Obras de Odilla Mestriner serão doadas a museus

Instituto Odilla Mestriner cumpre desejo da artista ribeirão-pretana

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    • Valeska Mateus
Reprodução
Tela Gatos, de Odilla Mestreiner (foto: Reprodução)

 

O Instituto Odilla Mestriner, que cuida do acervo de obras deixado pela artista ribeirão-pretana, está concluindo um processo de doações de suas telas a museus do País. O intuito é ampliar a representatividade da artista, ressaltando sua importância para o panorama da arte brasileira, que – já foi atestado – é imenso.

Desenhista e pintora, Odilla Mestriner morreu aos 81 anos, em fevereiro de 2009, deixando cerca de 350 obras, muitas premiadas e que participaram de bienais e exposições no exterior. Além disso, há telas da artista em diversos museus nacionais e no exterior, em países como Bélgica, Estados Unidos e Alemanha.
A Pinacoteca de São Paulo foi o primeiro a receber, este mês, 15 quadros da artista (veja quais à direita), somando agora 17– já tinha Figuras em Procissão (1969) e Cogumelos (1959) em seu acervo. 

“Priorizamos aqueles [museus] que já têm representação dela. Sentimos que a representação mais antiga surgiu, historicamente, em função de prêmios-aquisições em Bienais e Salões e são em número reduzido”, detalha a irmã da artista e presidente do Instituto, Maria Luiza Mestriner.

Segundo ela, a doação cumpre um desejo da irmã enquanto viva. “Na visão de Odilla, essa representatividade não revelava toda a sua trajetória como artista, não demonstrava o significado de sua obra no panorama do modernismo brasileiro. Uma das suas preocupações era complementar essa representação no sentido de dar mais significado”, explica Maria Luiza.

Plano

A intenção é abranger 12 instituições do Estado de São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Santa Catarina, entre eles o Museu de Arte Brasileira da Faap (Fundação Armando Álvares Penteado) – que já tinha duas obras da artista e recebeu mais seis - e o MAC USP (Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, além da Pinacoteca.

Mas Maria Luiza ressalta que este é um processo lento, por conta da questão burocrática na incorporação de novas obras e da curadoria por parte dos museus para a escolha dos quadros, além da consulta aos herdeiros da artista. “A Pinacoteca coletou as obras 11 meses após o primeiro contato devido a toda a questão de embalagem especializada, transporte e seguradora”, detalha.

A curadora da Pinacoteca de São Paulo, Fernanda Pitta, detalha que sua equipe selecionou as que considerou mais pertinentes para o seu acervo, em diálogo com as já existentes, buscando promover um bom panorama da obra da artista que dedicou-se ao desenho como linguagem principal de sua produção. “Para a Pinacoteca, a característica gráfica e serial do trabalho de Odilla Mestriner fica melhor representada com esse conjunto significativo de obras, permitindo um olhar mais alargado sobre a pesquisa da artista”, explica.

Milena Aurea / A Cidade
Maria Luiza Mestriner,Presidente do Instituto Odilla Mestriner (foto: Milena Aurea / A Cidade)

 

À PINACOTECA

• Casas (1958)
• Casas III (1960)
• Anatomia da Casa II (1962)
• Trechos da Cidade (1966)
• Cabeças Repetidas I (1970)
• Festival de Corais II (1970)
• Fantástico Urbano XIII (1978)
• Floresta Iluminada I (1983)
• Andantes III (1993)
• Andantes XVI (1996)
• Andantes XXVIII (1996)
• Assim Caminha a Humanidade (1996)
• Homenagel a Segal (1999)
• À Margem do Caminho (2004)
• Mesas e Cadeiras Ritmadas (2006)

AO MAB-FAAP

• Gatos (1956)
• Casas X (1966)
• Cosmogonia II (1975)
• Remendados (1986)
• Andantes III (1992)
• Amarradas (2000)

 

 


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