Judoca de Ribeirão Preto representará o Brasil em Mundial

Cleiton Silva irá participar do Mundial de Artes Marciais dos Surdos, na Turquia

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    • Tiago Freitas

Uma história que começou com um erro médico poderia não ter um final feliz. O final desta história, inclusive, ainda está distante. Afinal, o personagem central tem apenas 29 anos. Porém, os capítulos que permeiam este conto já dão um tom daquilo que está por vir.

Uma injeção mal aplicada de um médico tirou praticamente toda a audição de Cleiton Batista Silva quando tinha apenas quatro meses de vida. Com apoio da família, porém, viveu uma infância normal em Ribeirão Preto, sua cidade natal. O apoio dos pais, inclusive, tornou-se algo mais: a visão de um futuro talento. “Eu era uma criança muito ativa. Para ajudar a liberar energia e ter mais disciplina, minha mãe [Creuza Aparecida da Silva], quando eu tinha seis anos, decidiu me colocar no judô, onde sempre me destaquei”, relata.

A carreira começou em Altinópolis. “Treinava com o professor Ricardo Oliveira, que, devido a problemas financeiros da Prefeitura, teve de parar em 2006”. Apaixonado pelos tatames, porém, voltou rápido aos treinos. “Voltei a praticar a modalidade em 2008. Voltei para Ribeirão Preto e comecei a treinar na Associação de Surdo de Ribeirão Preto [ASRP]. Sob indicação de professores, ingressou na equipe ribeirão-pretana e iniciei as atividades na Cava do Bosque”.

Agora, o lutador colhe o doce fruto da determinação em mais de 20 anos e 75 troféus e medalhas como judoca. Pela Equipe de Judô de Ribeirão Preto (AJ Corpore Sano/ SME), foi convocado pela Confederação Brasileira de Desportos de Surdos e representará o Brasil no Mundial de Artes Marciais dos Surdos, na Turquia. A competição será entre os dias 18 a 24 deste mês, na cidade de Samsun.

Matheus Urenha / A Cidade
Há mais de 20 anos treinando, Cleiton Silva compete pela categoria até 100kg (Foto: Matheus Urenha / A Cidade)

 

Faixa roxa, Silva competirá na categoria até 100kg. “Estou treinando além dos meus limites e fazendo o meu melhor. Acredito que, com força e fé, posso dar o meu melhor e conquistar nosso objetivo principal, que é a medalha”, comentou, sem esconder a confiança.

Confiança do professor

Tal prognóstico é compartilhado pelo técnico Cléber do Carmo. “O Cleiton é um judoca muito esforçado e há algum tempo merecia representar nosso país. Nos treinos no Centro de Excelência de Ribeirão Preto, ele busca evoluir e adquirir experiência com os mais velhos. Acreditamos que voltará com medalha”, aposta. 

Falta verba para poder viajar

Outro obstáculo que o judoca Cleiton Silva está encontrando para poder representar o Brasil na Turquia é a falta de patrocínio esportivo, que obrigou o atleta a criar uma campanha solidária para arrecadar uma quantia que viabilizasse a viagem até o local da competição.

Silva utilizou as redes sociais para mobilizar as pessoas, entregou projetos de apoio à 32 empresas, mas conseguiu ajuda apenas de duas. “É triste para a modalidade. Infelizmente nossos atletas no Brasil não recebem nenhuma ajuda de custo do Governo”, lamenta. Ao todo, Silva arrecadou o valor de R$ 4.035,00, que será destinado à despesas como hospedagem, uniforme da seleção, quimonos, taxa de campeonato, passagens e refeições. Segundo o judoca, ainda faltam cerca de R$ 5 mil.


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