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Política

Família é instituição cada vez mais plural e com novos arranjos

Até a definição de família no dicionário sofreu alteração dois anos atrás, com conceito mais amplo

| ACidadeON/Ribeirao

Novas famílias têm se formado nos últimos anos (Arte / A Cidade)
 
Esta reportagem tem a garantia de apuração ACidade ON.  
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A família é uma instituição cada vez mais plural e com diferentes composições, ou seja, pode ser constituída de diversas formas. Especialistas apontam que a tendência é que no futuro surjam ainda outros novos arranjos.  

Mestre em psicologia social, a psicoterapeuta especialista em terapia sistêmica de casal e de família Elenice Alves Gomes indica ao menos seis diferentes tipos de arranjos familiares, como por exemplo a família tradicional, casais de segunda união, homoafetiva e poliamorista ou poliafetiva, em que os cônjuges não se resumem a duas pessoas.  

Há um ano e meio juntos, o funcionário público João Luís Cruz Flores, 36, e o vendedor Keid Breno Barnabé Nicolla, 35, decidiram se casar oficialmente há um ano, com direito a bolo, docinhos e muita festa.  

"Minha família faz festa para tudo e eu não poderia deixar passar este momento tão importante para nós", declarou Keid.
O casamento oficial surgiu da vontade de formar uma família. "Temos todos os direitos que um casal hetero possui. Por isso decidimos juntos registrar este momento", acrescentou.  

Morando junto há 26 anos, o casal Maria Cristina Dias, 55, e Otto Orsi Guimarães, 54, não fez questão durante todo esse tempo e nem pretende se casar oficialmente.  

No entanto, o casal Cordeiro de Sá, 46, e Ana Márcia Zago, 41, se casou no papel em 2010, três anos depois do início do namoro. Tiveram uma filha há sete meses e pretendem ter ou adotar o segundo. As histórias dos três casais podem ser conferidas nas páginas 10 e 11.

Mudanças  

Os novos arranjos familiares têm provocado uma série de mudanças em diversas esferas. A Igreja Católica já vem criando grupos, pastorais específicas para acolher os casais em segunda união.  

Por outro lado, esses arranjos também têm causado reflexos nas escolas um dos exemplos é que a figura fixa do pai como contato do aluno foi substituída por "pai ou responsável". 

Família no dicionário 

Motivado pela tendência dos novos arranjos familiares, o dicionário Houaiss já traz, desde 2016, uma definição contemporânea de família:

"Núcleo social de pessoas unidas por laços afetivos, que geralmente compartilham o mesmo espaço e mantêm entre si uma relação solidária"

A definição antiga trazida pelo dicionário, era assim: 

"Grupo de pessoas vivendo sob o mesmo teto (especialmente o pai, a mãe e os filhos)" 

Seis tipos de arranjos familiares 

Tradicional
Pai, mãe e filhos vivendo na mesma casa;

Monoparental  
Pai ou mãe vivendo com o(s) filho(s) sem um(a) parceiro(a); 

Reconstituída  
Pais e mães separados de um casamento se recasando, construindo uma remodelagem familiar, com os meus, os seus e/ou nossos filhos; 

Homoafetiva  
Casais homossexuais masculinos e femininos, podendo ter ou não filhos com reprodução assistida ou adoção; 

Adotiva
Pais e mães impedidos de terem filhos naturalmente, adotando-os em abrigos através de cadastramento para adoção; 

Poliamorista ou poliafetiva   

É aquela na qual se pratica mais de um relacionamento íntimo simultaneamente com o conhecimento e consentimento de todas as pessoas envolvidas. Alguns grupos brasileiros entendem o poliamor como o modelo de relacionamento não-monogâmico que possui três características principais: não exclusividade afetiva/sexual a dois, consensualidade e equidade entre todas as partes.

Fonte: Elenice Alves Gomes, mestre em psicologia social, psicoterapeuta especialista em terapia sistêmica de casal e de família. 

Análise  

Novas composições devem surgir 

"A aceitação é o primeiro grande impacto causado por estes novos arranjos familiares. É difícil para muitas pessoas reformularem ideias e uma cultura construída sócio-historicamente. É necessário muito trabalho de divulgação e conscientização sobre essas modalidades que vêm surgindo e que ainda surgirão sobre composições familiares. O movimento LBTTQIA (Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Queer, Intersexuais e Assexuais) tem um papel muito importante nesse contexto transformador. O Poder Judiciário vai se adaptando às novidades, à medida em que elas acontecem, como em qualquer processo de mudanças sociais. A tendência para o futuro é surgir novos arranjos. O importante é a questão relativa à identidade dos sujeitos estar bem equacionada. Isso significa que as pessoas precisam estar bem alinhadas com seu corpo, mente, alma e sociedade em que vivem (incluindo a família), a partir de seus desejos de ser."
 
VEJA MAIS: Suas definições de família foram atualizadas com sucesso

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