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Lazer e Cultura

Meninos de Ribeirão Preto disputam final do balé Bolshoi em Joinville

Alunos da Casa das Mangueiras, Gustavo Souza, de 9 anos, e Enzo da Silva, 10, foram aprovados na pré-seleção da escola de origem russa

| ACidadeON/Ribeirao



Uma oportunidade única de dançar balé em uma das melhores escolas do mundo está transformando a vida de dois meninos de Ribeirão Preto. Gustavo Souza, de 9 anos, e Enzo da Silva, de 10, foram aprovados para participar da seletiva nacional da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, em Joinville (SC), no final de outubro.  

As duas crianças são alunas da professora de balé Vanessa Tremeschin, na Casa das Mangueiras, instituição que desde 1973 atende crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.  

A professora é dona de uma escola de balé na cidade, onde dá aulas há 16 anos. O projeto social surgiu através da cunhada de Vanessa, que é sócia na escola e paralelamente sempre ajudou a Casa das Mangueiras.  

"Nós sentimos a necessidade da dança estar não só na nossa escola, que é particular, mas em locais onde as pessoas possam praticar aulas de balé mesmo que não tenham possibilidade de frequentar uma escola particular", explica Vanessa.  

As aulas de balé começaram há quase um ano, em outubro de 2017, e ocorrem uma vez por semana em dois períodos, de manhã e à tarde. "Nós levamos os alunos daqui para dançar com nossos alunos da escola particular e também para festivais. Nossa escola também ajuda, pois fizemos um festival onde a toda a renda foi em prol da Casa das Mangueiras", conta a professora.  

Vanessa trabalha com a metodologia russa Vaganova e esteve em Joinville (SC) no mês passado, onde participou de um curso de aperfeiçoamento na Escola do Teatro Bolshoi, que está realizando seletivas para iniciar a graduação do próximo ano. "Lá eu fiquei sabendo que iria ocorrer uma pré-seleção em Ribeirão Preto. O pessoal de Joinville faz seletivas no Brasil inteiro e eu levei os dois meninos e também algumas meninas, mas acabou que os dois garotos foram pré-selecionados", diz Vanessa, com brilho nos olhos.  

Agora, se Enzo e Gustavo forem aprovados na etapa final, estarão aptos a frequentar os nove anos do curso de formação no Bolshoi de Joinville. O curso é gratuito e são cinco horas de aula, cinco vezes por semana. O aluno sai um bailarino completo, pois, além da dança, eles recebem aulas de música e aprendem a tocar instrumentos.  

"É uma formação bastante completa", diz a professora, que não esconde o orgulho. "Eu estou muito feliz. Todo aluno chega com um sonho, então eu trabalho com sonhos. Meu sonho é ser bailarino, meu sonho é ser bailarina, então eu tento fazer com que o aluno alcance o seu sonho".

Realização  

O pequeno Enzo jamais esquecerá sua primeira apresentação grandiosa, em um dos palcos mais respeitados do País. "Fiz uma apresentação do Rei Leão no Theatro Pedro II, onde eu fui o Simba. Gostei muito, foi emocionante! Estava cheio de gente. Acho que lá em Joinville vai ser legal, mas também bem difícil", comenta, ansioso, o jovem bailarino.  

Thais Elizabeth da Silva, mãe de Enzo, matriculou o filho há três anos na Casa das Mangueiras para conseguir trabalhar meio período como doméstica em casa de família. "Minha mãe (avó do Enzo) sempre falou para eu colocar ele no balé, mas eu dizia que não, não e não. Mas depois que ele foi descoberto pela professora Vanessa e apareceu esta oportunidade, não parou mais. Eu pretendo ir junto para Joinville", diz mãe.  

Ao ser questionado sobre seus sonhos, Enzo é categórico. "Eu sonho em ganhar muito dinheiro para ajudar minha família, mas quero ser uma pessoa que foi alguém na vida. Acho que o balé pode me ajudar nisso". 

Apesar da pouca idade, Gustavo mostra muita determinação para uma criança de apenas 9 anos. "Eu senti que o balé era meu sonho e vi que a Casa das Mangueiras não é só um lugar que cuida de crianças, é um lugar que ajuda a realizar os sonhos delas, que incentiva a fazer o que queremos, por isso estou aqui até hoje", conta sorridente.  

Sua mãe, Cintia Aparecida de Souza, conta que ele sempre quis frequentar a Casa da Mangueiras. Moradores do Jardim Jandaia, toda vez que passava com o filho perto da instituição o menino pedia para entrar. Para a alegria de Gustavo, sua mãe fez a matrícula e logo o menino foi chamado.  

"Fiquei surpresa quando, do nada, ele disse: mãe, começou a ter balé lá na Casa das Mangueiras, mas balé não é coisa de menina?. Eu respondi que não. Se você gosta, Gustavo, então faça", revela Cintia, orgulhosa.  

Apesar de esbanjar sorriso, a mãe não disfarça a ansiedade. "Minha cabeça está a mil por hora com essa viagem, pois eu não vou poder acompanhar. Mas as funcionárias aqui da Casa das Mangueiras estão ajudando a realizar este sonho dele. Vamos fazer de tudo para dar certo. Temos que apoiar, pois não é todo dia que aparece uma oportunidade dessas", reconhece.

A professora Vanessa Tremeschin descobriu os dois talentos em Ribeirão Preto (foto: Weber Sian / A Cidade)

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