Em carta, Wagner Rodrigues se diz 'arrependido'

Ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores integra esquema de corrupção na cidade

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    • Da reportagem
Matheus Urenha / A Cidade
Wagner Rodrigues se manifestou por meio de uma carta (Foto: Matheus Urenha / A Cidade)

 

Um dia após a prisão da prefeita Dárcy Vera, o ex-presidente do Sindicato dos Servidores de Ribeirão e candidato derrotado nas eleições deste ano, Wagner Rodrigues, decidiu falar.

Na verdade, quem falou pelo sindicalista foi seu advogado, Daniel Rondi – que leu uma carta escrita por Wagner, ainda sem "condições emocionais" para vir a público. “Ele está bastante aturdido com tudo isso e achou que não conseguiria passar todo o conteúdo”, esclarece Rondi.

Foi a delação premiada firmada entre Wagner Rodrigues e o Ministério Público que motivou a segunda fase da Operação Sevandija e resultou nas prisões de Dárcy, do braço direito Marco Antonio dos Santos e dos advogados Sandro Rovani e Maria Zuely Alves Librandi. A Cidade trouxe a informação na edição deste sábado (3): segundo a delação de Wagner, os honorários de Zuely resultaram em R$ 20,8 milhões de propina, sendo R$ 7 milhões para Dárcy Vera.

Em um dos trechos, o sindicalista diz que o acordo homologado pela Justiça em 2012 – que deu início ao esquema de corrupção na prefeitura de Ribeirão, investigado pela Polícia Federal e Gaeco (Grupo de Ações Especiais ao Crime Organizado) – não foi prejudicial a todos os servidores.

“Meu erro foi ter sido seduzido para encerrar a luta que, na Justiça, poderia ser indevida. Porém, na época, acreditei que o inverso também poderia ocorrer e os servidores pudessem ser mais penalizados”, escreveu. “Em outras palavras, só a Justiça poderia ter dado a palavra final.” (Colaboração: Júlia Fernandes)

Confira a carta na íntegra

Já se diz por aí que o arrependimento é a chave que abre qualquer fechadura. Desde o início das investigações, compartilhando este propósito com meu advogado, decidi contribuir de forma eficaz com a justiça brasileira. Gostaria de tornar público, que o acordo homologado pela Justiça em 2012 não foi prejudicial a todos os servidores. Meu erro foi ter sido seduzido para encerrar uma luta que na justiça poderia ser indevida, porém na época acreditei que o inverso também poderia ocorrer e os servidores também pudessem ser mais penalizados. Lógico se isso ocorre a decisão não teria sido minha, mas da Justiça, porém os efeitos poderiam ser mais graves uma vez que o resultado dessa ação de cobrança dos honorários advocatícios por parte da advogada era uma incógnita. E inda é. No momento da assinatura do acordo não havia uma palavra final da Justiça a este respeito. E nem hoje.
Em outras palavras: só a Justiça poderia ter dado a palavra final sobre o direito da advogada aos honorários. E o pedido original dela era de 10% de honorários sobre cada ação. Para os beneficiários do processo dos 28% que já haviam vendido os seus créditos para os bancos credenciados a questão dos juros não tinha mais significado algum em 2012. Para quem já havia vendido os seus créditos, os juros já não eram mais deles e sim eram contabilizados para aumentar o faturamento dos bancos que haviam comprado. E para os poucos beneficiários do processo dos 28% que ainda não haviam negociado os créditos com os bancos, abrir mão de 3% de juros para o pagamento de honorários daquele ano em diante parecia mais adequado do que correr o risco real de pagamento de honorários na casa de 10% desde o início do pagamento do processo. Errei, porque aceitei a possibilidade de ser remunerado pela pessoa que seria a mais favorecida, a ex advogada do sindicato. Reitero tudo o disse ao Ministério Público, inclusive que não tenho bens materiais ou financeiros, optei, em total demonstração de colaboração, espontaneamente, abrir mão de todo meu sigilo fiscal, bancário e econômico em geral. Revelei tudo o que foi de interesse da Justiça. Estou sendo também processado criminalmente, exercitarei todo meu direito de defesa e arrependido aceitarei e cumprirei a decisão que me for imposta pela Justiça Estou pronto para dar a minha contribuição para ajudar a mudar este país, acreditando que no fim o bem sempre vence o mal.

Confira mais sobre a participação de Wagner Rodrigues no esquema de corrupção na edição do jornal A Cidade deste domingo (4)


3 Comentário(s)

Comentário

Rita Claret

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Que santo do pau oco! Que "cartinha corrupta" de valores éticos, morais, legais, religiosos e descompromissada com a coisa pública. E aqui vai a máxima da Lei de Delação Premiada: " ...roubar está valendo a pena. Por isto os políticos estão deitando e rolando. Se pegos....ah.....devolve-se o possível, cagueta uns três ou quatro. Depois, como outros pelo País, Empreiteiras, pede-se desculpas e vai curtir os milhões escondidos por aí..." Vergonhoso.

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João Paulo

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A justiça tem prender esse safado tambem, a cara dele não nega que é um bandido, quadrilheiro.

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aristides marchetti filho

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Os canalhas sempre se revelam, mesmo não havendo, em momento algum, conseguido enganar aqueles indivíduos mais atentos. E o ex presidente do sindicato dos servidores comportou-se como todos os covardes que, com o intuito de salvar o próprio rabo, deu com a língua nos dentes, demonstrando como alcaguete a amplitude do seu caráter e do seu alcance cognitivo. Mas todos eles contam com um detalhe da cultura brasileira: já, já a coisa esfria e eu vou poder continuar a usufruir do tesouro pilhado.