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Conheça o retiro do imperador no Rio de Janeiro

Na região serrana, Petrópolis revela um pouco da história do Brasil e encanta pela sua arquitetura, clima e gastronomia

| ACidadeON/Ribeirao

 


Nada satisfeito com as altas temperaturas da então capital Federal (Rio de Janeiro), nos idos de 1840, Dom Pedro II saiu em busca de terras com clima ameno de serra para passar a temporada de verão. Escolheu erguer seu palácio na Serra Fluminense. Assim nasceu Petrópolis, em 16 de março de 1843.  

Hoje a "Cidade Imperial" figura entre os principais destinos de serra do Brasil. Além do charme das muitas construções e casarões da época do imperador, seu clima ameno, as paisagens montanhosas, a gastronomia de restaurantes estrelados e os hotéis charmosos a tornam um destino perfeito para curtir o Dia dos Namorados ou férias de inverno.  

"É uma cidade que atende a diversos públicos com cinco circuitos turísticos: o Histórico e Cultural, o de Ecoturismo e Turismo de Aventura, o Cervejeiro, de Moda e Religioso, além das hospedagens bem diversificadas, incluindo Spas e o Vale dos Gourmets, que envolve vários distritos oferecendo uma excelente gastronomia e clima aconchegante para os casais, com salas privativas, lareiras e pianos", comenta a diretora de Turismo e Eventos de Petrópolis, Camila Thees.  

Outros palácios foram erguidos depois do de Dom Pedro II. Muitos deles seguem conservados e foram transformados em museus e centros culturais que integram o roteiro turístico preferido dos cariocas quando chega o friozinho. Afinal, essa bela e histórica cidade está a apenas 60 km da cidade do Rio.  

A história e as arquiteturas do século 19 e início do 20 marcam o Centro Histórico. Nos casarões é possível perceber a influência dos imigrantes alemães, italianos, sírio-libaneses e portugueses. É por eles que se deve iniciar o passeio.  

Museu Imperial  

O Museu Imperial é o cartão-postal de Petrópolis. Construído em 1845 para ser a residência de veraneio da família real, permite ao visitante conhecer mobiliário, joias e outros objetos que pertenceram a membros da corte, como a coroa de brilhantes e a pena de ouro usada pela princesa Isabel para assinar a Lei de Abolição da Escravatura. Como o piso original foi mantido, para circular pelos ambientes é preciso usar pantufas. "A história do Brasil está nele e é contada dentro de cada salão, como o das Carruagens, além do arquivo histórico, com peças que são expostas em mostras temáticas de tempos em tempos", diz a diretora.  

À noite, de quinta a sábado, ocorre nos Jardins do Museu Imperial o espetáculo "Som e Luz". Nele o público acompanha os principais fatos que marcaram o 2º Reinado, como a Abolição da Escravatura e a Proclamação da República, projetados em uma cortina dágua que funciona como tela de cinema.   

O Museu Imperial é o principal cartão postal de Petrópolis (foto: Divulgação / Prefeitura de Petrópolis)

Centro Histórico  

O tour pelo Centro Histórico de Petrópolis engloba outras construções belíssimas, como a Catedral de São Pedro de Alcântara. "Em estilo gótico, chama a atenção pelo seus diversos vitrais importados e os restos mortais de Conde dEu, Princesa Isabel, Dom Pedro II e Imperatriz Teresa Cristina", diz a diretora de Turismo Camila Thees.  

Também há casas de personalidades, como a de Santos Dumont, onde o inventor morou e na qual se mantém todos os objetos pessoais e móveis que pertenceram a ele... "o segundo ponto mais visitado da cidade", pontua Camila.
Uma das formas de visitar esses pontos é de charrete. O city tour a bordo dessas réplicas de carruagens percorre as principais construções históricas e permite fazer paradas nas atrações.  

O Palácio de Cristal é outro ícone da cidade e conta com uma vasta programação musical. "Foi um presente do Conde DEu à Princesa Isabel, para que ela pudesse fazer pequenos saraus com amigas e receber exposições de flores. A vocação cultural foi mantida", comenta Camila.  

