- Publicidade -
São CarlosCotidianoColunistasColuna Subtexto: Clássico é clássico

Coluna Subtexto: Clássico é clássico

A arte, de maneira geral, é cíclica e, com frequência, retomam-se práticas, estéticas e conceitos que, outrora foram considerados ultrapassados

- Publicidade -

Eu chego na casa do Jô, meu querido primo, professor de inglês por mais de quarenta anos para comemorar sua merecida aposentadoria. Cerveja aberta, brindes e risos. Tenho que te mostrar uma coisa. Alegria. No vídeo1, gravado em 2022, o maestro André Rieu recebe a cantora belgo-holandesa Dorona Alberyi e, juntos da fabulosa orquestra Johann Strauss apresentam um clássico da disco music, I will survive2.

Alguns meses antes, quando ensinava a história da Ópera, no curso de História da Arte, me deliciava com os olhos estupefatos dos alunos e alunas quando lhes mostrava “O fantasma da ópera3” apresentado pela banda de Heavy Metal, Nightwish, na voz da cantora holandesa Floor Jansen. Vale assistir, é simplesmente, assombroso.

- Publicidade -
- Publicidade -

A arte, de maneira geral, é cíclica e, com frequência, retomam-se práticas, estéticas e conceitos que, outrora foram considerados ultrapassados. No final da Idade Média, a Europa viveu um período de renascimento cultural e científico que ficou conhecido como Renascença. Embora, seus preceitos fossem novos para as pessoas da época, o Renascimento foi, na verdade, uma visita que artistas como Michelangelo e Leonardo da Vinci fizeram à arte da Antiguidade Clássica (aproximadamente 400 a.C a 100 a.C). No século seguinte, o exagero do Barroco veio desconstruir toda a limpeza e pureza visual e estética do Renascimento com seus excessos em curvas, detalhes e exuberância na dramaticidade com ouro e pedras preciosas levadas da América e da África colonizadas.

Mais alguns anos e, no século XIX, a arte retomaria os aspectos estéticos da Antiguidade Clássica, desta vez revisitando os renascentistas de duzentos e cinquenta anos antes. Surgia o período Neoclássico. É dele que quero falar.

Neste período, os artistas começaram a enxergar novamente a arte sob uma estética mais científica e limpa visualmente. Havia, na visão de pintores e escultures, a tentativa de representação exata daquilo de linhas e formas. Como os renascentistas, os artistas plásticos estudavam a fundo as proporções e detalhes do corpo humano para retratá-lo em sua essência. Na música, contudo, essa visita não foi possível, afinal, não haveria escavações que conseguissem encontrar sons gravados há dois mil anos. Assim, se as artes clássicas nascem sob o nome de Neoclássico, a música não poderia ser nova, pois os artistas não haviam tido contado com a música “velha”. Surge aquilo que conhecemos como música Clássica.

A grande mudança da música Barroca para aquilo que passamos a chamar de música clássica foi a troca do Cravo Barroco pelo piano Clássico. O cravo é um instrumento polifônico e dá aos ouvintes a sensação de que vários instrumentos estão sendo tocados ao mesmo tempo, respeitando a estética do exagero do Barroco. O piano clássico, contudo, traz uma sensação de limpeza e permite que ouçamos o som produzido por cada tecla tocada pelo artista individualmente.

- Publicidade -

Sendo um tipo de música que não apresenta voz ou texto para ser cantado, a música Clássica é, caracteristicamente, uma música instrumental e foi elitizada por muito tempo. Talvez ainda seja.  Contudo, um gênio chamado Ludwig Von Beethoven4, que musicalmente fez parte da transição do período Neoclássico para o Romântico, resolveu tirar as peças que compunha das salas de exibição e levá-las para as praças, popularizando canções que antes só eram conhecidas pela nobreza. Assim, as pessoas não só começaram a conhecer a música erudita (muitos preferem esse termo à música clássica, embora eu o considere pedante), mas a cantarolar sua melodia, fazendo, há mais de duzentos anos, o que André Rieu e a banda Nightwish fazem hoje em dia com brilhantismo: misturar o Clássico e o Popular.

- Publicidade -

Tanto Beethoven quanto os artistas atuais perceberam que a música é a única das artes que tem seu próprio tempo, que não espera pelo espectador que, para apreciá-la precisa ouvi-la mais do que uma vez para poder memorizá-la e antecipar a beleza do próximo acorde, passando, assim, a gostar dela. Como disseram no final da década de 90 a dupla de humoristas Be & Thoven, é preciso segurar o Tchan, pelo menos o último, para que a música se torne popular. Tchan, tchan, tchan, tchan. E o Jô abriu outra cerveja.

- Publicidade -
  1. https://www.youtube.com/watch?v=Y6rbE4Z7P_s
  2. “I Will Survive” é uma canção que ficou famosa na voz da cantora norte-americana Gloria Gaynor. Lançada no final de 1978, foi escrita por Freddie Perren e Dino Fekaris e, mais tarde, tornou-se um hino gay e canção representativa de empoderamento da comunidade LGBTQIA+.
  3. O Fantasma da Ópera” (em francês: Le Fantôme de l’Opéra) é um romance gótico de Gaston Leroux, publicado pela primeira vez em 1910. A história gira em torno de um misterioso “fantasma” que assombra a Ópera de Paris, causando estragos e paixões, especialmente por uma jovem cantora chamada Christine Daaé. O romance também inspirou inúmeras adaptações, incluindo filmes, musicais e peças de teatro. A canção, adaptada pela banda Nightwish, foi composta pelo músico Andrew Lloyd Webber que contou à imprensa britânica que passou por uma experiência sobrenatural em sua casa em Londres.
  4. Ludwig van Beethoven (17 de dezembro de 1770 – 26 de março de 1827) foi um compositor e pianista alemão. Ele é uma das figuras mais reverenciadas na história da música ocidental; suas obras estão entre as mais executadas do repertório da música clássica e abrangem a transição do período clássico para a era romântica neste gênero musical.

🔔 FIQUE ON!

Quer se manter bem informado no maior portal de notícias do interior de São Paulo? Fique on com os nossos grupos, canais e redes sociais, acesse abaixo:

🟡 Canal no WhatsApp

🟣 Canal no Instagram

Canal no TikTok

🟢 Comunidade no WhatsApp

🔵 acidade on no Facebook

🟠 acidade on no Instagram

👷🏼 acidade on Empregos no WhatsApp

📢 Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre São Carlos e região por meio do WhatsApp do acidade on: (16) 99149-9787.

- Publicidade -
- Publicidade -
Glauco Keller
Glauco Keller
Glauco Keller é jornalista, professor da área de linguagens e história da arte. É mestrando em educação e apresenta semanalmente o Programa Subtexto pela Rádio UFSCar, no qual entrevista escritores e artistas. É autor do livro de crônicas Mata-burro.

veja mais

- Publicidade -

Recomendado por Taboola

Notícias Relacionadas