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Pesquisadores apontam celulares como 'arma' contra a Covid-19

Segundo o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (ICMC/USP), dados de rastreamento ajudam a adotar estratégias inteligentes de gestão contra a pandemia

| ACidadeON/São Carlos -

Pesquisadores apontam celulares como arma contra a Covid-19. Foto: Ilustrativa

Pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (ICMC/USP) afirmam que dados de dispositivos móveis podem ser utilizados como arma contra a Covid-19, sem ferir a privacidade da população. 

Segundo o professor da USP Fernando Osório, esse pequeno aparelho de comunicação por ondas eletromagnéticas estabelece conexões com redes de telefonias, WiFi , GPS e com bluetooth para ações de rastreamento. 

"Inicialmente, mesmo que você não esteja usando a localização, cada celular está conectado a uma torre em uma estação de rádio base que é normalmente a antena mais próxima da localidade. Se você se desloca, é registrada essa mudança de antenas e isso faz o rastreamento", explicou.  

Para o professor, coletar e analisar esses dados são de grande importância para que se possam adotar estratégias inteligentes de gestão na guerra contra o vírus.  

"Existem várias regulamentações para que seja protegida a privacidade das pessoas. O Brasil está em importação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), infelizmente justamente devido à pandemia, a implantação foi adiada assim como outras coisas. Essa nova lei busca proteger a privacidade das pessoas, os direitos de saber que você está sendo monitorado. 

A lei já está em vigor em diversos outros países e agora o Brasil tenta esse alinhamento. "O Brasil é um país que está se alinhando com outros países. A Europa já tem e os Estados Unidos também. É uma garantia para que a pessoa tenha a possibilidade de garantir essa privacidade e sua individualidade", disse Osório.  

Segundo informações oficiais, o Sistema Inteligente de Monitoramento (SIMI-SP) que está sendo utilizado pelo Governo do Estado de São Paulo, por exemplo, não possibilita a identificação do número do celular das pessoas.  

Tecnologia que ajuda
Para obter dados mais exatos sobre a proximidade de uma pessoa contaminada com alguém não contaminado, por exemplo, é necessário utilizar outras tecnologias, como o sistema bluetooth, que possibilita a conexão sem fio do celular com outros dispositivos eletrônicos.  

Por estabelecer uma conexão por meio de ondas curtas e de baixo alcance, o bluetooth só funciona se as pessoas estiverem perto umas das outras. Isso implica maior precisão na localização dos usuários do que as antenas das operadoras de telefonia móvel.  

"É uma ferramenta muito poderosa que já foi usada nas Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016, já houve esse rastreamento, só que as pessoas não sabiam. O que a gente deseja agora é usar ela como uma ferramenta efetiva de monitoramento de como as pessoas estão se comportando, se estão se aglomerando, se estão andando entre as cidades, e tudo isso e muito importante porque é a forma que controlamos a propagação do vírus. Ter o monitoramento é uma coisa positiva, mas claro que respeitando a privacidade e individualidade", concluiu o professor.


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