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Professor fala sobre aumento da perseguição contra minorias religiosas

André Ricardo de Souza, do Departamento de Sociologia da UFSCar, destacou ataques contra cultos afro-brasileiros. Além disso, falou sobre influência da religião no atual governo federal

| ACidadeON/São Carlos

 

Religiões de matriz africana são o principal alvo de intolerância em São Carlos. Foto: Divulgação

Hoje, 7 de janeiro, é o Dia da Liberdade de Cultos, data importante especialmente nos últimos anos no Brasil, quando cresce a intolerância em todos os sentidos.  

Segundo o professor do Departamento de Sociologia da UFSCar, André Ricardo de Souza, nos últimos anos, uma onda de intolerância cresceu em todos os sentidos e atingiu, é claro, as religiões, principalmente aquelas de matrizes africanas. "Tem havido uma crescente perseguição às minorias religiosas, sobretudo os adeptos dos cultos afro-brasileiros. Há também em relação a outros grupos religiosos, há depredação de monumentos católicos, há também queixas de intolerância contra crianças evangélicas em escolas. Mas a grande predominância dos casos é em relação aos adeptos dos cultos afro-brasileiros. Isso tem ganhando conotação, inclusive, de violência física, de coação e destruição de tempos".  

No Brasil, vivemos um estado laico, garantido constitucionalmente. Ou seja, existe uma separação entre o estado e os grupos religiosos, com o direito a todas as manifestações reconhecidas. No entanto, o professor André Souza considera que existe um caminho longo para garantir, de fato, um pluralismo religioso no Brasil. "A gente tem, no Brasil, uma laicidade relativa em função da grande influência ainda dos grupos religiosos sobre o estado e, em particular, sobre o atual governo federal brasileiro. Você vê uma influência fortíssima que acaba constrangendo a laicidade do estado".  

Segundo o professor de sociologia, quando se fala em religiões hoje no brasil, não dá para desconsiderar a força dos evangélicos no país, com forte participação, inclusive, na política nacional. "Os evangélicos, os grupos pentecostais em geral, cresceram em termos de representação política e têm cobrado, fazendo exigências maiores. Os pentecostais ingressaram na política partidária defendendo a liberdade religiosa no contexto da eleição para a assembleia constituinte. Porém, isso acabou, infelizmente, se degenerando, de modo a exacerbar as suas reinvindicações, constrangendo o estado laico, em certa medida". 

O professor André Souza ressalta que, hoje, tem havido ações importantes no sentido conciliação das religiões, de diálogo entre as crenças. Muitas religiões, inclusive, defendendo como legítima a prática dos cultos de origem africana, como o candomblé e umbanda, em prol da defesa da garantia da liberdade de cultos.



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