Sesc Ribeirão reúne manifestações da cultura popular e reverencia origens afro-brasileiras

Praça XV e Parque Maurílio Biagi também tornam-se palcos do Encontro de Culturas Populares e Tradicionais neste domingo (12)

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Matheus Grobe / Divulgação
Maracatu Chapéu de Sol (Foto: Matheus Grobe / Divulgação)

 

O Sesc Ribeirão, a Praça XV e o Parque Maurílio Biagi, em Ribeirão Preto, tornam-se palcos do Encontro de Culturas Populares e Tradicionais neste domingo (12). Com promoção do Sesc, o evento reúne manifestações populares, religiosas e tradicionais brasileiras, para celebrar a diversidade cultural do país.

A alegria e os tambores do jongo, as diversas linguagens do maracatu, as batidas da sambada e as danças do afoxé reverenciam as manifestações de origem afro-brasileira na programação do Encontro.

“A ideia surgiu impulsionada pela pujança dos grupos de cultura populares de Ribeirão e região, que têm mantido um intercâmbio ativo com os grupos de Maracatu de Recife”, comenta o animador cultural do Sesc Ribeirão, Vitor Paschoalick.

Com esse renascimento do Maracatu na cidade, o Encontro foca o fortalecimento e incentivo desses grupos ao trazer mestres pernambucanos para as apresentações, rompendo assim as barreiras geográficas. “Reunimos apresentações fortes em um único final de semana. E buscamos contemplar as diversas regiões do país, para aumentar a representativa e tornar o evento multicultural”, diz Paschoalick. 

A presença de dois mestres da Nação Estrela Brilhante de Recife - Walter de França e a Baiana Rica e mestre Maurício Soares- é destaque da apresentação do Maracatu Chapéu de Sol, que abre o evento. “São fortes referências do nosso trabalho. É um orgulho podermos cantar e dançar essas toadas na presença de quem as criou”, afirma o dirigente do Chapéu de Sol, Maurício Puntel Fiori.

O grupo de Ribeirão completa dez anos em 2018 e foi um dos precursores dessa manifestação pernambucana na cidade. “Por ser informal e ter origem na oralidade, essas culturas precisam ter resistência e ser contínuas. É muito valoroso termos criado oportunidades de surgirem outras comunidades de Maracatu em Ribeirão”, diz Fiori.

As apresentações do Encontro acontecem em espaços públicos e em horários de movimentação natural nesses locais, justamente para estimular a participação e interação da população.

“As culturas tradicionais de matriz africana vêm sendo reconhecidas pelo Sesc é importante que esses mestres que bebem de uma fonte ancestral sejam valorizados, porque o racismo está presente”, comenta Vinícius Barros, fundador do Maracatu Navegante, também de Ribeirão, há cinco anos.

No evento, o grupo será regido pela mestra Joana, da recifense Nação Maracatu Encanto do Pina. “Para nós ela significa inspiração e fundamento, principalmente pela sua forte luta contra o machismo e o racismo”, diz Vinícius.

Jongo

o Jongo leva sua alegria, cantoria, dança e som dos tambores à Praça VX com o Jongo Dito Ribeiro, uma comunidade de Campinas que tem como mestre e lideranças principalmente mulheres, além da força da ancestralidade. “O nome é uma homenagem ao meu avô. Temos uma identidade que é reposta cada vez que nossos tambores tocam, pensando nesse ancestral e revivendo o jongo nos dias de hoje”, diz a líder, Alessandra Ribeiro. Ela revela que a integração com o público – bem característica das culturas populares – marcará a apresentação. “Segura sua mão na minha para que juntos possamos fazer aquilo que não posso fazer sozinha... Essa é uma frase da nossa comunidade”, cita Alessandra.

Programação
Encontro de Culturas Populares e Tradicionais

Domingo (12)
• 9h30: Oficina de Maracatu de Baque Virado, com Mestra Joana Cavalcante da Nação Encanto do Pina de Recife - no Galpão do Sesc
• 14h30: Samba de Lenço “Mestre Antonio Carlos Ferraz” - no Parque Maurílio Biagi
• 15h30: Maracatu Navegante, com participação de Mestra Joana Cavalcante e Deivson Santana - no Parque Maurílio Biagi
• 16h30: Batuque de Umbigada, com Batalhões de Piracicaba e Capivari - no Parque Maurílio Biagi
• 17h30: Afoxé Omó Orunmilá - no Parque Maurílio Biagi
• 18h30: Roda de Conversa “Resistência da Cultura Negra no Brasil”, com Baba Paulo Ifatide - no Parque Maurílio Biagi


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