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Cotidiano

Butantan já tem 3 mil doses de soro anticovid para testes em humanos

Estudo vai iniciar após a chancela da Anvisa; estudo em animais mostrou redução de carga viral e da inflamação provocada pelo Sars-CoV-2

| ACidadeON/São Carlos

Instituto Butantan, na zona oeste de São Paulo (Foto: Futura Press/Folhapress)

O Instituto Butantan já tem 3 mil frascos de soro para tratamento da Covid-19 disponíveis para estudo clínico. A informação foi dada durante coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (5) em São Paulo.

Na quinta-feira (4), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirmou ter recebido o pedido para realização de testes do soro hiperimune em humanos. A expectativa do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), é que a chancela seja dada em até uma semana.

"A expectativa é que na próxima semana a Anvisa já possa autorizar o início destes testes. Aliás, não há razão para protelar a autorização para o início destes testes, já que todas as informações necessárias foram providas pelo Instituto Butantan para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária " disse Doria. "O soro desenvolvido pelo Butantan tem grande potencial para evitar o agravamento dos sintomas e curar os contaminados pela Covid-19", completou.

Os estudos clínicos estão sendo conduzidos pelo infectologista Esper Kallás, da USP, e pelo nefrologista José Medina, ambos integrantes do Centro de Contingência do Coronavírus do governo estadual.

O objetivo da pesquisa é verificar a segurança e a eficácia do soro em pacientes infectados com o novo coronavírus. Três mil frascos de soro estão prontos para o início imediato dos testes em humanos.

A equipe de pesquisadores do Butantan concluiu um teste de desafio, realizado em parceria com a USP, com ratos infectados pelo vírus vivo. Com o uso do soro, foi identificada diminuição da carga viral, além de perfil inflamatório reduzido, e os animais também apresentaram preservação da estrutura pulmonar.

Após a aprovação da Anvisa para o início dos testes em humanos, caso apresente a eficácia esperada, o soro poderá ser usado para tratar pacientes infectados com sintomas, visando bloquear o avanço da doença.

O soro é feito a partir de um vírus inativado por radiação, em colaboração com o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), e aplicado em cavalos, que produzem anticorpos do tipo IgG, extraídos do sangue e purificados com uma técnica usada há décadas no Butantan. Segundo o governo paulista, o soro mostrou "ótimos resultados" nos testes de neutralização de células e de segurança realizados em camundongos e coelhos.


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