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Os mistérios da Ilha de Páscoa

Território habitado mais isolado do planeta, a Ilha de Páscoa ainda peleja para atrair visitantes; Aproveite para adubar sua cultura e espalhar suas histórias inexplicáveis

| ACidadeON/Ribeirao

Ilha de Páscoa (Foto: Divulgação)
Quando alguém coloca os pés na Ilha de Páscoa, ou Rapa Nui, seu nome original, a primeira coisa que pode surgir à cabeça é estar em um documentário do History Channel. Milhares de curiosos latinos cruzam o Pacífico todos os anos para ver de perto os moais, as famosas estátuas gigantes de pedra que ninguém sabe, ninguém viu estão de pé, guardando a Ilha por séculos.

Já na saída do aeroporto internacional Mataveri, o turista geralmente é recebido por moradores que entregam colares de flores e calorosas boas-vindas. Durante o pequeno passeio até qualquer acomodação partindo dali, a Ilha se mostra rochosa, quente e úmida na maior parte do ano. Difícil de acreditar, mas a 3.700 quilômetros do Chile mar a dentro, quase não há praia. Seus 160 km² são cercados por uma costa rochosa e alta, onde poucos mergulhadores ou surfistas experientes se arriscam a domar a água gelada. 
 


Preservação de um povo e sua história 

Descoberta no domingo de Páscoa em 1722 pelo navegador holandês Jacob Heggeveen, a Ilha passou então a ter caminhos abertos para comerciantes europeus que, em 1870, adotaram aquelas terras distantes como pasto de suas ovelhas. Apenas em 1888, o Chile anexou a Ilha através de empresas escocesas sediadas no país que encontraram em Rapa Nui um quintal fértil com mão de obra forte. O que se viu a partir daí, foi um processo de escravidão vivido pelos nativos polinésios que já viviam por lá, segundo pesquisadores, há mais de mil anos antes de cristo.

A história da Ilha de Páscoa é ainda muito obscura por falta de material escrito ou oral, o que acabou truncando também as certezas científicas. E é exatamente isso que torna esse espacinho perdido no Pacífico tão atraente. E põe espacinho nisso: o Parque do Ibirapuera, por exemplo, abrigaria em sua área quase 10 Ilhas de Páscoa!

Por isso, é possível conhecer a Ilha inteira em um só dia, dependendo da sua disposição e do clima bipolar que pode trazer chuvas torrenciais, sol escaldante, céu azul e tempestades em um só dia.

Ali, cerca de 5 mil habitantes ainda tentam conservar o que sobrou da cultura Rapa Nui, ganhando o sustento com a venda de seus artesanatos em madeira e do turismo que movimenta seus restaurantes, pousadas e empresas de passeios.

Desses, restam pouco mais de 30 famílias descendentes diretas dos polinésios, que permaneceram na Ilha enquanto muitos nativos preferiram, ao longo dos anos, partir para uma perspectiva de vida mais promissora no continente. Essas famílias são as organizadoras do Festival Tapati, que acontece todo ano entre janeiro e fevereiro. 
 
Festival Tapati (Foto: Divulgação)
Quando visitar a Ilha?  

Para quem quer de fato conhecer a cultura Rapa Nui, a melhor época para visitar Easter Island, como os ingleses chamam a Ilha, é entre janeiro e fevereiro, quando acontece o festival Tapati. É a maior festa do local e, durante uma semana, acontecem performances de dança, canto, artesanato e campeonatos tribais, como um onde os participantes têm de carregar toras de madeira nas costas e ganha o que chegar primeiro. São sempre duas equipes formadas entre as 30 famílias, que duelam para garantir o troféu de campeã do ano.

A experiência de assistir ao festival é única. Além de gratuita, a festa permite aos turistas verem de pertinho como são feitos os artesanatos com conchas, cordas, couro e flores, as danças tribais nativas antigamente usadas para assustar os inimigos e a música, que lembra muito a sonoridade havaiana: alto-astral e com aquela guitarrinha inconfundível do Bob Esponja. As apresentações são sempre cheias: de turistas, de alegria e de um energia contagiante.

Gastronomia Rapa Nui

Mas nem tudo são flores para o turista durante o festival. Nessa época, tudo fica bem mais caro do que já é. Um prato da sopa tradicional local a cazuela com frango, batata, milho, abóbora e arroz, não sai por menos de US$25. Se a ideia é economizar, o jeito é procurar as empanadas para enganar a fome, um tipo de pastel assado ou frito, com recheios de carne, legumes, queijo, e bem parecida com os pastéis daqui. Elas custam em torno de US$ 6. Outra opção é ir ao único supermercado da Ilha, chamado "Supermercado", na rua principal, e comprar queijos, pães e biscoitos para enganar a fome.

Os mais exigentes também têm vez. Existem restaurantes como o Hetuu, considerado um dos melhores da Ilha. Ele é especializado em frutos do mar e as guarnições podem ser pedidas separadamente. Uma porção individual de arroz sai em torno de US$ 7.

Passeios pela Ilha

Se você tiver um bom dinheiro guardado, pode contratar um taxista para fazer o papel de guia. Encontramos por lá um camarada que era um guia certificado e sabia tudo sobre cada cantinho da Ilha. Saímos com ele de carro por dois dias e foi o suficiente para conhecer histórias como a do Tsunami que varreu o lugar na década de 1960, derrubando todos os moais e também o boato de que a Nasa manteria por lá uma estação de observação e captação de sinais de vida extraterrestre. O tour de um dia sai por US$60 por pessoa.

