Filho de Zuely abre mão da guarda de rebanho avaliado em R$ 1 milhão

Cabeças de gado da fazenda em Cajuru podem ser leiloadas pela Justiça e, caso a ré seja condenada, valor será depositado nos cofres públicos

    • Jornal A Cidade
    • Cristiano Pavini

 

Vinte e uma cabeças de gado leiteiro de Zuely foram encontradas pelo Gaeco e PF em fevereiro em outra fazenda (Foto: Gaeco)

O filho de Zuely Librandi, Eduardo Librandi, pediu nesta terça-feira (20) à Justiça para não ser mais o fiel depositário das cabeças de gado, avaliadas por ele ao A Cidade em cerca de R$ 1 milhão, existentes na fazenda de sua mãe em Cajuru. Ele quer que o rebanho vá a leilão no âmbito da Operação Sevandija ou, então, que o Judiciário nomeie um novo responsável pelos animais.  

A fazenda de Zuely, localizada em Cajuru, está bloqueada pela Justiça desde dezembro de 2016 - data em que a advogada foi presa, na deflagração da Operação Mamãe Noel, que também teve como alvo a ex-prefeita Dárcy Vera - e pode ser utilizada para ressarcir os cofres públicos, caso a Justiça considere a advogada culpada no processo dos honorários advocatícios.  

Em abril de 2017, o juiz Lúcio Ferreira, da 4ª Vara Criminal, autorizou o leilão antecipado de 16 veículos agrícolas e das 182 cabeças de gado - sendo 29 bezerros - da fazenda. O dinheiro da venda ficaria depositado em uma conta judicial até o julgamento do processo. Se Zuely for absolvida, o montante é entregue a ela. O leilão, porém, até hoje não ocorreu.  

A situação se agravou pelas recentes denúncias de roubos e desvios dos animais, apuradas pelo Gaeco e pela Polícia Civil.  

Em 16 de janeiro de 2018, Eduardo Librandi registrou boletim de ocorrência em Cravinhos, na delegacia em que seu irmão é delegado titular,  informando que uma quadrilha armada com metralhadores entrou na fazenda e roubou "cerca de 30 vacas leiteiras".  

Um mês depois, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) recebeu denúncia anônima que alguns animais de Zuely, embora bloqueados judicialmente, estavam sendo negociados a pecuaristas da região por um homem de outra fazenda em Cajuru.  

No local, integrantes do Gaeco, sem se identificarem, encontraram 21 vacas e conseguiram a confissão informal desse homem, dizendo que uma funcionária da fazenda de Zuely havia repassado o rebanho. Ele ofereceu, ao agentes públicos, cada cabeça por R$ 5,5 mil.    

Depois que os compradores se identificaram como membros do Gaeco, o homem voltou atrás, dizendo que os animais apenas estavam lá apenas para serem ordenhados.  

Os animais foram recuperados pelo Gaeco e levados de volta à fazenda da advogada. Porém, após recontagem, promotores de Justiça verificaram que ainda faltavam 36 vacas das 182 inicialmente cadastradas.  

Relatório de inteligência do Gaeco aponta que, informalmente, a mulher do caseiro da fazenda de Zuely disse ter ouvido de um homem encapuzado, durante o assalto que teria ocorrido em janeiro, que "estavam lá a mando da patroa deles e do advogado dela, que mandou buscar o gado para a Polícia Federal não leva-lo".

"Estou sendo tratado como bandido"  

Ao ACidade ON, Eduardo Librandi, filho de Zuely, afirmou que pediu para não ser mais o fiel depositário do gado em razão do desgaste que isso vem trazendo.  

"Estou sendo tratado como bandido", afirmou. Segundo ele, o roubo ocorrido em janeiro foi real, e o gado localizado pelo Gaeco em fevereiro em outra fazenda não tem relação com o crime.  

Ele diz que o gado foi levado à outra fazenda para se alimentar e ser cuidado, em razão da falta de condições na fazenda da mãe - que está com as contas bloqueadas, e portanto, não consegue "sequer manter os funcionários do local".  

"É uma situação muito complicada. Sou hoje responsável legal pelos animais, e se algo acontece com eles posso ser responsabilizado". Ele diz que o rebanho -  a maioria são vacas leiteiras - não dá lucro, em razão dos custos de manutenção.  

Eduardo diz que os assaltantes o teriam ameaçado de morte em janeiro, segundo relatos dos funcionários, e que registrou o boletim de ocorrência na delegacia em que o irmão trabalha por temor de que, em Cajuru, a situação "vazasse", colocando sua vida em risco.  

O advogado ressalta, na petição encaminhada à Justiça para não ser mais o responsável pelo gado, não "ser prudente" o Gaeco "achincalhá-lo como se criminoso fosse, maneira pela qual vem sendo tratado extra autos".  
Ao A Cidade, ele afirmou que cada cabeça do rebanho pode ser vendida, em média, por entre R$ 5 mil e R$ 8 mil o que daria, nos animais hoje existentes na fazenda, entre R$ 750 mil e R$ 1,2 milhão.


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