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Cotidiano

Vacina é satisfatória para evitar casos graves de Covid, diz infectologista

No entanto, para especialistas, a vacina ainda tem uma eficiência baixa para impedir a epidemia; anúncio do Butantan apontou eficácia global de 50,38% da CoronaVac

| ACidadeON/São Carlos

O governador João Doria (PSDB) com a Coronavac (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

O anúncio da eficácia global de 50,38% da CoronaVac segue dividindo opiniões entre especialistas. Para o médico infectologista e professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Bernardino Alves Souto, é preciso cautela na interpretação dos estudos de modo geral.  

Analisando tecnicamente os dados, a vacina tem 50,38% de chance de evitar que a pessoa adquira a doença. Ou seja, quem tomar a CoronaVac, terá uma chance 50% menor de ter a doença do que quem não tomar a vacina.  

De acordo com o médico Bernardino Alves Souto, a doença ainda vai afetar muita gente por muito tempo, já que vai depender de uma cobertura vacinal muito alta. Porém, ela também traz benefícios para a população.  

"Se ela continua mantendo uma taxa de eficácia elevada em evitar doenças graves, já é um grande ganho porque se a pessoa adoecer, mas não complicar e continuar sem problemas, já é um grande benefício da vacina. Agora, quando a eficácia global é baixa, a eficiência da vacina em combater a pandemia já é reduzida. O que se espera da Coronavac com esses índices é que ela deve evitar em pelo menos metade dos casos a doença, ou seja, pode ser que reduza o índice de internamento hospitalar e o de morte", explicou o especialista.  

Por conta disso, o médico alerta que é preciso cautela na interpretação dos dados: nem ficar desanimado com a vacina e nem também animado demais. "É uma vacina com eficiência baixa para impedir a epidemia, mas uma eficiência satisfatória para evitar formas graves da doença, de modo que a gente tem que pensar as estratégias que serão usadas em relação às politicas de vacinação em função desses dados", disse Bernardino Souto.  

De acordo com o médico infectologista, a eficácia de uma vacina deve determinar quem deve ser vacinado e em quais situações. Para ele, os índices não desvalorizam a vacina, mas estabelecem qual é a eficiência dela.  

"Uma vacina de baixa eficácia global deveria ser priorizada em pessoas que tem fator de risco para formas graves da doença, que é o caso então da Coronavac. Já uma vacina com uma alta eficácia, em termos de dificultar a disseminação da doença, deveria ser priorizada em pessoas de alta transmissibilidade, como por exemplo profissionais de saúde", finalizou.   

Coronavac é feita pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac (Foto: A7 Press/Folhapress)

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O Instituto Butantan anunciou que a CoronaVac, vacina desenvolvida em parceria com o laboratório chinês Sinovac, tem eficácia global de 50,38%. O governador do Estado, João Doria, não compareceu na coletiva de imprensa.

Segundo os pesquisadores chineses, a maioria das reações foram leves, sendo que a mais comum foi a dor no local da injeção. Durante a coletiva, o Butantan também afirmou que a vacina não apresentou eventos adversos graves e que as reações alérgicas ocorreram em 0,3% dos participantes.  

O instituto já havia anunciado que, nos testes no Brasil, a vacina atingiu 78% da eficácia em casos leves e 100% em casos graves e moderados.
Até o momento esse é a eficácia mais baixa dos estudos em comparação com outras vacinas como a Pfizer (95%), Moderna (94,1%) , Gamaleya (90%), Sinopharm (79%) e Astrazeneca (62 a 90%).  

No entanto, a porcentagem mostra que o imunizante é eficaz para atingir a imunidade coletiva e está dentro dos padrões da organização Mundial da Saúde (OMS), que exigem eficácia mínima de 50%.


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