Aguarde...

ACidadeON

Voltar

Política

Mulheres pegam 8 anos de cadeia por golpe da casa própria

Justiça condenou Maria Rosa, Marta Mobiglia e Regina Turra por lesar 54 vítimas e faturar R$ 120 mil com fraude em Ribeirão

| ACidade ON

Matheus Urenha / A Cidade - 03.jan.2012
Marta Mobiglia (esq.) e Maria Rosa (de vestido) em foto de 2012, chegam para prestar depoimento durante as investigações do caso; elas vão recorrer em liberdade (Foto: Matheus Urenha / A Cidade - 03.jan.2012)

 

A Justiça de Ribeirão Preto condenou três mulheres a oito anos, quatro meses de prisão em regime fechado e 83 dias-multa por estelionado por liderar esquema de venda de casas da Cohab (Companhia Habitacional Regional) ocorrido em 2011, na cidade.

Marta Aparecida Mobiglia, Maria Rosa Lopes e Regiane Turra Innocente permanecerão em liberdade até o trânsito em julgado da condenação.

O A Cidade publicou, com exclusividade, uma série de reportagens na época e chegou a participar de uma reunião entre vítimas e suspeitas. Na ocasião, as três mulheres chegaram a envolver o nome da prefeita Dárcy Vera (PSD) e da irmã dela, Marli, no suposto esquema, o que foi rejeitado pelo Ministério Público.

Segundo o MP, as três mulheres fizeram 54 vítimas ao total, entre fevereiro de 2010 a novembro de 2011, e arrecadaram em torno de R$ 120 mil.

Em sua sentença, a juíza Carolina Moreira Gama afirma que o conjunto de provas torna-se seguro o suficiente para apontar a autoria do esquema liderado pelas três. “O estelionato restou configurado uma vez que as acusadas fizeram uso de artifício, ardil ou meio fraudulento ao se fazer passarem por representantes da prefeitura ou de outro órgão”, consta na decisão.

Para a juíza, as vítimas acreditaram nas três mulheres, que diziam ter poder de interceder na realização de um sonho: a conquista da casa própria.

O esquema

Pelo esquema apurado pelo Ministério Público, após investigação da Delegacia Seccional, Marta, Maria Rosa e Regiane cobravam entre R$ 1,5 mil e R$ 5 mil para intermediar a compra de casas da Cohab.

A promessa feita pelas suspeitas era que, após o pagamento, elas conseguiriam o imóvel antes dos mutuários inscritos no projeto de desfavelamento.

Sobre a condenação, o advogado das rés, Isaac Ferreira Teles, afirma que entrará com recurso no Tribunal de Justiça.

‘Sempre fomos inocentes’

Por meio de nota oficial, a prefeita Dárcy Vera afirma que sempre disse que nunca houve envolvimento dela e de sua irmã. “A Polícia, o Ministério Público e o Juiz apenas confirmaram o que sempre foi dito, tanto por mim como pela minha irmã. Que sempre fomos inocentes”, consta em trecho da nota. Antes de ajuizar ação na Justiça contra as três estelionatárias, o promotor Maurício Lins Ferraz havia afastado qualquer envolvimento de Dárcy e de Marli.

Envolvimento direto

Ao ajuizar a ação na Justiça por estelionado, o promotor Maurício Lins Ferraz afirmou que foi apurado o envolvimento mais direto de Marta, Regina e Maria
Rosa no esquema. “No curso da investigação surgiram algumas referências, a possibilidade de outras pessoas envolvidas no esquema, mas as informações não foram confirmadas”, declarou o promotor ao A Cidade, em abril do ano passado. Na época, ele indentificou que o esquema havia lesado 54 pessoas.

Milena Aurea / A Cidade
Para Walter Gomes, que presidiu CPI do caso, "justiça foi feita" (Foto: Milena Aurea / A Cidade)

Para Walter Gomes, justiça foi feita

O presidente da Câmara, vereador Walter Gomes (PR), que chegou a presidir uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar o esquema, avalia que a justiça foi feita.

“Essas três mulheres lesaram muitas, mas muitas pessoas, que acreditaram que teriam o sonho realizado”, afirmou o presidente do Legislativo.

Em relação ao suposto envolvimento da prefeita e da irmã dela, Walter afirma que a CPI já havia constatado que não havia qualquer envolvimento. “(A sentença) Vem apenas confirmar aquilo que a CPI apurou. Fizemos um trabalho muito sério na época”, reiterou. Procurado nesta quarta-feira (23), o promotor criminal Maurício Lins Ferraz, responsável pela acusação e autor da denúncia à Justiça, não foi encontrado para comentar a condenação.

Advogado considerou pena severa

O advogado de defesa de Marta, Maria Rosa e Regiane, Isaac Ferreira Teles, declarou ao A Cidade que entrará com recurso contra a decisão de primeira instância no TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) nos próximos dias.

“Todas elas respondem ao processo em liberdade porque se apresentaram em todos os atos processuais, têm trabalho lícito”, pontuou.

O advogado considerou uma pena muito severa – oito anos e quatro meses de prisão – para uma condenação por estelionato. “Não concordamos com essa pena e isso vai ser discutido dentro do processo”, concluiu o advogado. A condenação da juíza Carolina Moreira Gama leva em conta o número de vítimas no estelionato: 54, ao total.

Você pode ajudar o jornalismo sério

A missão do ACidade ON é fazer um jornalismo de qualidade e credibilidade. Levar informação confiável e relevante, ajudar a esclarecer e entender os fatos, sempre na busca de transformação. E o seu apoio é fundamental. Ajude-nos nessa missão para construir uma sociedade mais crítica e bem informada.

Apoie o bom jornalismo.

Já é assinante? Faça seu login.

Comentários

"O site não se responsabiliza pela opinião dos autores. Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do ACidade ON. Serão vetados os comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. ACidade ON poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios deste aviso."

Cadastrados

Nome (obrigatório)
Email (obrigatório)
Comentário (obrigatório)
0 comentários

Mais do ACidade ON