugs Administration) - agência americana que regula os alimentos e medicamentos - para retomar o tratamento com células-tronco.

Nas Olimpíadas de Inverno deste ano, a ex-ginasta comenta que somente acompanhou a apresentação da Isadora Williams na competição de patinação artística.  

"Não consegui assistir muito por conta do trabalho e pelo horário. Mas vi a primeira apresentação da Isadora e foi muito especial. E tive contato com amigos do esqui aéreo".  

A ribeirão-pretana revela ter vontade de trabalhar na área do esporte. "Com a minha vivência. Sempre digo que a mente é a máquina do corpo, máquina da vida", ressalta.

Laís pretende concluir o curso de psicologia e já pensou em praticar um esporte paraolímpico. Porém, no momento está desenvolvendo outros projetos. "Conheci a bocha na Paraolimpíadas de 2016. Não é fácil, tem de ter muito treinamento e foco. Agora, estou ocupada com outros objetivos como as palestras, a faculdade e a fisioterapia. Além do livro que pretendo lançar, que já está em andamento", conta.

Exemplo de superação e garra, sempre alegre a ex-ginasta revela que está tentando ser feliz e fazer a diferença. Mas, diante de todas as mudanças na sua vida nesses anos, conta que às vezes bate uma sensação de desânimo.  

"É inevitável não ter essa sensação. Treinava muito e tinha um corpo diferente. Hoje, corro atrás da minha saúde, que está em primeiro lugar. Corro atrás das minhas coisas porque vida de cadeirante não é barata. Levanto a mão pro céu que estou consciente e posso trabalhar para pagar minhas contas".

Células-tronco  

Poucos meses após o acidente, Laís recebeu três aplicações de células-tronco e aguarda a liberação da FDA para seguir o tratamento.  

"Quero estar preparada fisicamente para o caso de surgir algum estudo, algo novo que eu possa me encaixar", afirma.

Quem acompanha Laís nas redes sociais pode conferir vídeos de sua progressão no tratamento. Ela tem uma rotina puxada de fisioterapia em Ribeirão Preto e São Paulo e quando viaja leva consigo o aparelho Globus, de eletroestimulação.

"Gosto de estar na fisioterapia, me dá liberdade de sair da cadeira e treinar. Consigo reparar bem algum movimento, como que meu bíceps está melhorando no vídeo. Quando é especial posto nas redes. Ganhei muito tronco e melhorei minha parte respiratória", diz.

Laís revela que o que a deixa feliz é ter as rédeas da sua vida e liberdade de sair com as amigas ou ficar horas com o sobrinho. E é, justamente, dos familiares e amigos que vêm sua força para seguir em frente.

A ex-ginasta conta que vive um dia de cada vez e afirma que hoje é mais coração do que em 2014.  

"Faço tudo com amor. Não tenho uma religião que sigo, mas Deus leva muito a gente pra frente. E a partir do momento que você está fazendo as coisas para o bem, vale a pena. Era muito atleta ogro, hoje mais observo do que falo", declara a ex-ginasta, que tem como maior sonho voltar a movimentar as pernas e braços.  

"Quero pentear meus cabelos, comer sozinha, fazer carinho na minha mãe...", finaliza.

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