Políticos já se movimentam para disputa do ano que vem

A Cidade conversou com a maioria dos potenciais candidatos em Ribeirão Preto e traça um esboço da disputa pelas vagas no pleito

    • ACidadeON/Ribeirao
    • Marcelo Fontes

Mesmo faltando exato um ano para a definição de quem será candidato nas eleições de 2018, a movimentação nos bastidores já é intensa. Tem até ‘dobradinha’ alinhada e vereador com ficha de filiação para outro partido assinada.

Algumas negociações e acordos já fechados ficam ‘escondidos’, porque o momento não é oportuno – fidelidade partidária, janela de mudança de partido apenas em março de 2018 e manutenção de um clima amigável, são os motivos.

Bastidores

Dos atuais vereadores de Ribeirão Preto, pelo menos 15 dos 27 parlamentares trabalham com a possibilidade de concorrer a deputado federal ou estadual na eleição de 2018. Muitos sabem que não têm chance de vitória, mas pensam em manter o nome em evidência.

“A eleição é sempre uma oportunidade de mostrar força política, mesmo não vencendo. Mas vale ressaltar que a disputa de 2018 deve ser deficitária no lado financeiro, já que não teremos doação de empresas”, explicou Alex Freitas, especialista em marketing de campanha eleitoral.

Além dos vereadores bem votados, também surgem postulantes que não estão em cargos eletivos. No caso do PSDB, nos bastidores, a primeira dama de Ribeirão Preto, a advogada Samanta Pineda, é apontada como uma possível candidata a deputada federal.

Através de nota, porém, ela desmente. “Minha pretensão política é zero, neste momento. Minha prioridade é fazer um bom trabalho à frente do Fundo Social de Solidariedade”, disse.

Outra peça importante do tabuleiro político - mas que está sem mandato - é Ricardo Silva (PDT). Segundo colocado na corrida pela prefeitura, ele foi bem votado para deputado em 2014 (98 mil votos), mas não foi eleito porque o partido não conseguiu a cadeira.

Especula-se que ele poderia mudar de partido, evitando que a situação se repita. A informação é que o PSD, que está sem comando em Ribeirão Preto desde a Operação Sevandija - era a legenda da ex-prefeita Dárcy Vera - foi oferecido para Ricardo.

Oficialmente, o pedetista diz que já recebeu convites, mas nega a saída do PDT. “A tendência é que eu seja candidato a deputado federal. Sobre o partido, por enquanto, posso dizer que estou satisfeito no PDT”, disse.

 

Arte / A Cidade 

 

Negociação na Câmara já é intensa

Muitos vereadores preferem negar que não estão de olho na disputa de 2018, mas é certo que vários têm negociações sigilosas. Outros, porém, deixam claro que a tendência é concorrer (confira no quadro acima as falas de cada vereador).

Algumas dobradinhas já são dadas como certas. Os vereadores Isaac Antunes (PR) e Lincoln Fernandes (PDT) negociam. O primeiro deve ser candidato na disputa estadual e o segundo mudaria para o PR, disputando a eleição para deputado federal. Oficialmente, os dois negam.

No caso do PSDB, há definição de que a vereadora Gláucia Berenice será candidata a deputada federal. Ela ocupa a ‘vaga’ de Duarte Nogueira, que se tornou prefeito de Ribeirão Preto e não disputa a reeleição.

O vereador Bertinho Scandiuzzi (PSDB) é outro que negocia a candidatura. “Estou em conversas para fazer dobradinha com um candidato de fora de Ribeirão Preto”, reconheceu.

O atual presidente da Câmara, Rodrigo Simões, também tem negociações para viabilizar uma disputa para deputado em outubro de 2018. Para isso, ele deixaria o PDT, migrando para uma legenda que oferece condições para a disputa. Rodrigo, porém, nega e garante “que no momento o foco é realizar uma boa gestão na Câmara”.

Arte / A CidadePrazos a partir de outubro

Os prazos estipulados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) começam um ano antes do pleito. Por isso, de acordo com as regras vigentes, os políticos que vão disputar a eleição de 2018 têm até outubro deste ano para escolher o domicílio eleitoral. Outro ponto importante é que qualquer reforma das regras eleitorais também precisa ser realizada até um ano antes da disputa. De acordo com o artigo 16 da Constituição Federal, “a lei que alterar o processo eleitoral só entrará em vigor um ano após a sua promulgação”.

“Portanto, esse prazo de um ano é um divisor de águas no processo eleitoral e fortalece o princípio da segurança jurídica. A segurança jurídica permite ao cidadão ter uma expectativa confiável quanto às consequências dos atos que pratica”, informa o TSE. Outra norma é que um partido, para disputar a eleição, precisa ser criado até um ano antes da data da eleição. O calendário eleitoral deve ser divulgado no segundo semestre de 2017.

 

 

 

Análise>>>Manter o nome em evidência

“A maior parte dos candidatos a deputado federal e estadual opta por concorrer para manter o nome em evidência. O político, muitas vezes, sabe que não tem chance de ser eleito, mas vai para a disputa também para marcar território. Já os concorrentes bem votados, se não acabam eleitos, passam a ter muito mais atenção do partido. Podem conseguir um cargo em comissão no Executivo. Mas é importante ressaltar que, ao que tudo indica, teremos a eleição de 2018 nos mesmos moldes da realizada em 2016. Ou seja, sem recursos de empresas. Isso deve tornar a disputa bem complicada para os ‘marinheiros de primeira viagem’. Sai na frente quem tem recurso garantido do partido ou quem tem dinheiro para gastar”.

Alex Freitas, especialista em marketing eleitoral 


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