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Estudantes da UFSCar cobram respostas sobre morte de Marielle Franco

Vereadora do Rio de Janeiro foi morta a tiros um ano atrás. Grupo levou faixas e se manifestou na entrada da universidade

| ACidadeON/São Carlos

Grupo levou faixas e se manifestou na entrada da universidade. Foto: Imagem Cedida/ Tiago Ruiz
 

No dia em que completa um ano da morte da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco, um grupo de estudantes da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) realizou duas manifestações para cobrar respostas sobre o caso.

Segurando faixas e cartazes com os dizeres "Quem matou Marielle?" e "Marielle Presente", o grupo se reuniu em frente à entrada da UFSCar no período da manhã e da tarde desta quinta-feira (14). "Foi um ato para marcar um ano da morte de Marielle e a falta de muitas respostas até então. Se descobriu os autores dos disparos, possíveis motivações, mas não tem o resultado de quem mandou executá-la", afirmou o estudante Tiago Ruiz.  

"Usamos a mordaça negra para mostrar o silenciamento que é imposto em relação ao caso, a demora das investigações e falta de respostas durante esse ano que marca sua morte. Os resultados até então foram recentes e poucos esclarecedores", completou Ruiz.  



Entenda o caso  

A vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco, do PSOL, foi morta a tiros na noite desta quarta-feira, 14, dentro do carro em que seguia para casa. O ataque à vereadora aconteceu na Rua Joaquim Palhares, no centro do Rio.

Franco voltava de um evento na Lapa, na mesma região, quando foi atingida. Os criminosos conseguiram fugir. O motorista Anderson Gomes, que dirigia o carro que levava a vereadora, também morreu baleado.   

Marielle foi morta por atiradores

Manifestações no Brasil e no mundo  

A frase que se notabilizou no último ano, "quem matou Marielle?", se transformou nesta quinta-feira (14). A pergunta que se espalhou por cidades do Brasil e do exterior agora é "quem mandou matar Marielle?".  

A frase está em placas e faixas que lembram o um ano da morte da vereadora Marielle Franco e Anderson Gomes, ocorrido em 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro. As intervenções fazem parte dos atos "Amanhecer por Marielle".  

Em São Paulo, faixas foram colocadas na avenida Rebouças, na altura do Hospital das Clínicas, e placas de rua foram cobertas com adesivos com os dizeres "Marielle Presente" e "Avenida Quem Mandou Matar Marielle?".  

As trocas de placas ocorreram nas esquinas da avenida Paulista com a Consolação, da rua Augusta com avenida Paulista e na esquina das alamedas Barão de Limeira e Eduardo Prado, além da estação de metrô Ana Rosa.  

O rosto da vereadora assassinada se transformou em ícone da luta por justiça e se espalhou em grafites por cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Lisboa, Buenos Aires, e Ferrara, na Itália.   

Manifestante faz referência a Marielle Franco em protesto no Centro de Campinas (Foto: Luciano Claudino/Código 19)

Prisões e investigações sobre o caso  

Nesta semana, a dois dias do crime completar um ano sem solução, a Polícia Civil do Rio prendeu na terça-feira (12) dois suspeitos de participarem do assassinato da vereadora. São eles: o policial militar reformado Ronnie Lessa, 48, e o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, 46. Ambos negam participação no crime.  

Segundo a denúncia, Lessa disparou os tiros que mataram Marielle, e Queiroz dirigiu o carro que interceptou a vereadora, de onde partiram os disparos.  

O delegado titular da Delegacia de Homicídios do Rio, Giniton Lages, disse em entrevista coletiva que as investigações do caso ainda estão no início.Mas a segunda fase já foi deflagrada, com a expedição de ao menos 34 mandados de busca e apreensão que visam determinar se há mandantes para o crime e qual a motivação exata do assassinato.  

Na mesma entrevista, o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), declarou que Lessa e Queiroz poderão receber uma oferta para fazerem delação premiada.  

Mônica Benício, viúva de Marielle Franco, disse à reportagem que considera a operação um passo importante nas investigações, mas lamentou que ainda não haja respostas a respeito de eventuais mandantes. "Não basta prender mercenários, é importante saber quem mandou articular tudo isso e qual foi a motivação", afirmou, acrescentando que, apesar da lentidão das investigações, mantém a esperança de que essas respostas cheguem. "O Brasil hoje deve satisfação ao mundo. Não há, para mim, a possibilidade de isso não ser respondido. Não é só pela preservação da memória da Marielle, mas pela garantia da nossa democracia."   

Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, Marielle foi morta em razão de sua militância em favor dos direitos humanos. Os investigadores identificaram ainda que Lessa, o policial reformado responsável pelos disparos, fez pesquisas sobre a rotina de Marielle e sobre eventos de que ela participaria semanas antes do crime.  

Ele também teria pesquisado sobre outras figuras da esquerda, como o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL), próximo a Marielle.  

De acordo com o delegado Lages, a motivação de Lessa foi torpe. "Ele revela diferenças ideológicas de forma violenta", afirmou. Ainda não está claro, no entanto, se o crime foi articulado espontaneamente pelo policial militar reformado ou se ele foi pago por um mandante para assassinar Marielle. 

As informações são da Folhapress.  





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