Aguarde...

Cotidiano

Biomaterial produzido no IQSC é testado para tratar fraturas em animais de grande porte

De acordo com pesquisadora, o biomaterial funciona como um método auxiliar de preenchimento das falhas ósseas que auxiliam o tratamento com placas e parafusos

| ACidadeON/São Carlos

Seringa com célula-tronco mesenquimal e biomaterial (Foto: Divulgação / IQSC/USP)
Um biomaterial produzido no Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da USP está sendo testado por cientistas da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP para tratar fraturas em animais de grande porte.

O produto tem em sua composição hidroxiapatita, quitosana e nanotubos de carbono, com a adição de células-tronco oriundas de medula óssea de ovinos jovens.

Os experimentos, que vêm mostrando resultados positivos, foram conduzidos pela médica veterinária Geissiane de Moraes Marcondes.

Em entrevista do Jornal da USP, a médica veterinária explica que os ruminantes (bovinos, caprinos e ovinos), equinos e suínos estão entre os animais que são considerados "de grande porte". Os experimentos são realizados com foco principal na aplicabilidade em equinos que, por serem animais de trabalho e esportes, sempre estão mais sujeitos aos traumas ortopédicos graves, como as fraturas cominutivas. "Nesse tipo de fratura, o osso é fragmentado em várias partes dificultando o tratamento", explica Geissiane. "Acredito que, em cerca de dois anos, poderemos aplicar clinicamente o biomaterial em equinos", estima.

Nos cavalos, por exemplo, entre as maiores causas desse tipo de fratura estão o coice, entre os próprios animais, e acidentes durante o desenvolvimento de suas atividades, quer sejam de passeio ou esporte. "Há 20 anos, acidentes que causavam essas fraturas levavam os proprietários desses animais a pensar no sacrifício", descreve a médica. Mas, atualmente, como ela ressalta, existem avaliações mais precisas e o uso de implantes metálicos, placas e parafusos que possibilitam a fixação interna do osso, procedimento conhecido como osteossíntese. Contudo, esses procedimentos, muitas vezes, não são suficientes por causa dos fragmentos gerados numa fratura cominutiva. Com o biomaterial, é possível a reconstituição do tecido ósseo, pois ele é implantado na falha do osso.

O compósito à base de quitosana, nanotubo de carbono, hidroxiapatita e células-tronco mesenquimais tem uma estrutura semelhante ao tecido ósseo e é desenvolvido no IQSC pela química Virginia da Conceição Amaro Martins, sob a supervisão da professora Ana Maria de Guzzi Plepis, do Departamento de Química e Física Molecular.

O biomaterial tem uma estrutura porosa semelhante a uma esponja de limpeza, porém mais rígida e não flexível. "O compósito é produzido no IQSC de acordo com a medida que necessitamos. O material não é tóxico e, portanto, não há reação do organismo", garante Geissiane. De acordo com a médica veterinária, o biomaterial funciona como um método auxiliar de preenchimento das falhas ósseas que auxiliam o tratamento com placas e parafusos. 
 
Segundo Geissiane, os pesquisadores do IQSC já trabalhavam com os materiais (quitosana, hidroxiapatita e nanotubo de carbono) de forma isolada. "No meu curso de doutorado usei o compósito unindo os três elementos", lembra. Ela destaca ainda que a quitosana e a hidroxiapatita já são usadas como material de preenchimento em ortopedia humana e em odontologia. Os nanotubos de carbono foram adicionados ao material por possibilitarem maior força e resistência mecânica.


Mais notícias



Mais notícias do ACidade ON