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Romance do futuro: escritor araraquarense lança seu 45º livro

Ignácio de Loyola Brandão lança seu 45º livro, fechando trilogia iniciada com 'Zero' e 'Não Verás País Nenhum'

| ACidadeON/Ribeirao

Ignácio de Loyola Brandão,escritor (foto: Mastrangelo Reino / A Cidade - 16.jun.2015)


Uma miragem daquilo que ele pode ser daqui um tempo, sem data definida. A vida normalizada na anormalidade.
Assim o escritor Ignácio Loyola Brandão descreve o conteúdo de seu mais novo livro, "Desta Terra Nada Vai Sobrar, A Não Ser O Vento Que Sopra Sobre Ela", que diz ser inspirado nos recentes acontecimentos políticos e sociais do Brasil.  

O livro de número 45 do autor araraquarense está sendo lançado pela editora Global, com capa de Thomaz Souto Corrêa e cuidados e detalhes sob a responsabilidade de Gustavo Tuna e Flávia Biaggio.  

Loyola queria ter lançado a história em 2016, quando fez 80 anos, mas os planos foram adiados ao perceber que as mais de 200 páginas escritas então não eram o que ele queria mesmo retratar. Jogou tudo fora e começou de novo.  

Passados dois anos, Loyola entrega um romance que aborda política, corrupção, segurança, relacionamentos, entre outros assuntos atuais, emoldurados por "um futuro que pode ser amanhã, daqui dez anos ou cem".

Sinopse  

"Desta Terra Nada Vai Sobrar..." conta a história de Felipe, que já foi "marqueteiro", uma palavra que nem existe mais no livro - foi trocada por conselheiro, videomaker político, jornalista, documentarista. Ele vive um inferno astral depois que Clara, a mulher que ama, termina com ele nas primeiras dez linhas do romance.  

Desorientado, Felipe sai em uma viagem sem fim pelo País, fugindo da violência de São Paulo, da insegurança, da ameaça de desemprego, do caos que a cidade se tornou. É uma viagem sem sentido, que vai revelando o interior do Brasil. Por sua vez, Clara também vai de ônibus em busca de sua terra natal.  

"Cada capítulo pode ser uma história separada dentro do livro. Como se fossem fábulas, metáforas, crônicas de uma época, com humor, ironia, violência. Há momentos de poesia, outros cheios de fantasias e delírios", descreve Loyola.  

Câmeras são as narradoras no livro. Elas observam e registram todos os acontecimentos em todos os lugares. "Este romance é a junção de um conjunto de videos, de rápidas gravações, de Instagrams sobre a realidade. Como se eu estivesse com uma câmera em vários lugares. E não está explicito, mas o que move o quase tsunami final é a raiva que se apoderou das pessoas, o ódio. O sentimento mais expresso na população de hoje", diz o autor.  


Como pano de fundo, um país assolado por reformas sobre reformas no sistema, onde partidos se multiplicam como bactérias nocivas. (Bruna Zanatto, sob supervisão de Silvia Pereira) 

Sequência sem querer  

Segundo Loyola, a história do novo livro surge em um momento muito parecido com o de outro título seu, "Zero" (1974), que nasceu em meio à Ditadura Militar no Brasil.  

Hoje, embora o regime seja democrático, o autor vê o País novamente dividido, como naquela época, os ânimos acirrados, a insegurança política com as denúncias de corrupção e os relacionamentos entre as pessoas ficando cada vez mais caóticos. 

Este estado de coisas o inspirou a escrever seu 10º romance em 11 anos - são dez, em um total de 45 títulos. Ao final, constatou que, sem perceber, finalizou uma espécie de trilogia sobre as fases políticas do Brasil, iniciada com "Zero" e "Não Verás País Nenhum" (1981).  

"Se Zero mostrou a ditadura militar, Não Verás [País Nenhum] mostrou um futuro possível/ impossível, o do meio ambiente desmantelado, que já está acontecendo. Desta Terra Nada Vai Sobrar é o fim da classe política, da democracia, da ética, da moral, dos princípios. É o vale tudo. E consegui incluir uma história de amor no meio disso tudo", conclui. 

Serviço  

'Desta Terra Nada Vai Sobrar, A Não Ser O Vento Que Sopra Sobre Ela' 
Autor: Ignácio de Loyola Brandão
Editora: Global
Quanto: R$ 59 (376 páginas)

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