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Agências bancárias de São Carlos terão que atender clientes em até 15 minutos, requer MPF

Bancos do Brasil, Bradesco, Itaú, Santander e Caixa Econômica Federal deverão pagar juntos mais de R$ 2 milhões por desrespeito à determinação judicial

| ACidadeON/São Carlos

Agências bancárias terão que atender clientes em até 15 minutos em São Carlos, requer MPF
Todas as agências bancárias da região de São Carlos estão obrigadas a garantir o atendimento nas filas de caixa em até 15 minutos, em dias normais. Nas datas imediatamente anteriores e subsequentes a feriados e nos dias de pagamento de salário a servidores públicos, o prazo máximo de espera deverá ser de 30 minutos. As medidas, solicitadas pelo Ministério Público Federal (MPF) em uma ação contra nove instituições financeiras, já estão valendo, pois a decisão da Justiça transitou em julgado em outubro do ano passado. O MPF requereu o cumprimento definitivo da sentença. 

Pela determinação judicial, os bancos do Brasil, Bradesco, Itaú, Santander e Caixa Econômica Federal terão que pagar, juntos, mais de R$ 2 milhões pelo descumprimento da decisão liminar proferida em 2009. Além disso, os réus deverão arcar com R$ 345,5 mil, sendo R$ 38 mil para cada um, a título de indenização por danos morais coletivos, conforme determinado pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região em 2013. Também respondem por estas multas quatro instituições bancárias que ao longo do processo foram incorporadas pelos bancos condenados: o Banco Nossa Caixa, o Unibanco, o ABN Amro Real e o HSBC Bank Brasil.

O MPF requereu ainda que os réus forneçam, em 20 dias, informações extraídas de seus sistemas sobre a quantidade de atendimentos cuja espera ultrapassou os prazos estabelecidos pela Justiça, desde a expedição da sentença, em 2009. De posse destes dados, a Procuradoria vai avaliar se há outros valores a serem pagos pelas instituições condenadas, a título de multa pelo desrespeito à determinação judicial. O procurador da República Marco Antonio Ghannage Barbosa, responsável pelo caso, também solicitou que um oficial de justiça verifique se as medidas estão sendo cumpridas nas agências bancárias existentes nos maiores municípios da região.

A decisão da Justiça estabelece ainda que os bancos implantem sistema de entrega de senha aos usuários, independentemente de solicitação do cliente, de forma que fiquem registrados os horários de início e fim do atendimento bancário. Todas as agências deverão afixar cartazes informando os prazos máximos de espera para atendimento nos caixas, bem como destinar caixa(s) de atendimento exclusivo ou preferencial a idosos, a gestantes e a pessoas com deficiência, na proporção que se fizer necessária para a adequada prestação do serviço a estes grupos e ao público em geral.

A decisão abrange as cidades de Descalvado, Dourado, Ibaté, Pirassununga, Porto Ferreira, Ribeirão Bonito, Santa Cruz da Conceição, Santa Cruz das Palmeiras, Santa Rita do Passa Quatro, São Carlos e Tambaú.   

Posicionamento 
Em nota, o banco Santander informou que monitora a qualidade de prestação dos serviços. "O Santander informa que monitora constantemente a qualidade da prestação dos seus serviços nas suas agências e que ainda dispõe de canais alternativos e eficazes de relacionamento e atendimento aos clientes, como a Central de Atendimento Santander, SAC, Ouvidoria, Internet Banking, APP Santander e APP Way." 

A assessoria de imprensa do Banco do Brasil também comentou o requerimento e vai avaliar medidas futuras em relação ao problema. "O departamento jurídico do Banco Brasil ainda avalia os limites da decisão para eventualmente adotar as providências pertinentes", afirmou.

Procurados pela reportagem do ACidade ON São Carlos, os outros bancos citados na matéria ainda não emitiram um posicionamento a respeito da decisão. 

Repercussão 
A reportagem do ACidade ON São Carlos ouviu algumas pessoas que estavam em agências bancárias da cidade durante a tarde desta terça-feira (14). Grande parte da população acredita que a medida vai melhorar e agilizar o serviço, que julgam ineficiente. Já uma pequena parcela acredita que a decisão não será cumprida. 

"Eu não dirijo, então meu filho é que precisa me trazer ao banco. Ele trabalha e o horário acaba sendo bem limitado. Teve vez que precisei ir embora de táxi por causa do tanto que demorou, e não é só no caixa não. Se realmente acontecer de atenderem a gente em 15 minutos, vai ser uma glória", contou a aposentada Dalva Cristina. 

Já a faxineira Maria de Paula Santos não vê a notícia com bons olhos. "Eu duvido que vão cumprir isso. Já falaram uma vez que ia acontecer, mas ficou tudo na mesma. Ninguém respeita nada nesse país. Só vou acreditar quando acontecer de verdade. Fora isso, é só promessa. Nunca é que vão atender a gente em um tempo pequeno desses", reclamou. 

O motoboy Juliano Alcântara foi até uma agência bancária na Rua Episcopal para fazer uma transferência. Ele conta que já estava esperando há mais de 25 minutos que sua senha fosse chamada. "Cheguei aqui já faz tempo. Peguei uma senha que não parecia longe, mas como tinha muita gente na preferencial, fiquei para trás. Vou esperar, mas preferia que isso aqui fosse mais rápido. Enche um pouco, mas vou fazer o que? Não tenho outra opção", relatou. 

O aposentado Mario Corrêa também reclama da demora no atendimento. "Já precisei tirar uma tarde inteira para fazer o que eu preciso no banco. Se isso mudar, vai me poupar bastante e, de quebra, ainda vai liberar minha agenda", brincou.  

Juliana Borges trabalha em uma casa lotérica da cidade e diz compreender o lado dos atendentes. "Tem vez que é muita gente, igual na lotérica. A gente até corre para fazer tudo e 'zerar' a fila, mas não para de chegar mais gente. Eu entendo que o pessoal que trabalha no banco também deve ficar sobrecarregado, ainda mais quando lota muito. Se esse negócio de ser atendido em 15 minutos realmente for para frente, então seria do interesse de todos que fossem contratados mais funcionários, e não se sobrecarregasse quem já está cheio de serviço. Eu entendo o lado deles também", observou.


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