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Investigação da Prosegur ainda busca R$ 51 mi e dezenas de suspeitos

Quatro criminosos foram condenados a penas somadas de 481 anos de prisão. Do roubo em 2016, R$ 194 mil foram recuperados. MP aponta complexidade do caso e espera prender mais autores.

| ACidadeON -

 

Assalto destruiu a sede da Prosegur em 5 de julho de 2016 (Foto: F.L.Piton / A Cidade)

Mesmo após a condenação de quatro integrantes da quadrilha que roubou R$ 51,2 milhões da Prosegur de Ribeirão Preto em julho de 2016, com pena somada de 481 anos, Ministério Público e Polícia Civil ainda tentam localizar R$ 51 milhões e pelo menos outros 20 integrantes do grupo criminoso responsável pelo maior assalto da história da cidade.  

Foram condenados pela 2ª Vara Criminal de Ribeirão, em sentença publicada no dia 28 de novembro: Juliano Moisés Israel Lopes e Angelo Domingos dos Santos (121 anos de reclusão cada um, considerados as lideranças do grupo e ex-funcionários da Protege), Sérgio Daniel (116 anos, apontado como funcionário da Prosegur que repassou as informações internas) e Diego Moura Capistrano (123 anos, acusado de dar o suporte financeiro para o assalto).  

Do quarteto condenado, apenas Capistrano está foragido. As penas são elevadas porque, além do roubo, foram responsáveis pela morte de duas pessoas (relembre abaixo o roteiro da ação cinematográfica do roubo, com informações coletadas pelo ACidade ON no processo criminal).  

Diego Moura Capistrano está foragido (Foto: Divulgação / Gaeco)


"A condenação, ainda que de parte do bando, já é uma vitória", afirmou ao ACidade ON Leonardo Romanelli, promotor do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), ressaltando que as autoridades ainda "esperam chegar a novos autores".  

Dos exatos R$ 51.225.00,00 levados em dinheiro vivo pelos bandidos, apenas R$ 194 mil foram recuperados.  

Segundo Romanelli, há um "dificílimo trabalho" de investigação, pois "esses crimes envolvem ladrões locais e outros vindos de fora, até mesmo de outros estados, com grande experiência e armamento militar".  

Ao longo das investigações, a Polícia Civil e Ministério Público apontaram que entre 20 e 50 pessoas participaram da ação criminosa cinematográfica.  

Em uma interceptação telefônica realizada em 22 de agosto de 2016, um mês e meio após o crime, um homem que era monitorado pela Polícia Civil por tráfico de entorpecentes contou ser próximo de um dos assaltantes e recebeu de um interlocutor a informação a informação de que "dessa fita aí [assalto] deu R$ 4,8 milhões para cada um [dos assaltantes], quase R$ 5 milhões".  

Relembre, abaixo, como o crime ocorreu, de acordo com a denúncia oferecida pelo Ministério Público com base nas investigações policiais:

Assalto:
Na madrugada de 5 de julho de 2016, por volta das 4h, ao menos dez veículos blindados entraram em comboio em Ribeirão Preto rumo à sede da Prosegur na avenida da Saudade, Campos Elíseos.  

No caminho, encontraram uma viatura com dois policiais e abriram fogo contra a dupla, que precisou se esconder para não ser atingida.  

Outra parte do grupo se deparou com um Honda Civic e, temendo se tratar de um policial, atiraram contra o ocupante, que foi atingido na cabeça apesar do ferimento, ele sobreviveu.  

Ao chegarem na sede da Prosegur, os criminosos se dividiram em grupos de contenção e de exploração em busca do cofre.  

Nas esquinas, criminosos portando fuzis passaram a atirar para o alto com o objetivo de assustar a população e intimidar policiais.  

Também atearam fogo a veículos, explodiram transformadores de postos de energia elétrica e jogaram objetos perfurantes para furar o pneu de veículos que se aproximassem.  

No boletim de ocorrência, a perícia localizou, no entorno do local, 597 munições. Desse montante, 335 eram de calibre 762 (um fuzil de combate que tem poder de alcance de até 1,5 km).  

Perícia aponto munição utilizada no roubo a Prosegur (Foto: Reprodução / Processo criminal)
  
Os criminosos responsáveis por adentrar a Prosegur executaram um plano previamente planejado.
Primeiro cortaram os fios de comunicação da empresa. Depois, utilizaram bananas de nitroglicerina (dinamites) para explodir três paredes internas até chegarem ao cofre o grupo se surpreendeu com uma parede a mais do que o previsto, o que posteriormente motivou uma discussão interna.  

Os R$ 51,2 milhões foram colocados em malotes dentro de um caminhão utilizado pela quadrilha, que deixou o local.  
  

Cofre da Prosegur após assalto (Foto: Reprodução / Processo Criminal)

Na ação, duas pessoas morreram. Ubiratan Soares Berto, apontado como pessoa em situação de rua que dormia próximo ao local, não resistiu a queimaduras provocadas por um veículo queimado pela quadrilha.  

Já PM Tarcísio Wilker Gomes foi atingido com um disparo na cabeça no km 321 da Rodovia Anhanguera durante a fuga.  
Em Jardinópolis, o grupo abandonou os veículos dentro de uma plantação de cana e fugiu com outros carros que já estavam no local.

Prisões
A Polícia Civil de Ribeirão descobriu que Juliano e Ângelo viajaram para um parque aquático em Caldas Novas (Goiás) com seus familiares.  

Os policiais foram até o local em 15 de julho de 2016, dez dias após o assalto, e surpreenderam a dupla, encontrando R$ 164 mil em dinheiro vivo no quarto do hotel.  

Segundo consta nos relatórios, a mãe de um deles chorou ao ver o filho preso, sem entender o que estava acontecendo.  
No mesmo dia, um funcionário de Juliano também foi preso, com R$ 34,5 mil que guardava em casa. Ele fez acordo de colaboração premiada e confirmou que a quantia era proveniente do roubo a Prosegur.  

Após o roubo da Prosegur, a Polícia Militar aprimorou seus métodos de combate a grupos criminosos fortemente armados. Tanto que, no ataque a Brinks ocorrido em 29 de outubro de 2018, a quadrilha não conseguiu levar nenhuma quantia e ainda teve um integrante morto.

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