João Guilherme Camargo e os gênios da vez

Um dos sócios e coordenador da Escola de Inventor, empresário de 32 anos fala sobre o sucesso desde modelo de ensino

    • ACidadeON/Ribeirao
    • Juliana Rangel
Murilo Corte / ME
Guilherme Camargo, um dos sócios e também coordenador da Escola de Inventor (Foto: Murilo Corte/ME)

 

João Guilherme Camargo tem 32 anos e um futuro promissor. Natural de Araçatuba e morando em Ribeirão Preto há 21 anos, iniciou o curso de Administração de Empresas e Agronegócios pela Unesp (Universidade Estadual Paulista), mas foi na USP (Universidade de São Paulo) em Ribeirão que encontrou o que seria a sua carreira – atualmente, ele cursa Ciências da Informação e da Documentação e hoje é um dos sócios e também coordenador da Escola de Inventor. Para entender um pouco mais sobre esse modelo de ensino, o jovem empresário fala do mercado, do faturamento que aumentou em 350% desde que abriu, em 2015, e dos planos de expansão do sistema com investimento de R$ 300 mil.


Como surgiu a Escola de Inventor?
A Escola surgiu em 2013, a partir de um projeto de empreendedorismo realizado por meio da Agência USP de Inovação. Esse projeto possibilitou minha mudança para Portugal, onde realizei pesquisas na Universidade Nova de Lisboa, durante sete meses, sobre os motivos do baixo índice de inovação das academias brasileiras – apesar do aumento recente no número de publicações de artigos nacionais em revistas científicas de impacto, poucas pesquisas chegam ao mercado sob a forma de produtos, processos ou serviços. Durante o estudo, descobri que a causa principal do problema não se encontrava na academia ou na indústria, como esperávamos, mas, sim, no processo de educação básica. Ao longo do ensino fundamental, perde-se o interesse em matérias ligadas a ciência e matemática.
 
Quando saiu do papel?
Retornei ao Brasil em 2014, quando enxerguei a oportunidade de atuar nessa parte da educação, inicialmente oferecendo aulas de lógica de programação e desenvolvimento de games, com foco em matemática. Rapidamente expandimos o nosso currículo para o ensino da ciência, por meio de atividades "mão na massa", e de conteúdos STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática). Após um ano e meio de pesquisa e aplicação de métodos ativos de aprendizagem em alguns grupos pilotos, iniciei a Escola de Inventor em junho de 2015, com a parceria de amigos que acreditam e compartilham do mesmo sonho. Desde então, já atendemos mais de mil jovens e crianças em cursos regulares e atividades abertas ao público.
 
A escola completa dois anos no meio do ano e já está em processo de ampliação... 
A mudança para um novo e maior espaço ocorrerá para que possamos atender um público que ainda não cursa as aulas regulares da Escola de Inventor. Também será um local interativo, onde os responsáveis poderão levar as crianças para se divertirem. A ideia é que pais e filhos tenham a oportunidade de realizar atividades e oficinas, que, além de divertidas, ensinarão conceitos científicos e matemáticos. Entre as opções que serão oferecidas e  poderão ser realizadas em família estão a construção de foguetes baseados na pressão da água - para aprendizagem de conceitos ligados à física -, a elaboração de sabres de luz do "Star Wars" – para ensino de conceitos ligados aos circuitos elétricos. O espaço ainda realizará cursos de formação para professores do Ensino Fundamental, nos quais os participantes aprenderão sobre aplicação de métodos ativos.
 
Este tipo de atividade é a escola do futuro?
As matérias são ensinadas há séculos, entretanto, a aplicação por meio de ações práticas e de ciclos de prototipagem-teste-erro-correção-acerto muda o formato e traz o aluno para o centro da sala. Ou seja, ele se torna protagonista e amplia o seu nível de responsabilidade e empenho em aprender e demonstrar o conhecimento adquirido. Acreditamos que abordagens semelhantes às da Escola de Inventor serão essenciais para melhorar substancialmente os índices de letramento científico e de desempenho dos alunos brasileiros em matérias ligadas à leitura, ciência, matemática e a resolução de problemas por meio da lógica.
 
