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Política

Luchesi, em carta, rebate acusação de caixa dois

Da Penitenciária de Tremembé, ex-secretário escreveu de próprio punho uma carta de 10 páginas, respondendo a questionamentos da Comissão Parlamentar de Inquérito

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Layr Luchesi Jr. está preso em Tremembé desde maio de 2017 (Foto: Weber Sian / A Cidade)
 
Esta reportagem tem a garantia de apuração ACidade ON.  
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Layr Luchesi Jr., ex-secretário da gestão Dárcy Vera, se manifestou de forma pública pela primeira vez desde 19 de maio de 2017, quando foi preso pela Operação Sevandija.  

Da Penitenciária de Tremembé, Luchesi escreveu de próprio punho uma carta de 10 páginas, respondendo a questionamentos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga possível caixa dois na Secretaria de Esportes, entre 2015 e 2016. O A Cidade teve acesso com exclusividade ao documento.  

Luchesi, que esteve à frente da pasta de Esportes entre 1º de agosto de 2014 e 1º de setembro de 2016, rebateu as informações levantadas pela CPI, de que recursos obtidos pelo aluguel do Parque Permanente de Exposições iam para um caixa paralelo. "Eu não tinha a chave do cofre", garantiu o ex-secretário.  

Sobre a anotação encontrada em uma planilha (devolver R$ 5.500 para Luchesi), o ex-braço direito de Dárcy Vera afirmou que adiantou um dinheiro para a delegação que estava indo para os Jogos Regionais de 2015 e depois foi reembolsado pela prefeitura.  

Na carta, Luchesi ainda relatou que, quando assumiu a pasta de Esportes, o Parque era dependente dos funcionários terceirizados pela Coderp e que não recebeu recursos para os reparos necessários.    

Carta escrita por Layr Luchesi Jr. (Reprodução)

Veja partes da carta 

Dinheiro em espécie no cofre da Secretaria de Esportes
LUCHESI - Nunca tive acesso aos numerários em espécie, quer seja de arrecadação pelas locações ou de dotações. 

Recursos para pequenos reparos
LUCHESI As secretarias municipais recebiam um aditamento para pequenas despesas, chamado pronto pagamento. O diretor administrativo organizava um relatório, juntava as notas fiscais e prestava contas à secretaria da Fazenda, que liberava outros valores para novas pequenas despesas. Quem cuidava desse dia a dia do Esportes era o assistente do secretário, Edmilson Dezordo. 

Como eram feitos os contratos de locação?
LUCHESI - Era feito mediante contrato padrão já utilizado desde administrações anteriores. Todos os eventos foram realizados após elaboração de contrato próprio 

Sobre os preços cobrados pelo aluguel
LUCHESI - O preço pelo uso de cada trecho do Parque Permanente de Exposições foi determinado ao longo do tempo pela Coderp e foi mantido pela Secretaria de Esportes. 

Secretaria de Esportes recebendo pelo aluguel do estacionamento
LUCHESI - Todos os contratos tinham corpo único, para pagamento num mesmo lugar. Quando tinha estacionamento ele constava no contrato e era pago junto com as demais áreas. 

Quem tinha acesso ao cofre?
LUCHESI - Eu não tinha a chave do cofre da secretaria. Não sabia a senha e nunca abri ou vi aberto esse cofre.  

Por que contas da pasta de Esportes foram pagas com os alugueis do Parque Permanente?
LUCHESI - Não tinha conhecimento de que foram pagas as referidas contas/despesas com outra verba que não fosse a dotação orçamentária ordinária. 

Planilha com R$ 5 mil para Luchesi
LUCHESI - Esse valor não tem a ver com aluguel do Parque Permanente. Na data da saída da delação para os Jogos Regionais de Barretos, em 2015, a dotação orçamentária ainda não havia saído. Para evitar o pior, a desclassificação, antecipei com recursos próprios R$ 5 mil para as primeiras despesas. 

Entenda o caso 

Outubro de 2017 - A prefeitura informou à Câmara, através de requerimento, que não sabia o destino dos valores arrecadados com o aluguel do Parque Permanente ao longo de 2016. A situação motivou a abertura de uma CPI;

Janeiro de 2018 - Em vistoria no Parque Permanente, a CPI constatou que o local estava completamente destruído. Pouca coisa restou da estrutura física do espaço de eventos; 

Abril de 2018 - Em depoimento para a CPI, o comissionado da pasta de Esportes, Marcelo Enderlei Nunes, disse que existia uma espécie de caixa paralelo na secretaria, feito com recursos dos alugueis do estacionamento do Parque Permanente. Marcelo disse que chegou a fazer pagamentos com o cartão de crédito pessoal e depois era reembolsado com o dinheiro do cofre;

Maio de 2018 - A CPI denunciou a situação ao Ministério Público, que instaurou procedimento para investigar o caso;   

Vereador Orlando Pesoti (PDT) (foto: Matheus Urenha / A Cidade)

Para a promotoria  

O vereador Orlando Pesoti (PDT), presidente da CPI do Parque Permanente, pretende encerrar os trabalhos. "Se o Luchesi não estivesse preso, a gente poderia fazer uma acareação com o Marcelo (Enderlei, comissionado dos Esportes), que deu depoimento contraditório", falou Orlando.  

"Encontramos fortes indícios da prática de ilícitos no trato com o dinheiro público. Enviaremos todo o material para que o Ministério Público apure e aponte os responsáveis", completou o vereador.

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