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Sinfônica de Ribeirão Preto segue no caminho da reconstrução

Após anos de série crise financeira, OSRP inicia 2018 com contas mais equilibradas e foco em novo sistema de contratação e aumento de captação

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O presidente da Associação Lítero Musical, que administra a OSRP, Silvio Trajano Contart (Foto: Luiz Cervi / Especial)
 

Após anos de crise financeira, que provocou atrasos de até seis meses nos salários dos músicos, a Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto iniciou 2018 com as contas mais equilibradas, por conta da diversificação de parceiros e uma melhor arrecadação tributária. Mas ainda há os salários de dezembro de 2017 a quitar e recolhimentos de FGTS atrasados, segundo músicos ouvidos pela reportagem.  

"Estamos no começo da reconstrução da Orquestra. A dificuldade maior já passou. O grupo que ficou é formado por pessoas que entenderam as questões e são cúmplices na reconstrução, não só de manter a entidade como de voltar a brilhar", afirma o atual presidente da Associação Lítero Musical que administra a OSRP -, Sílvio Trajano Contart.  

Segundo ele, a melhoria foi possível graças a um aumento na arrecadação, que passou de R$ 1 milhão, no final de 2016, para R$ 1,5 milhão, em dezembro do ano passado. Isso permitiu quitar uma série de compromissos antigos. "Também conseguimos parcelar alguns tributos e estamos conseguindo levar isso em dia. Em dezembro do ano passado, praticamente zeramos nossos passivos em termos de salários e obrigações com nossos funcionários. Só que é um processo contínuo: se eu pago tudo em dezembro, já começo o ano com o caixa zerado", afirma.

Receios  

Um dos músicos da Orquestra, que prefere não se identificar, preocupa-se com os recolhimentos de FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) ainda em aberto. "Não está sendo recolhido há mais de quatro anos", diz ele. Outro músico - que também não quis dar o nome - confirma que houve uma melhoria na situação. "Essa gestão é séria, mas tenho receio de como será este ano, já que ainda estamos de férias e não recebemos o salário de dezembro nem férias", comenta.  

Contart entende esse receio, mas está otimista. Para que não ocorra um processo parecido com o de outros anos, em que atrasos só puderam ser quitados em dezembro, quando entra arrecadação da maioria dos parceiros do setor sucroalcooleiro, por exemplo -, ele tentará diversificar a base para outros setores da economia. "É uma meta em que conseguimos avançar em 2017. Ampliamos o rol. Os dois maiores parceiros no ano passado, em valores absolutos, foram da área de saúde e comércio", revela.

Contenção de custos  

Outra medida que vem sendo adotada é a contenção de custos, inclusive com folha de pagamento. "Continuamos com o aperto de cinto onde é possível. Hoje a Orquestra conta com 32 músicos, dois a menos do que em 2017. Os que saíram, porque conseguiram melhores oportunidades ou motivos pessoais, não foram repostos", informa.  

Contart esclarece que não haverá demissões, até pela importância de manter um determinado número de músicos como funcionários para preservar a base e a identidade da Orquestra. "Pretendemos diversificar nossa forma de contratação. Já chegamos a ter a orquestra completa em regime de CLT. Hoje, conforme temos necessidade de preencher e contratar músicos para compor o rol necessário para tocar uma peça ou programa, pagamos cachê ou contratamos PJ [pessoa jurídica]", revela.  

Um dos músicos ouvidos pela reportagem, porém, vê essa redução com ressalvas. Em sua opinião, a Orquestra fica limitada e sem a possibilidade de executar determinados programas. "Para suprir isso é preciso chamar muita gente, o que também representa um custo alto, com cachê do músico convidado, hotel... Receio que isso afete no pagamento dos salários", teme. 

Reativação de sócios  

De acordo com Silvio Contart, em um ano a Orquestra aumentou em mais de 15% seu número de sócios e reativou alguns parceiros, que passaram de 25 para 40. Ele atribui esse resultado ao nível de transparência das contas, que tem gerado uma maior confiança na instituição, além da melhoria na economia do País. "Tendo qualidade, relevância social e mostrando a eficiência da gestão aos colaboradores há retorno. Temos formadores de opinião que atuam como captadores de parceiros pelos programas de renúncia fiscal, além de captadores profissionais", explica o presidente.  

Já em termos de bilheteria, Contart ressalta que não consegue ter um público pagante significativo. "Arrecadamos cerca de R$ 5 mil com a bilheteria e R$ 30 mil com os sócios. O custo mensal da Orquestra gira em torno de R$ 200 mil", detalha.  

Formação de público  

Na tentativa de formar público entre os jovens, a Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto desenvolve o projeto "Tocando a Vida" em duas escolas municipais. Em 2017, foram atendidas 600 crianças. "No ano passado conseguimos captar de ICMS cerca de R$ 600 mil para o projeto.  

Este ano teremos de reduzi-lo para semestral, por conta da captação de apenas R$ 300 mil", explica. Outros dois projetos são o "Ensaio Aberto", em que a Orquestra recebe alunos de escolas de Ribeirão às sextas-feiras pela manhã, no Theatro Pedro II, para concerto e bate-papo com os músicos; e o tradicional "Juventude Tem Concerto", nas manhãs de domingo. Ambos têm surtido efeito, com o aumento na frequência de jovens às apresentações.

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