Como você enxerga esse mercado dentro de 10 anos?
Acreditamos que o conceito de aprendizagem "mão na massa" e cultura maker ganha cada vez mais força dentre os educadores e pensadores, cujas pesquisas estão focadas no futuro das práticas de ensino e aprendizagem. As crianças dessa nova geração, hiperconectadas e com acesso facilitado a uma gama antes inimaginável de informações, necessitam de uma abordagem diferenciada, focada na transformação de suas paixões em motores para o estudo.
 
Quanto custa um curso extra desse? Você acha que é uma tendência até esse tipo de prática chegar às escolas públicas?
Nossos cursos regulares têm custo médio de R$ 300 por mês, com material incluso. Acredito que é uma tendência, sim. Entretanto, o fator crucial para o sucesso da adoção em larga escala desse tipo de abordagem ativa de aprendizagem é uma mudança de postura dos gestores de escolas públicas e privadas, que podem oferecer formação continuada a professores, construir espaços de aprendizagem e adquirir materiais que possibilitem a inclusão de atividades "mão na massa", baseadas na prática.
 
E essa parceria com a Fundação Siemens? Como ocorreu?
A Fundação Siemens escolheu a Escola de Inventor para ser uma das coordenadoras do projeto Experimento no Brasil. O programa é baseado no método desenvolvido pela Fundação Siemens em parceria com a Casa do Pequeno Cientista na Alemanha. O objetivo é capacitar educadores do Ensino Fundamental 1 e 2 para promoverem o aprendizado por meio de perguntas investigativas e experimentos em sala de aula nas áreas de meio ambiente, corpo humano e eletricidade. Com essa ajuda, desenvolvida especificamente para as faixas etárias de 7 a 14 anos, crianças e jovens têm mais autonomia sobre os fenômenos naturais e aprendem a compreender contextos científico-naturais por meio de pesquisas e descobertas próprias. Nosso papel consiste em entrar em contato com secretarias de educação e propor a implantação de projetos pilotos. O órgão escolhe as escolas instaladas em áreas de mais vulnerabilidade social ou com baixo desempenho no IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Após isso, os professores selecionados passarão por uma formação junto a Escola de Inventor e receberão da Fundação Siemens kits para execução de experiências científicas e cerca de 45 planos de aula prontos para aplicação, tudo gratuitamente.
 
A partir de qual idade uma criança já pode ter um estudo de robótica? 
Nossos cursos regulares atendem crianças a partir de 7 anos. Até 8 anos, as crianças aprendem a utilizar técnicas de resolução de problemas baseadas no pensamento computacional. Ou seja, os alunos decompõem problemas em situações menores. A partir dos 9 anos, iniciamos uma jornada em relação à robótica propriamente dita, já que os alunos passam a frequentar o curso com duração de 18 meses.
 
Logo terão cursos para adultos também. Qual a diferença para o curso das crianças?
Inicialmente, nossos cursos serão voltados para os adultos que ouvem falar das tecnologias emergentes, mas nunca as utilizaram e nem sabem de fato a forma como elas funcionam. O Disrupt! é o primeiro curso da Escola voltado para desmistificar tecnologias para o público adulto. O participante terá a oportunidade de aprender na prática o funcionamento de algoritmos, robótica, Internet das Coisas, inteligência artificial, impressão 3D e aplicativos.
 
Por que ingressar nesse cenário para adultos? Quais os objetivos e planos da Escola?
A Escola de Inventor tem sido contratada por grandes empresas para realizar treinamentos e workshops na área. Além disso, os pais dos nossos alunos solicitam cursos para eles.   

A nova sede trará alguma novidade para a região?
Nossa visão é sermos reconhecidos como centro de desenvolvimento, aplicação e formação de professores em métodos ativos de aprendizagem para ensino de ciência, tecnologia, engenharia e matemática para professores do ensino fundamental. Além disso, queremos ser o principal FabLab do interior de São Paulo, com a disponibilização de diversos equipamentos aos frequentadores como, por exemplo, impressoras 3D, máquinas de corte a laser, fresadoras CNC, máquina de costura e de marcenaria básica, e kits de eletrônica, robótica e Internet das coisas.
 
A escola aparece entre as 100 startups mais promissoras do Brasil. Já pensa em franquia? Como está esse processo?
O modelo de franquia ainda está em fase de estruturação. A expectativa é replicarmos nosso modelo de negócio de tanto sucesso em Ribeirão Preto pelo Brasil afora.


0 Comentário(s)

Seja o primeiro a comentar.