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Conheça o piloto de Ribeirão que está na Esquadrilha da Fumaça

Nascido no Alto do Ipiranga, zona Oeste da cidade, o capitão Vinícius Moreno, 32 anos, realiza sonho de infância no seleto grupo da Força Aérea Brasileira

| ACidadeON/Ribeirao

O capitão Moreno tem mais dois anos de permanência na Esquadrilha da Fumaça (Foto: Divulgação / FAB)
 

Natural do Alto do Ipiranga, na zona Oeste de Ribeirão Preto, o piloto militar Vinícius Moreno, de 32 anos, conseguiu realizar um sonho de infância ao entrar para a Força Aérea Brasileira (FAB) e conquistar uma vaga na Esquadrilha da Fumaça.

"Eu tinha uma revistinha, um pôster da Esquadrilha assinado por todos os pilotos. Olhava sempre durante as épocas de estudo. Sempre tive aquilo como inspiração. Apesar de ter sido um sonho, uma vontade grande, a gente não imagina e não espera isso. E, graças a Deus, acabou acontecendo", conta ao ACidade ON o capitão aviador Moreno, como é conhecido no seleto grupo de pilotos da FAB.

Vinícius Moreno diz que ainda era adolescente quando deixou Ribeirão para fazer cursinho em São Paulo com foco no concurso público da Força Aérea, sempre muito concorrido.

"Desde muito novo eu já falava em ser piloto. Minha mãe queria que eu fosse cirurgião plástico, mas acabou que não deu  certo. Acabei conhecendo a carreira militar através do filho do meu padrasto, em uma formatura dele na Marinha, no Rio de Janeiro. Fui pesquisar mais e descobri que dava para ser piloto. Lá em casa não tem nenhum militar, ninguém ainda tinha tentado a carreira, nem nada parecido".

Preparação 

Os estudos para se tornar um piloto militar são intensos e exigem disciplina, força de vontade e persistência, conforme relata o capitão Moreno.

"Para chegar até aqui não é uma caminhada curta nem tão fácil, mas totalmente possível. Começa lá no cursinho. Depois, mais três anos de EPCAR [Escola Preparatória de Cadetes do Ar, em Barbacena (MG)] até chegar à AFA [Academia da Força Aérea, em Pirassununga (SP)]. Tem que buscar terminar os quatro anos em uma boa classificação, para conseguir prosseguir para a aviação de caça, que eu sempre quis", ressalta.

Entre as experiências na aviação de caça, o capitão Moreno conta que permaneceu por dois anos na Amazônia, com foco na atuação para coibir o tráfico de drogas pela fronteira.

"Fiz o curso de caça em Natal (RN) durante um ano. Depois, fui para fronteira em Porto Velho (RO). Fiquei dois anos para servir na Amazônia, onde a gente faz bastante voo de interceptação", diz. 

A Esquadrilha

Em 2019, o militar foi escolhido para integrar o Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA), popularmente conhecido como Esquadrilha da Fumaça, cuja sede é em Pirassununga, a 108 quilômetros de Ribeirão.

"Os nossos treinamentos são praticamente diários, bastante intensos para que a gente consiga fazer uma demonstração bonita para o público e com segurança. Nossos voos são filmados para melhorar a realização das manobras. Hoje, ocupo a posição de número seis. Estou no meu terceiro ano e tenho mais dois, pois no meu quinto ano eu saio dando oportunidade para que outros pilotos possam participar do grupo", explica o capitão. 

Desde 2015, o avião utilizado pela Esquadrilha é o A-29 Super Tucano, modelo fabricado no Brasil pela Embraer. 

"É uma aeronave mais moderna, com tecnologia, um avião praticamente todo digital, que nos permite fazer coisas que provavelmente o T-27 Tucano [aeronave utilizada anteriormente pela Esquadrilha] não permitia. Há uma precisão maior em algumas manobras e nos dá uma consciência situacional durante o voo muito melhor", avalio o piloto.

Pandemia

A covid-19, que suspendeu as apresentações da Esquadrilha da Fumaça desde o ano passado, também mudou a rotina do grupo, acostumado com o carinho do público nas viagens nacionais e internacionais. O período tem sido aproveitado para treinamentos da equipe.

"Como não pode haver aglomeração de pessoas, infelizmente as nossas viagens, as nossas demonstrações ficaram paradas. No ano passado, a gente fez uma live que foi bastante acompanhada pelo público e gerou um retorno bastante legal. E é o que a gente pode realizar. Espero que tudo melhore o quanto antes para voltar com as nossas demonstrações", diz o militar. 

O capitão Vinícius Moreno no Super Tucano da Esquadrilha (Foto: Divulgação / FAB)


Saudade de Ribeirão

Desde quando se mudou para Pirassununga, o capitão Moreno está mais perto da família, que continua em Ribeirão.  

Ele conta, porém, que sente saudades da mãe e dos amigos, especialmente nesse período de isolamento social necessário devido à pandemia.

"Acho uma cidade muito boa para se viver, apesar do calor. Sinto falta da minha família e dos meus amigos, de poder estar junto, de participar dos momentos importantes", relata. 

Sonho e perseverança

Como um dia Vinícius Moreno sonhou e buscou realizar o que havia idealizado, o militar deseja que os jovens que escolheram seguir carreira na FAB também sonhem e persistam.

"Aos jovens, desejo que sonhe para depois correr atrás. Lembre-se que ninguém vive de sonho. Então, depois de sonhar, a gente tem que correr atrás, tem que fazer acontecer". 

Todos os anos a FAB realiza o concurso público para ingresso na Aeronáutica. Em 2021, porém, o prazo para inscrições na AFA (Academia da Força Aérea) se encerrou em 29 de março.  

*As fotos utilizadas pela reportagem foram feitas antes da pandemia


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