Uma dica importante é comprar os tickets para o Parque Nacional Rapa Nui que abrange quase metade da área total da Ilha - logo no aeroporto, quando desembarcar. Eles são vendidos ali com 10% de desconto. É neste parque onde fica a grande parte das atrações como o "berçário de moais", a praia de Anakena, a cidadezinha abandonada de Orongo e outros pontos dos quais falamos detalhadamente mais a diante.

Para quem gosta de aventuras e liberdade, o ideal mesmo é alugar um 4X4 (a partir de CLP 35.000 na Insular Rent a Car, Calle Policarpo Toro, s/n, 210-0800). Nem pense em outro tipo de carro, a Ilha é toda de pedra e até descalço você pode ter prejuízos. Arranje um mapa e prepare-se para conhecer os pontos imprescindíveis que selecionamos abaixo. 
 
Os famosos Moais da Ilha de Páscoa (Foto: Divulgação)

Uma minúscula metrópole 

Hanga Roa é a única cidade da Ilha de Páscoa e, apesar de estar mais para vilarejo, é lá onde está praticamente tudo, inclusive o aeroporto Mataveri. É a capital da Ilha de Páscoa, abrigando mais de 87% da população da Ilha e desapontando os turistas que esperam dias agitadas e noites badaladas. Lá é puro sossego, mesmo em alta temporada.

O asfalto convida a um passeio de bike por entre as menos de 10 ruazinhas, permeadas por quitandas, lojas de artesanato e restaurantes. Flores e carrancas talhadas pelos locais à moda antiga lembram que estamos no meio do Pacífico. Uma parada obrigatória é o cemitério que, de tão florido e bem cuidado, de mórbido não tem nada. Um jardim verdinho com pequenas cruzes à beira de uma falésia cair o queixo dá a entender que os pascuenses não são chegados mesmo em grandes extravagâncias.

Na época do Festival Tapati (entre janeiro e fevereiro) o centrinho tem um pouco mais de rush. Os turistas podem provar um churrasquinho no espeto de 40 centímetros na rua ou se lambuzar com os mini abacaxis que são vendidos descascados para comer igual picolé. Eles são incrivelmente doces!

É em Hanga Roa que está também a maioria das pousadas. Então, aproveite para dar uma volta a pé e conhecer os primeiros moais da sua vida, que estão por ali observando o movimento e guardando séculos de mistério.

O misterioso berçário de moais

O escritor suíço Erich von Däniken, autor do intrigante "Eram os Deuses Astronautas?", tinha certeza de que os moais da Ilha de Páscoa foram obras de extraterrestres. A falta de explicação científica e histórica para a construção e transporte das estátuas colaborou e muito para o imaginário popular. Pelo sim ou pelo não, o parque do vulcão Ranu Ranaku é o local mais mágico para lembrar desse livro: lá funcionava a fábrica de moais, por causa da abundância de pedra.  

Mais de 300 estátuas estão neste parque, algumas enterradas até o pescoço, outras inacabadas, outras simplesmente aguardando o transporte para a sua plataforma, o que nunca veio. A impressão é que o trabalho em Ranu Ranaku foi interrompido de um dia para o outro, como se ainda fosse chegar alguém com grito de ordem "ok, pessoal, vamos retomar o trabalho".

Segundo a tradição oral Rapa Nui, as estátuas com suas dezenas de toneladas andavam. Eram construídas pelos primeiros habitantes polinésios e eram animadas por uma força chamada "Mana". Por isso, elas eram capazes de "flutuar" e se posicionar em seus respectivos ahus, como são chamadas as plataformas em que as estátuas eram posicionadas permanentemente.

Claro, essa teoria foi contrariada por muitos estudiosos e a hipótese de que os moais eram rolados em trilhos de toras de madeira e puxados com cordas e, até hoje, a mais bem aceita entre os pesquisadores, embora ninguém ainda tenha certeza de nada, nem mesmo o que, exatamente, representavam os moais.

Em Ranu Ranaku está também um dos maiores vulcões da Ilha, com o mesmo nome. Depois de uma boa caminhada ao topo, a vista é impressionante e te dá mais fôlego para passear por entre os moais abandonados.

E se não der pra visitar o roteiro todo, relaxa. Por mais curta que seja a sua estadia na Ilha de Páscoa, tenha certeza de que a sua bagagem voltará pra casa cheia de souvenirs, boas lembranças e conhecimento pra vida inteira.

Quanto custa para ir à Ilha de Páscoa?  

E se a Ilha de Páscoa é o seu próximo destino, esteja pronto para gastar. A passagem dificilmente vai sair por menos de US$ 1 mil com taxas, partindo de Santiago. Não há possibilidade de sair direto do Brasil e a única companhia que opera este destino é a Lan Chile. Se preferir a segurança de um pacote turístico, os preços são ainda mais salgados, em torno de US$ 10 mil para duas pessoas, em 8 dias. E por causa da limitação de voos, que chegam e partem apenas de fim de semana, o turista que parte da capital chilena Santiago tem obrigatoriamente 3 ou 7 dias para aproveitar.

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