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Com cortes, reitora da UFSCar diz que será 'muito difícil' no último trimestre

Universidade teve bloqueio de 34,4% nos orçamentos de manutenção e de investimentos em obras e equipamentos. Wanda Hoffmann diz que cortes vêm acontecendo nos últimos anos

| ACidadeON/São Carlos

A reitora da UFSCar, Wanda Hoffmann, diz que universidade não terá como funcionar no último trimestre do ano se cortes forem mantidos Foto: Reginaldo dos Santos/EPTV
 

O funcionamento da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) nos últimos três meses do ano está comprometido caso o corte de 34,4% dos recursos de custeio e investimento feito pelo governo federal se mantenha, segundo a reitora Wanda Hoffmann. O valor bloqueado chega a R$ 19,48 milhões. As informações são do G1 São Carlos e Araraquara

"Por enquanto nós estamos com o funcionamento está normal, mas caso não consigamos reverter esse contingenciamento, a partir do final do ano, nos últimos três meses, nós não teremos os recursos para o funcionamento da universidade", afirmou. 

Do total bloqueado, R$ 16.760.392,00 são das despesas de custeio (32% do valor anual previsto), ou seja, de manutenção do campus, e R$ 2.722.324,00 em investimento (63% do valor anual previsto) em obras e equipamentos.

O orçamento da universidade para 2019 é de RS 632 milhões, mas R$ 575 milhões são referentes a pagamento de funcionários ativos e inativos e não podem ser alterados.  

UFSCar teve cortes em custeio e investimento Foto: EPTV

Cortes desde 2014  

Segundo a reitora, os cortes vêm acontecendo nos últimos anos, principalmente em investimentos.

"Nós tivemos, em 2017, perda efetiva de 50%. Nós iniciamos os quatro campi com R$ 18 milhões e nós passamos para R$ 9 milhões. E foi diminuindo tanto que, nesse ano, foi para R$ 4,3 milhões, sendo que R$ 2 milhões vêm diretamente do recurso governo e os outros R$ 2 milhões vêm de emenda parlamentar que é uma luta para conseguir liberação", disse Wanda.

Segundo a reitora, a universidade vem se adequando aos constantes cortes, mas o atual bloqueio pode comprometer o funcionamento da universidade.

"Nós já fizemos vários ajustes com terceirizadas, com vigilância, com limpeza, uma série de ajustes na manutenção do restaurante universitário. O que acontece que nós já estamos com esse aperto e se nós tivermos realmente o corte de 30% vai ficar muito difícil para manter o funcionamento nos últimos três meses do ano", ressaltou Wanda, que disse ainda que tem a expectativa de que, até o final do ano, haja a liberação dos recursos. 

Impacto na comunidade  

Alunos e professores estão preocupados com os cortes, que afetam projetos de extensão e impactam o atendimento à comunidade.

"Isso reflete na segurança que a gente tem de construir os projetos porque a gente não sabe se vai ter verba para comprar o material", afirma a estudante de Medicina Camila Ignacio. 

A professora do Departamento de Ciências Sociais Sylvia Iasulaitis se preocupa com sua pesquisa com mulheres vítimas de violência doméstica na zona rural de São Carlos. 

"Cada vez mais a gente vai tendo dificuldade de ter bolsistas, que são pesquisadores em orientação, e temos dificuldade em verbas básicas para custeio de transporte e impressão de questionários", relatou.

Ela acredita que o caminho para tirar o Brasil da crise é no sentido contrário do que está sendo feito.

"Nós vemos que o Brasil infelizmente nesse momento de crise esta na contramão da receita dos países desenvolvidos que em momentos de dificuldade nacional investem em ciência e tecnologia e em educação superior."

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