Palácio Quitandinha já foi um dos maiores hotéis-cassino da América Latina (foto: Divulgação / Prefeitura de Petrópolis)

Natureza exuberante no Parque Nacional da Serra dos Órgãos  

Quem aprecia ecoturismo também pode fazer trekking no Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Repleto de trilhas, cachoeiras e mirantes naturais, é o terceiro parque nacional mais antigo do País. Entre as trilhas está o Circuito das Bromélias, que tem apenas 1 km. A caminhada é leve. Já para quem tem mais fôlego, a dica é o trekking que leva à cachoeira Véu da Noiva, com 42 metros de queda. O percurso dura 1 hora e meia. Criado em 1939 para proteger a paisagem e a biodiversidade desse trecho da Serra do Mar, o parque possui 20.024 hectares, distribuídos por quatros municípios: Teresópolis, Petrópolis, Magé e Guapimirim. "Na própria cidade há mais de 200 km de trilhas mapeadas, que podem ser exploradas pelos aventureiros. Nos hotéis pode-se obter informações, assim como nos centros de informações turísticas", declara Camila.  

Palácio Quitandinha e tour cervejeiro 

Outrora um dos maiores hotéis-cassino da América Latina, o Palácio Quitandinha, na zona Sul de Petrópolis, já hospedou artistas como Carmen Miranda e Henry Fonda. Ficou fechado por um longo período e, após a reabertura, a parte do hotel virou um condomínio residencial. O cassino passou a abrigar uma unidade do Sesc, com atividades culturais abertas ao público e visitação guiada. Nele acontece o Festival de Inverno, com início em julho, que reúne diversas atrações culturais. Ainda conta com teatro e um lago com pedalinho.  

O tour Cervejeiro é outro atrativo para os turistas. A primeira cervejaria do Brasil foi fundada na cidade em 1853: a Bohemia. Hoje são 18 marcas na cidade, algumas com cervejaria própria. Tanto que Petrópolis passou a ser considerada a Capital Estadual da Cerveja do Rio de Janeiro. "No tour visita-se a produção e degusta-se a cerveja direto do tanque", descreve Camila.  

E para quem quiser fazer comprinhas na cidade, que nesta época tem como forte casacos de diversos materiais, o ideal é conhecer os três polos de compras: a Rua Teresa, a Feirinha de Itaipava e o Bingen, que compõem o circuito de moda. 

Popo do ranking 

O município de Petrópolis alcançou o topo do ranking do turismo nacional em 2017, de acordo com a classificação do Ministério do Turismo, pela geração de empregos no setor, número de hospedagens e fluxo de turistas. São mais de 6 mil leitos de hospedagem. 

BAUERNFEST transforma a cidade em um burgo alemão 

Quem for visitar Petrópolis de 22 de junho a 1º de julho contará com um atrativo a mais: a Bauernfest. Hoje considerada uma das maiores festas germânicas no Brasil, é o principal evento no calendário cultural e turístico de Petrópolis.
A Festa do Colono Alemão nasceu de uma simples quermesse idealizada por descendentes germânicos para celebrar a origem e as tradições de suas famílias.  

Atualmente são mais de 30 barracas com gastronomia, músicas, danças e muito chope. "Remonta às origens da cidade e revela tudo o que ela tem de cultura viva até hoje. A nossa não é apenas uma festa da cerveja, mas de cultura arraigada", afirma a diretora.  

Sempre realizada perto do dia 29 de junho, em 2017 a festa atraiu mais de 320 mil pessoas. A programação inclui ranchos folclóricos, bailes, apresentação de corais e bandas tradicionais, muita comida alemã e até concursos de chope a metro, cuca alemã e de chapéu mais enfeitado.  

Uma das principais atrações são os desfiles no Centro Histórico aos domingos. "São dois, um em cada domingo, na parte da manhã, e o Desfile de Luzes, que acontece no dia 29, às 19h. Os grupos folclóricos vão trajados e o público pode levar suas lanternas artesanais, que ainda podem concorrer à mais bonita através de voto popular", explica Camila.

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