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Cotidiano

Tucano adota praça de São Carlos como casa e constrói ninho

Ave se adaptou bem ao ambiente urbano e atrai olhares curiosos na Praça Santa Cruz. Tucano não se incomoda com a presença humana

| ACidadeON/São Carlos

Tucano mora em ninho em árvore na Praça Santa Cruz, no Centro de São Carlos. Foto: Bruno Moraes / ACidade ON
A alguns metros do chão, na Praça Santa Cruz, uma das mais movimentadas de São Carlos (SP), uma ave de pelugem negra, bico grande e amarelo chama a atenção até dos olhos mais desatentos e apressados. É um tucano, ave natural do cerrado brasileiro que escolheu o centro da cidade como lar.  

E por ali, o tucanuçu (Ramphastos toco) encontrou comida e comida. Como lar, o lugar não poderia ser melhor. Um oco dentro de uma árvore de copa alta da praça, onde cabe seu corpo e até seu imenso bico.  

A simpatia do tucano é tanta que ele não se incomoda com a presença humana. Já o contrário não pode ser dito, uma vez que o grande bico amarelo chama atenção de longe, ainda mais numa tarde nublada. Para Fernando Magnani, diretor do Parque Ecológico de São Carlos "Dr. Antônio Teixeira Vianna", a espécie tende a se dar bem em ambientes urbanos. 

"As aves e animais silvestres vieram para ficar. As espécies que têm uma plasticidade, ou seja, uma facilidade de adaptação em ambientes alterados, estão tirando proveito da nossa civilização, da nossa forma de urbanização. Essas aves mais plásticas estão vivendo uma vida boa", afirma.  

O especialista afirma que aves como o tucano são cada vez mais vistos na natureza, sobretudo no interior paulista. Em um passado não tão distante, ela era vítima do desmatamento e da captura ilegal.  

"Hoje ela vem reocupando espaços que era dela, inclusive vindo para espaços urbanos com possibilidade de reprodução. Junto com os tucanos vêm uma série de periquitos, como o cabeça de coco, alguns tuins, vários passarinhos, gaviões, carcará. São animais que estão aproveitando a urbanização", conta.   

A ausência de predadores não deixa a vida desses animais mais fáceis na cidade. Há outros riscos no ambiente urbano, como animais domésticos, atropelamentos, afogamento em piscinas e fiação elétrica.  

"Realmente estamos vivendo um tempo novo de ocupação e quem sabe ter uma relação mais tranquila com a fauna".  

A alimentação dos tucanos é bastante variada. Ele é classificado como onívoro, ou seja, come frutos, sementes, preda insetos, pequenos anfíbios, filhotes e ovos de outras aves. Ele é um ótimo semeador, quando se alimenta de um fruto e leva a semente para outro lugar distante.  

"Acabamos oferecendo bastante comida nas árvores que são plantadas. Como tem uma grande quantidade de arvores (na cidade), eles têm uma variedade grande de alimentos. O que eles precisam é de sossego. O que não pode é tentar capturar e prender, pois eles fazem parte da natureza", comenta.  

Quando qualquer pessoa avistar um filhote no chão. O melhor a se fazer é nada. Por vezes, os pais, zelosos que são, estão sempre vigiando o filhote. A ação só pode ser tomada em caso de perigo iminente, como o risco de atropelamento em rua.  

"É importante que as pessoas observem, olhem em volta e que num primeiro momento não tire (o filhote) do lugar onde está. Assim o índice de acerto é muito maior do que se movesse ele", aconselha.  

Na árvore na Praça Santa Cruz, a possibilidade de o tucano ter montado um ninho é grande. A fêmea pode ter botado ovos e estar procriando. A época, inclusive, é propícia para isso.  

"O animal está tão urbano que ele já começa a reproduzir na cidade. Se oco for compatível com ele, a possibilidade de reprodução é grande. Ele não cava o buraco, ele aproveita de buracos feitos por outras aves, como papagaios, pica-paus, eles são oportunistas. Ele reproduz dentro de ocos e no fundo ele põe de dois a três filhotes dependendo da ninhada. Os filhotes são bem independentes e saem praticamente voando com os pais", conta.  

Para quem avistar o tucano são-carlense na praça da região central, o diretor do Parque Ecológico tem um conselho.  

"Aproveitar a oportunidade de ter esses animais próximos, mas deixar que eles continuem tendo a vidinha deles. Para que nossos filhos e netos tenham a mesma oportunidade no futuro".


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