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"Não pode se apegar", explicam namorados adeptos da troca de casais

Estudante e comerciante de São Carlos vivem relacionamento inusitado há quatro anos e revelam detalhes sobre a vida no 'swing'

| ACidadeON/São Carlos

"Não pode se apegar", explicam namorados adeptos da troca de casal
"Trocar de parceiro por uma noite apenas pelo prazer do sexo tudo bem. Não pode é se apegar". É o que esclarece a estudante são-carlense Juliana* a respeito das regras inusitadas de seu relacionamento com o comerciante Igor*. Com 26 e 29 anos, respectivamente, a jovem e o namorado se conheceram há quatro anos e revelam vivências jamais sonhadas na maioria dos relacionamentos. Adeptos da troca de casais (ou swing), a dupla conta que a prática exige ainda mais confiança do que um relacionamento convencional.  

Juliana e Igor se conheceram durante um evento universitário realizado na casa noturna Banana Brasil. Na época, eles sequer imaginavam que estavam prestes a embarcar em uma das maiores aventuras (e desafios) de suas vidas. "Ele ficou me olhando e eu pedi para uma amiga ir falar com ele. Obviamente, eu fiz de tudo para não demonstrar muito interesse quando ele veio conversar comigo. Não teve jeito: em pouco tempo a gente já estava de casalzinho pelo resto da festa", lembrou a jovem.  

"A amiga dela na verdade não fez o combinado. Ela chegou em mim e disse: Olha, minha amiga está encalhada e achou você lindo. Você não quer ir lá falar com ela para ver se dá um jeito?. Eu dei risada e fui, muito sem graça e sem grandes expectativas, mas o papo e o beijo rolaram tão legal que a gente saiu de lá com aquele gostinho de quero mais", acrescentou Igor.  

Durante alguns dias, o casal trocou mensagens e marcou um novo encontro, dessa vez em um bar no Centro de São Carlos. "Fomos até lá e, enquanto a gente conversava, passou uma moça bem bonita. Eu não consegui disfarçar e olhei para ela - e a Juliana percebeu. Antes que eu pudesse me explicar ela se antecipou e disse que tinha achado a menina gostosa. Eu fiquei um pouco surpreso até ela me explicar que era bissexual. Eu lembro que, depois dessa revelação, fiquei um pouco pensativo. Ela achou que eu tinha estranhado aquilo tudo, mas não era nada disso", falou o comerciante.  

"Eu fiz a maior revelação e ele ficou quieto. Eu pensei que tinha feito besteira, porque era só nosso segundo encontro e não é uma informação que seja tão crucial assim para alguém que é praticamente um desconhecido. Nem todo mundo aceita isso numa boa. E me abrir dessa forma para alguém que eu estava interessada pareceu um tiro no pé, mas não foi. Ele ficou meio quieto e depois começou a me fazer um monte de perguntas, se mostrou interessado e quis entender minhas preferências. Achei fofo", relatou Juliana.   

Ampliando os horizontes
Depois do encontro, o casal passou a se ver com mais frequência e logo engataram um namoro em 2015. "Pelo fato de ela também gostar de mulher, era muito diferente da relação que tive com as minhas outras namoradas. Ela não se sentia enciumada se eu falasse ou reparasse em outras meninas. Inclusive, eu percebia que ela ainda tinha algumas vontades nesse sentido. Eu incentivava ela a se resolver, porque sinceramente não conseguia sentir ciúmes de outra mulher. E também tinha um fator ainda mais intrigante: eu percebia uma certa vontade minha de ver ela se relacionando com o sexo feminino", afirmou Igor.  

Para comemorar o aniversário de um ano do casal, Juliana preparou uma surpresa para o namorado: convidou uma garota de programa para o jantar. "Quando ele chegou em casa, não entendeu nada. Estava lá essa moça que ele nunca viu na vida e eu, nos beijando e tomando vinho. Ele ficou muito sem graça, mas depois começou a entrar na brincadeira e foi uma noite maravilhosa".  

A experiência foi tão marcante para o casal, que os namorados passaram a analisar maneiras de ampliar seus horizontes sexuais. "Foi muito legal. Era algo natural, parecia que a gente já tinha experiência naquilo. Não foi estranho, como a gente pensou que seria. Passamos bastante tempo conversando e decidimos que o próximo passo era conhecer uma casa de swing", contaram.  

