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Cotidiano

Coronavírus: como a pandemia pode ser um gatilho para transtornos

Aumento do contágio, problemas econômicos e falta de cura da doença afetam ainda mais o emocional

| ACidadeON/São Carlos

Notícias falsas podem desencadear transtornos psicológicos

Diante de uma pandemia que tem causado milhares de morte e influencia diretamente na rotina das pessoas, encarar a crise do novo coronavírus não é algo fácil. A rapidez e facilidade do contágio, os problemas econômicos e até mesmo a falta de cura para a doença afetam nosso emocional.  

A psicóloga Larissa de Souza, de São Carlos (SP), explica que o contexto da pandemia traz todos para uma outra dimensão, fazendo com que seja necessário dar atenção para coisas que antes não eram uma preocupação.  

"Mostra para nós uma vulnerabilidade humana muito significativa e que todas as coisas precisam de um processo para se estabelecer. A tendência que temos a uma necessidade muito imediata acaba caindo nessa insuficiência. Olhar para essa fragilidade também representa um processo interno que vem de encontro com a vulnerabilidade e fragilidade que todo ser humano possui. É muito importante refletir sobre isso".  

Um gatilho
Claramente, o modo de lidar com a situação vai de pessoa para pessoa, mas o contexto social atual pode servir como um estímulo para pessoas diagnosticadas com depressão e ansiedade.  

Esse é o caso da estudante Pâmela Soares, que afirma que suas crises de pânico aumentaram. "Quando percebo, estou criando situações e vem a angústia e o medo de também ter que passar por isso, e aí outros sentimentos ruins tomam conta, e quando a gente vê, já está chorando e entrando em desespero", comentou.  

De acordo com a psicóloga, o medo, a insegurança e a incerteza são sentimentos comuns diante da atual situação mundial, mas quem sofre de transtornos psicológicos sentem de uma maneira mais profunda.  

"Todo ser humano possui recursos de ansiedade e por si também tem seus benefícios, mas essa pandemia se demonstra um gatilho para um mal-estar muito intenso nessas pessoas", comentou.  

Segundo ela, até o lado racional pode ser afetado nestes casos. "Quem tem tudo isso acaba sentindo de uma forma mais intensa todas essas coisas porque todos nós estamos sendo bombardeados com informações ruins o tempo todo, mas as pessoas que não têm um diagnóstico já afirmado tem condições de administrar melhor as informações que recebem. A gente tem condições de verificar se tal notícia é verdadeira ou não, e as pessoas que possuem transtornos é um pouco mais difícil de aplicar essa administração, então todas essas coisas acabam abalando bastante a forma de enfrentamento que as pessoas tem diante deste novo contexto que estamos".  

Mas então, o que fazer?
O cenário, então, se torna o maior vilão para os que sofrem com tais transtornos. Mas o que deve ser feito para evitar novos surtos ou controlar os sentimentos para cuidar definitivamente da saúde mental?  

A psicóloga explica que é importante trabalhar recursos de administração. "O controle faz com que a gente tenha plenas condições de manipular tudo o que está acontecendo, ou seja, se eu não quero sentir tudo isso ou se as coisas não são legais para mim, voou desligando, reduzindo e me afastando de tudo isso e não necessariamente vai ser nessas condições porque muitas vezes vamos estar presentes fora do nosso controle. Uma pandemia não está no controle de ninguém".  

Para ela, a adaptação da rotina para inserção de atividades saudáveis para o corpo e para a mente são fundamentais. "Hoje existem muitos canais que disponibilizam práticas de esportes e instruções para práticas dentro de casa, o que é muito saudável para nós, então reorganizar nossa rotina para incluir a atividade física também vai ajudar bastante, começar a trabalhar outras questões de dedicação, coisas que dê para fazer dentro de casa como culinária, leitura, filmes, todas essas coisas acabam se caracterizando no que a gente fala de ócio produtivo", explicou.  

Mas o mais importante é que o grande mal está na propagação de notícias falsas e na busca contínua por informação, algo que pode ser ainda mais prejudicial. A dica mais valiosa é se encontrar.  

"Não precisamos ficar em busca de atualizações e novos dados do coronavírus, essa busca incessante não é saudável. Essa situação mudou muito nossa rotina e a quarentena não é para que as pessoas fiquem o tempo todo vigilantes com notícias. Existem muitas coisas que podemos fazer para ficar bem com nós mesmos e amenizar o impacto de tudo", finalizou a psicóloga.

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