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Lazer e Cultura

Projeto leva Chico Lorota para páginas de HQs

Projeto RPHQ traz coletânea de 14 histórias em quadrinhos e mais dois causos do eterno caipira ribeirão-pretano

| ACidadeON/Ribeirao

O quadrinista Alex Soares, Roberto Edson caracterizado como Chico Lorota, o roteirista Gerson Teixeira e Cordeiro de Sá, que integram o projeto da coletânea (Foto: Matheus Urenha / A Cidade)

Indicado a três prêmios HQMIX - considerado o Oscar dos quadrinhos -, o projeto RPHQ (Ribeirão Preto em Histórias em Quadrinhos) pretende trazer em sua quarta coletânea um personagem velho conhecido da região.  

Chico Lorota, personagem do humorista Roberto Edson, vai ganhar versões em desenho com traços de 20 quadrinistas. Eles ilustrarão dois causos do próprio Roberto Edson e 14 histórias em quadrinhos roteirizadas por Gerson Teixeira, que já trabalhou com Disney, editora Abril, revista Senninha, revista dos Trapalhões e atualmente com Maurício de Souza (o "pai" da Turma da Mônica).  

A iniciativa é do quadrinista e criador do projeto RPHQ, Cordeiro de Sá, que lançou na internet uma campanha de financiamento coletivo para custear os R$ 11.850 necessários para produzir a coletânea (leia mais abaixo). Sá conta ter tido a ideia de retratar o caipira mais conhecido de Ribeirão quando conheceu Gerson Teixeira. Ela veio depois de ter comentado com o roteirista que gostaria de lançar algo com temática menos bairrista e mais ampla sobre Ribeirão Preto. 

Tema definido, Sá decidiu publicar uma espécie de edital na página do RPHQ para atrair quadrinistas interessados. Em menos de 12h, o edital teve mais de 200 inscritos forçando Sá a encerrar antes do que pensava. A triagem dos portfólios resultou na seleção final de 20 colaboradores, entre eles profissionais com os quais Sá já havia trabalhado e outros que nem conhecia, alguns têm participações na Folha de São Paulo e contribuições nos Estados Unidos e outros estão publicando pela primeira vez.  

"Considerei a qualidade e a diversidade dos traços. Você vai de traço super realista até cartoon, passando por aquarela, por um traço mais engraçado, outro mais poético. Enfim, é uma diversidade muito grande", define Sá.  

Para ele, o projeto cultural levará o nome da cidade País e mundo afora, promovendo um resgate das raízes interioranas, com a visão e inocência do caipira, e incentivando o cuidado com o meio ambiente. "Tem gente dos EUA já contribuindo com a gente no financiamento coletivo. Quer dizer, até lá vai chegar o Chico Lorota e as histórias dele, que se passam aqui em Ribeirão", frisa Sá. "Ela não é uma revista panfletária. Não é isso, mas do jeito que as histórias são contadas, a gente pensa que o mundo pode ser melhor, mais tranquilo, ter mais paz, mais bom humor. Acho que isso é uma coisa muito importante", conclui. 

'Tudo ou nada'  

O valor de R$ 11.850 que Sá tenta levantar via financiamento coletivo custeará apenas a publicação e a distribuição da coletânea. Os artistas só receberão pelo seu trabalho caso esta meta seja superada.  

O financiamento funciona como uma pré-venda: as pessoas colaboram com valores a partir de R$ 20. Se a meta for batida, o contribuinte recebe a revista e as recompensas pela ajuda, que incluem roteiros, artes e estudos do projeto autografados. Se não, os valores serão devolvidos. É um "tudo ou nada".  

"Todas as revistas terão o nome de quem contribuiu, a menos que a pessoa queira ficar anônima. Vai estar nos agradecimentos, como coprodutores da revista, todo mundo que contribuiu", diz o quadrinista. O link para contribuições fica no ar até 22/9.

Roberto Edson fala de expectativa e emoção  

O humorista Roberto Edson ficou agradavelmente surpreso com o convite para integrar mais uma coletânea do projeto RPHQ. "Eu considero particularmente uma homenagem ao personagem Chico Lorota, que já esteve nas telinhas, continua nos palcos e agora estreará em outro formato, que é histórias em quadrinhos, pelo que sempre fui apaixonado", comenta.  

Sua maior alegria foi conhecer suas várias versões dos quadrinhos. "O que me chamou a atenção é que cada artista nessa revista enxerga o Chico Lorota de uma maneira. São diferentes traços, diferentes personalidades que cada artista traça. Uma forma mais de cartoon, outro mais estilizado, outro mais infantil, tem até o Chico Lorota criança. Eu fiquei extremamente emocionado quando vi algumas ilustrações", conta.  

Para ele, o projeto com financiamento coletivo tem de servir como exemplo para que mais ideias do tipo surjam na cidade. "Resgatar a história de um caipira, os pontos, os causos, as histórias na roça, muitas delas inclusive adaptadas é sensacional. Na verdade é oferecer pra quem não conhece e recordar pra quem já teve a oportunidade de ler e ouvir esses contos caipiras. É muito gratificante", conclui.

Sobre o Selo RPHQ 

Cordeiro de Sá cirou o RPHQ surgiu em 2012, com a ideia de reunir novos talentos e artistas consagrados - seus alunos (já que também é professor universitário), professores e colegas.  

Patrocinada pelo Senac e pelo Programa de Incentivo Cultural da Prefeitura Municipal e Secretaria da Cultura, que já não existe mais, a primeira coletânea saiu em 2012. Em 2013, saiu "Malu, Memórias de Uma Trans", história de uma transexual, que também foi indicada ao troféu HQMIX, em 2014. 

Em 2017, foi a vez de "Cospe Fogo", um cordel em HQ que trabalha a valorização da cultura negra, de matriz africana, indígena e nordestina.  

Em 2017, Sá também criou o evento JuntaGEEK, que foi indicado ao HQMIX 2018 na categoria "Melhor Evento". "Uma coisa interessante é que o selo sempre faz um trabalho social, então em todo o material que a gente fez das coletâneas, a gente teve uma oficina pra uma ONG de crianças", ressalta Sá. 
 
Participam dessa edição:
 
Alex Soares, Ana Márcia Zago, Arnaldo Junior, Arnaldo Neto, Bianca Lana, Caetano Cury, Cordeiro de Sá, Dan Medeiros, Dri Andreolli, Dud, Felipe Briani, Fran Micheli, Gerson Teixeira, João Edno Jr., Jorge Curti, Karen Fagu, Lucas Busatto, Luís Menechino, Paulo Fritoli, Reno, Roberto Edson, Rodrigo Mazer, Saulo Michelin, Vinil e Vitor Pandão.

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