"Para mim foi um pouco mais difícil aceitar que ela também poderia se relacionar com outro homem, mas isso no começo. Depois a gente foi conversando e nos entendendo, além de estabelecer algumas regras básicas (a principal sendo não se envolver afetivamente). Percebi que podia ser uma experiência bacana e que eu também tinha que ceder em algo. Na verdade, era só um medo meu, mas eu não entendia ainda o que era, até a gente começar a brincadeira", disse Igor.   

Casal de São Carlos passou a frequentar casas noturnas em São Paulo
 
Swing em São Paulo
"Trocar de parceiro por uma noite apenas pelo prazer do sexo tudo bem. Não pode é se apegar. A partir do momento que nós dois entendemos isso, pensamos que estávamos prontos para a experiência e fomos até uma casa de swing em São Paulo", contou Juliana.  

"A primeira vez a gente nunca esquece. Essa frase pode dizer muito sobre muita coisa, inclusive sobre a nossa experiência no swing. A gente se sentiu desconfortável, mas aos poucos fomos nos soltando e começamos a entender como funcionava. Confesso que ver minha namorada se relacionando sexualmente com outro homem foi algo extremamente difícil de lidar dentro da minha cabeça. Por causa disso, acabei estragando um pouco essa nossa primeira ida ao swing. Não fiz barraco, mas também não consegui curtir e fui ficando mais na minha. Quando a gente saiu, ela percebeu meu desconforto e a gente conversou para tentar entender o que deu errado. Decidimos tentar de novo na próxima semana e aí, sim, foi maravilhoso", explicou Igor.  

"O homem é muito mais inseguro do que a mulher, na maioria das vezes. Acho que a primeira vez não dei muita atenção para o que ele estava sentindo, porque para mim aquilo foi algo muito natural. Quando saímos, achei que ele estava um pouco perturbado pelo que viu lá dentro. A gente conversou bastante e voltamos na outra semana. Dessa vez eu já estava mais esperta e ajudei o Igor a se soltar. Acabou sendo incrível para nós dois", revelou.  
 
Apimentados
Durante os três anos seguintes, o casal participou de festas privadas onde havia troca de casais, frequentou estabelecimentos de swing e, em alguns casos, convidou terceiros para integrar a relação sexual do casal. "Acho que acabou sendo uma ótima maneira para que a gente se realizasse pessoal e sexualmente. A monogamia acaba caindo na mesmice, sempre o mesmo parceiro, o mesmo sexo, não tem novidade ali. Quando você entende que o sexo e o amor não estão necessariamente juntos o tempo todo, consegue se libertar desse tipo de ciúmes. O sexo é um impulso tão natural que não vemos motivos de reprimir isso. Acho que nos encontramos em um momento muito bom, em que os dois estavam dispostos a experimentar coisas novas. Acabou sendo a melhor coisa que já fizemos", falou Juliana.  

"Para mim foi mais difícil, mas vejo como algo positivo. Tenho uma vida sexual que me dá uma sensação de liberdade imensa. Pouquíssima gente pode dizer o mesmo. Agora, no caso de usar da troca de casais para tentar salvar uma relação, acho que o tiro acaba saindo pela culatra em algum momento", alertou o vendedor.   

O casal também conta que o amor entre eles cresceu ainda mais a partir das novas experiências. "Tem gente que acha que isso é falta de amor. Que não temos mais tesão um no outro e, por isso, procuramos alguém de fora. Não tem nada disso. Na verdade, me excita ainda mais ver que ele está curtindo tudo aquilo. A nossa cumplicidade floresceu ainda mais. Não somos como os outros casais. Acho até que o nosso sentimento é muito mais verdadeiro nesse sentido".

Questionados sobre dicas para os casais que desejam apimentar a relação e tentar a prática do swing, Juliana e Igor apontam uma série de erros e acertos na troca de casais. "Primeiro de tudo, encare como é: apenas sexo, uma vontade do ser humano como um animal qualquer. É uma necessidade fisiológica, nada além disso. Outra coisa é saber ser discreto: não adianta querer sair contando para todo mundo o que vocês dois fazem e com quem fazem. Nós mesmos não contamos para quase ninguém acho que apenas dois amigos sabem das nossas preferências. Por isso vamos até São Paulo, onde a chance de encontrar um conhecido é infinitamente menor. O mundo anda julgando demais as pessoas que se diferenciam do convencional. Se isso me faz feliz, quem é o outro para dizer que estou errada?", questionou.   

*O nome dos personagens foi alterado a pedido dos entrevistados de forma a impossibilitar a identificação  

Juliana e Igor namoram há quatro anos


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