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Em palestra na UFSCar, Milton Jung fala sobre a importância da ética e cidadania

'Ao invés de pensar: o que meu filho vai ser quando crescer?, Que tal pensar o que vai fazer meu filho feliz no futuro?', questionou jornalista

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Mílton Ferretti Jung Júnior é um jornalista, radialista e palestrante brasileiro. Foto: Orlando Neto/ ACidade ON São Carlos
Um dos mais conceituados jornalistas da atualidade, Milton Jung ministrou uma palestra na tarde desta quinta-feira (15) em São Carlos. A atividade fez parte da 16ª Feira do Livro da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e abordou o recente lançamento de Jung, o livro É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos.  

Durante a palestra, Milton Jung abordou diversos temas como a situação das universidades, o crescimento de áreas antes desconhecidas como os Esports e também falou um pouco sobre episódios pessoais e familiares. "Se a gente levar em consideração que até 2035 85% das profissões que existirão ainda não foram criadas, como eu quero escolher a profissão e a faculdade do meu filho hoje? A gente não sabe como vai ser o futuro, então como fazer algo agora? Eu faço o que eu quero. O que eu queria propor para as pessoas, antes de pensar em uma profissão, é que mudem de foco. Ao invés de pensar: o que meu filho vai ser quando crescer?, Que tal pensar o que vai fazer meu filho feliz no futuro? As virtudes são mais importantes que as profissões e o crachá que meu filho vai ter, que o cargo, que o salário que vai receber. Ele está desempregado, mas continua sendo um cara honesto e responsável. Então podemos mudar esse quadro, ou você prefere um empregado e desonesto?", questionou.  

"Nós devíamos nos esforçar para desenvolver nas pessoas virtudes, inclusive deveríamos nos preocupar em desenvolvê-las em nós. Entre elas a cidadania. Desenvolver essas virtudes e valorizá-las mais do que a profissão", sugeriu Jung.  

Para o jornalista, é importante educar as pessoas desde cedo a respeito do tema. ""Vamos começar falando [de ética] com as crianças, dentro de casa. Essa é a minha proposta. Falar de ética e cidadania é fundamental. Uso a palavra cidadania, mas poderia usar política. No entanto, parece que no Brasil, nos últimos tempos, as pessoas começaram a olhar para essa palavra, política, a ficarem com medo dela e dizer que isso não presta. Pelo contrário, isso é necessário. E por isso, tento demonstrar, inclusive, que política e cidadania são as mesmas palavras, apenas com origens diferentes. Mas elas têm a ver com a nossa relação, a do indivíduo com o coletivo. E por isso nós temos que ficar muito atentos a esses temas. E para que essa sociedade realmente funcione, é fundamental que se tenha o compromisso, e se assuma o compromisso de uma relação ética com as pessoas. É isso que nós precisamos no Brasil, se é que realmente queremos um país mais justo e generoso. Isso é o que eu quero, e tenho certeza de que muitos pensam da mesma maneira", explicou.   

Ética e cidadania
Segundo Jung, a ética está no cotidiano de todos nós. "A ética está na nossa relação, no nosso dia a dia, nos atos, decisões e escolhas que eu faço. A ética é o princípio, a moral é a prática desse princípio, e é disso que nós estamos falando e precisamos falar. Os pais, as mães e os educadores de referência das nossas crianças assumem um compromisso ético com a sociedade em educar essas crianças. Se eu fizer filhos melhores, nós teremos filhos melhores fazendo outros filhos ainda melhores. Nesse ciclo, teremos uma sociedade melhor. Por isso eu sempre lembro que nós, quando assumimos a função de pai, mãe ou educador, assumimos um compromisso ético com a sociedade, e não só com nossos filhos. Isso é fundamental" falou.  

O escritor também reforça a importância em compartilhar esse tipo de conteúdo. "É uma grande oportunidade de fazer com que as pessoas parem para pensar. Hoje em dia nós corremos o tempo inteiro, temos uma série de atividades a serem cumpridas, missões a serem realizadas, mas muitas vezes não nos dão tempo de parar e refletir. Quando se lançou o livro É Proibido Calar!" a ideia era provocar esse tipo de reflexão nas famílias, nas pessoas. Por isso, vir, como venho a São Carlos, viajar pelo Brasil para falar sobre esse tema é quase como uma missão. Mostrar para as pessoas que o diálogo é possível, e só através dele o Brasil é possível. Nesse diálogo, é preciso se pautar na questão ética", disse.  

A respeito dos tempos atuais e dos constantes embates entre as pessoas que pensam de forma diferente, Milton Jung acredita que o país está amadurecendo. "É e sempre foi muito difícil discordar no Brasil. Só que antes era mais difícil discordar em um grupo pequeno de pessoas. Hoje você tem que discordar diante das redes sociais. Então o impacto da sua discordância e a reação são muito maiores. Nós vamos ter que aprender a conviver nesse cenário. Vivemos um momento de amadurecimento, mas também acredito muito na possibilidade de que esse diálogo vai se ampliar, porque nós estaremos alcançando cada vez mais pessoas. E nós chegaremos não em um ponto comum de todos pensando da mesma maneira. Isso não seria bom nem para o país e nem para a sociedade. A diversidade de pensamentos é enriquecedora e desafiadora para todos nós, mas é, pelo menos, um diálogo possível. É algo que temos que buscar. Estou indo a todo Brasil, onde puder e onde for convidado, para dizer que esse diálogo, sim, é possível", apontou.  

Sobre o palestrante
Milton Jung é âncora do Jornal da CBN e do programa Mundo Corporativo é coautor do livro "Comunicar para liderar" e autor de "Jornalismo de Rádio" e "Conte Sua História de São Paulo". Recebeu o Prêmio Comunique-se de Jornalista em Empreendedorismo, em 2017; de Melhor Âncora de Rádio, em 2009 e 2014; Prêmio APCA de Rádio, em 2014; e Prêmio Aberje 2016 na categoria Trajetória do Ano.  



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