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Arquivo: forte chuva causou morte há 20 anos em São Carlos

Tragédia aconteceu em dezembro de 1999. Professora perdeu controle de carro durante enchente, caiu em córrego e desapareceu nas águas.

| ACidadeON/São Carlos

O ACidade ON já buscou diversos temas e curiosidades do passado para contar um pouco da história de São Carlos. Desta vez, nossa reportagem foi aos arquivos para recuperar uma triste notícia do final do último século, porém que reforça o drama das fortes chuvas e os estragos que elas causam ao município.   

Carro caiu em trecho do rio Monjolinho durante um forte temporal - Foto: arquivo, reprodução/Fundação Pró-Memória

Há pouco mais de 20 anos, no dia 13 de dezembro de 1999, por volta de 18h40, um trágico acidente mobilizou e comoveu os são-carlenses. Durante o início de uma enchente, a professora de música Maria Bernadete Rossi Ferrari perdeu o controle de seu veículo, caiu dentro do córrego do Monjolinho e desapareceu nas águas. 

O acidente aconteceu próximo ao antigo restaurante Casa Branca, na Avenida Dr. Francisco Pereira Lopes, local que até hoje apresenta problemas durante temporais. Maria tinha 36 anos de idade e estava acompanhada de sua afilhada, uma adolescente de 14 anos, que conseguiu escapar pela janela do veículo. 

De acordo com reportagens divulgadas pelos jornais da época (A Folha e Primeira Página), após perder o controle e cair dentro do rio, a professora disse para a menina sair do carro e garantiu que tudo ficaria bem. A adolescente obedeceu. Maria não sabia nadar.  

Mais de 30 horas de buscas   

Bombeiros realizaram mais de 30 horas de buscas - Foto: arquivo, reprodução/Fundação Pró-Memória

A correnteza do Rio Monjolinho, intensificada pelas fortes chuvas, levaria o corpo da professora até a fazendo Pau d´Alho, em Ribeirão Bonito, aproximadamente 25 km de onde o acidente aconteceu. As buscas contaram com apoio de 45 homens do Corpo de Bombeiros de São Carlos e duraram mais de 30 horas. 

Os bombeiros percorreram a extensão do rio, partindo do ponto de onde o carro da professora foi retirado, passando pela rotatória do Cristo, pela usina hidrelétrica do Monjolinho, cachoeiras, por entulhos e pedras, até encontrarem o corpo de Maria preso a um emaranhado de galhos. A localização foi confirmada na quarta-feira, dia 15 de dezembro de 1999.  

Corpo foi encontrado cerca de 25 km do local do acidente - Foto: arquivo, reprodução/Fundação Pró-Memória

Homenagem 

O caso ganhou repercussão nacional e prendeu a atenção dos moradores de São Carlos. Muitos tinham a esperança de que a professora fosse encontrada com vida. Infelizmente não foi o que aconteceu. Maria se tornou a primeira vítima das enchentes na cidade. 

Várias pessoas homenagearam a memória da professora, querida por muitos alunos ao longo de sua trajetória profissional. Cinco meses após a tragédia, por meio da Lei nº 12.484, de 24 de abril de 2000, a Rua 9 do Jardim de Cresci recebeu o nome de Maria Bernadete Rossi Ferrari. Além disso, o mesmo nome foi dado ao Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do Jardim Pacaembu.  

Problema é antigo na cidade - Foto: arquivo, reprodução/Fundação Pró-Memória

Atualidade 
Mesmo com a fatalidade de 1999, as enchentes continuam representando graves problemas para o município. As fortes chuvas registradas desde o início de janeiro deste ano trouxeram as à tona as tragédias do passado. Como exemplo, vários comerciantes disseram que devem mudar seus estabelecimentos de local após serem atingidos por duas enchentes em menos de 10 dias. 

O medo não está apenas ligado aos prejuízos materiais. Há 52 anos trabalhando no Centro, Santo Antônio Zaccarin viu muita enchente passar pelo local, mas se espantou com os danos gerados no último domingo. "Vamos agradecer que não aconteceu nada pior. Se nós tivéssemos na ativa, de certo teríamos vítimas fatais", disse Toninho, que pretende deixar o local em breve. 

Ilhados 
Vale ressaltar que no dia 5 de janeiro, um homem e seu filho ficaram ilhados e tiveram que subir no teto do veículo para escapar do alagamento que se formou na região da rotatória do Cristo. 

Em entrevista ao portal ACidade ON, Leandro de Castro disse que seguia pela Avenida Henrique Gregori em direção ao McDonalds, a pedido do filho de 10 anos, que estava com vontade de comer um lanche. Naquele momento, a chuva estava fraca. Porém, após seguir viagem, pai e filho viveram um tremendo pesadelo em questão de segundos.   

"Quando desci com o carro, ele começou a flutuar e a correnteza arrastou o carro. O veículo desligou e não abria as portas, mas por sorte as janelas estavam abertas, então peguei o Gabriel, passei pela janela e o coloquei em cima do teto", contou Leandro.  

Além dele, 30 pessoas também passaram por sufoco dentro da mesma lanchonete no domingo passado. Outra enchente estourou os vidros do local e fez com que a água invadisse o interior do estabelecimento. O Corpo de Bombeiros conseguiu socorrer todas as vítimas com segurança. 

As ocorrências deste ano surgem como alerta para que as tragédias do passado sejam evitadas, em especial a de Maria Bernadete, que tem seu nome e sua história marcados pelas ruas de São Carlos. 


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