Nesta sexta-feira (5) está sendo realizada a reintegração de posse do Recanto das Oliveiras, em São Carlos. Uma das demolições é no terreno da dona de casa Juliana Cavichioli, que vê a situação como injustiça. “A gente não é invasor. A gente comprou, pagou pelo lote, inclusive tivemos autorização para construir”, disse.
A dona de casa de 36 anos defende que comprou o lote por R$ 65 mil e que teve autorização para construir. Após anos de processo correndo na Justiça, na semana passada foi avisada sobre a demolição, prevista para a semana que vem.
“Por um ato de crueldade dizem que tem que fazer a reintegração. A gente não é invasor, a gente tem papel que comprova na Justiça que pagou por isso, só que infelizmente a gente tem filho, tem uma vida aqui dentro e eles querem tirar o que a gente tem”, disse.
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A prefeitura comunicou que a Secretaria de Assistência Social da prefeitura foi comunicada e vai analisar os casos individualmente, no entanto, ela diz que até o momento não recebeu nenhum auxílio.
“A situação da gente é de rua, de estado de rua, porque até agora ninguém veio dar suporte para a gente aqui. E como um ato de crueldade, a gente vai sair sem nada? Quem vai repor o que a gente gastou e colocou aqui em uma vida? Ninguém!”, desabafou.

ENTENDA A SITUAÇÃO
O local é uma APA (Área de Proteção Ambiental) e pertence ao prefeito Airton Garcia (União Brasil). Após a ação do Ministério Público, uma decisão da Justiça obrigou a reintegração.
A defesa do prefeito afirmou que ele é réu no processo e que foi condenado a fazer a recuperar a área ambientalmente. “Essa recuperação só pode ser iniciada após a reintegração de posse do imóvel”, informou, em nota.
Segundo Waldemir Soares, advogado que representa as famílias, outras 60 demolições deve acontecer em períodos próximos. Ele também informou que parte das famílias tem casa na cidade e utilizava os lotes para produção agrícola e animais de pequeno porta, mas outras são vulneráveis.
“Nesse momento, nenhuma família que não tem moradia foi impactada. Alguns lotes já tinham a desocupação voluntária, por isso que nós estamos começando por essa região, que é justamente, onde já pararam suas construções no começo ou no final e aí não tinham ocupação”, explicou.

EM BUSCA DE JUSTIÇA
Em 2020, segundo o MPSP, as famílias compraram os lotes após um casal vender os terrenos por um preço abaixo do mercado em 2003, promovendo parcelamento e a ocupação irregular, mas a venda foi anulada judicialmente.
Desde então os moradores brigam na Justiça para não serem despejados. A primeira ordem de desocupação foi determinada em outubro de 2019, e em 2020 duas casas foram demolidas após de famílias assinarem um acordo judicial.
Para Juliana, que mora no local há 22 anos com sete crianças e quatro adultos, a situação é de injustiça e mostra que “o Brasil é assim, dessa maneira”.
“A gente merece ter de volta o que vai perder aqui. Não existe justiça para o pobre, mas para o rico sim, o pobre fica para trás. A gente não está desmatando, estamos cuidando do meio ambiente, e num ato de crueldade vão derrubar o que a gente construiu”, completou.
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