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Política

Vice diz que interesse eleitoral de Nogueira prejudicou debate do IPTU

Carlos Cezar ironizou nas redes sociais, em recado direto ao tucano, que proposta aumentando o imposto foi enviada à Câmara apenas após as eleições de outubro

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Nogueira e vice Carlos Cezar Barbosa fizeram campanha eleitoral juntos (Foto: F.L Piton - 2016)

Em mais um capítulo da crise escancarada entre Carlos Cezar Barbosa (PPS) e Duarte Nogueira (PSDB), o vice-prefeito usou as redes sociais para acusar o tucano de ter deixado o projeto de reajuste do IPTU refém de interesses eleitorais em 2018.  Nesta terça-feira (25), ele afirmou ao ACidade ON que sofre "total boicote" no Palácio Rio Branco.

Com recado expressamente direcionado ao tucano, mas sem citar seu nome e o município de Ribeirão Preto, Barbosa questionou no Facebook se uma cidade com problemas de arrecadação e com IPTU "defasado" deveria discutir uma atualização do imposto no meio do ano ou apenas no final dele.  

"Por ter interesses nas eleições para a Câmara Federal e o Governo do Estado, para evitar a impopularidade, deixaria passar as eleições e só depois, sem tempo hábil para ampla discussão, mandaria para a Câmara o projeto de reajuste", questionou Barbosa no texto, publicado na tarde desta terça-feira (25).

Em outubro, a primeira-dama Samanta Nogueira (PSDB) concorreu para deputada federal e não foi eleita.  

Nogueira encaminhou a revisão da Planta Genérica de Valores (PGV) para a Câmara apenas no final de novembro. O projeto foi rejeitado duas vezes pelos vereadores em um intervalo de sete dias (na primeira vez sequer foi a plenário). Eles alegaram falta de tempo para analisar a proposta, que teria impacto nos carnês do IPTU já em janeiro de 2019.  

O rompimento entre prefeito e vice ocorreu justamente após Barbosa denunciar suposto uso da máquina pública nas eleições de Samanta, às vésperas das eleições. Em seguida, ele pediu exoneração da Secretaria de Assistência Social.  

Mas o relacionamento estremeceu de vez e se tornou público após Nogueira assumir, em entrevista ao ACidade ON publicada nesta terça-feira (25), que Barbosa não aparecia mais no Palácio Rio Branco para cumprir expediente administrativo. O vice rebateu em seguida, dizendo que sequer tem gabinete oficial e não poderia "despachar da escada".  

Desde então, o vice utiliza as redes sociais para atacar Nogueira. Além da postagem, ele passou a curtir, em sinal de apoio, mensagens de munícipes que criticam o chefe do Executivo.  

"O senhor não deveria ser o vice-prefeito e sim o prefeito, quem sabe a nossa cidade estaria melhor, pois não vi nenhuma melhoria desde que o atual prefeito assumiu , falou-se tanto da Darcy que não fez nada, mas infelizmente não temos visto melhorias", disse um dos munícipes em comentário curtido por Barbosa.    

Ele recebe como Promotor de Justiça licenciado, e não como vice-prefeito. Em novembro, seu salário bruto foi de R$ 35,2 mil, além de outros R$ 4,3 mil referentes ao auxílio moradia, conforme consta no Portal da Transparência do Ministério Público. 

Em nota, o Palácio Rio Branco optou por não polemizar com Barbosa e afirmou, apenas, que "não comenta postagens em redes sociais".  

Carlos Cezar criticou indiretamente Nogueira nas redes sociais (Foto: Reprodução Facebook)


Sem gabinete
Ao ACidade ON nesta quarta-feira (26), Barbosa reclamou que não tinha um gabinete no Palácio Rio Branco para cumprir a rotina administrativa de vice-prefeito.  

A situação é ilegal, segundo a Lei Orgânica do Município (LOM), espécie de constituição municipal.  

Segundo a LOM, "o Vice-Prefeito disporá de um gabinete constituído por servidores de sua confiança, nomeados em comissão, que o auxiliarão no desempenho de suas funções".  

Barbosa disse, ainda, que não possui email oficial e seu nome não consta no site da Prefeitura.  

Questionada, a Prefeitura informou apenas que "a lei será cumprida".