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Infectologista vê flexibilização do comércio como 'medida arriscada'

Comércio deve voltar a funcionar em dias alternados e de acordo com o segmento do lojista a partir desta quinta-feira (28)

| ACidadeON/São Carlos

Um dia antes da flexibilização, comércio de São Carlos (SP) já registra aumento na movimentação. Foto: ACidade ON

A flexibilização do comércio de São Carlos (SP) anunciada pela prefeitura começa a valer a partir desta quinta-feira (28), em dias alternados e de acordo com o tipo de estabelecimento. Com o aumento diário de casos confirmados de coronavírus, a decisão traz consigo uma certa apreensão de profissionais da área da saúde.  

Segundo a prefeitura, a decisão da reabertura do comércio se dá pela criação de novos leitos na cidade, inclusive de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), e pelo número controlado da doença. No momento, o município segue com 107 casos, 11 deles confirmados na terça-feira.  

Para o infectologista e professor do curso de medicina da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Bernardino Alves Souto, a justificativa de que a cidade tem UTIs suficientes desconsidera qual deve ser a preocupação central neste momento de combate à pandemia.  

"Nós temos que entender o seguinte, nós não podemos nos conformar com a ideia de que a meta seja de que as pessoas podem ir para a UTI, as pessoas não podem ir pra UTI. A meta tem que ser nós evitarmos ou até impedirmos que as pessoas precisem de UTI, porque na UTI o tratamento é caro e a mortalidade é muito alta, então colocar leitos de UTI na conta para flexibilizar o isolamento social é uma medida que acho que não contribui para o controle ideal e adequado da epidemia de Covid-19", comentou.  

Segundo Souto, os dados técnicos do município não são favoráveis com uma medida de flexibilização do isolamento social. "Tecnicamente falando, essa medida de flexibilizar neste momento o isolamento social é extremamente arriscada. A curva epidêmica ainda está em ascensão, e isso significa que qualquer tentativa de flexibilização pode ser muito perigosa", disse.   

Medida positiva
Atualmente, o isolamento social é considerada a única ferramenta eficaz para evitar o avanço da Covid-19 no Brasil. A projeção do Centro de Contingência do Estado de São Paulo apresentou nesta quarta-feira (27) um balanço que indica que a medida salvou mais de 65 mil vidas.  

Segundo dados de terça-feira (26) divulgados pelo Sistema de Monitoramento do Governo do Estado (Simi-SP), hoje o estado tem uma média de 47% de adesão ao isolamento, enquanto na capital o índice atinge 49%. O recomendado é que os índices estejam entre 55% e 60%.  

Para Bernardino, a flexibilização do isolamento social na situação em que o município se encontra pode trazer um custo/prejuízo muito maior do que o esperado.  

"O isolamento social é investimento, ele não tem custo, porque perda e custo, com uma epidemia deste porte, ela gera mesmo, não tem jeito. O que temos que fazer é reduzir o dano, reduzir a perda. Hoje o que nós temos no Brasil como estratégia para reduzir a perda é o isolamento. A flexibilização no momento de ascensão da curva epidêmica não deu certo em lugar nenhum. Todos os lugares que fizeram isso tiveram que retroceder e tiveram um prejuízo econômico muito maior do que se tivessem mantido o isolamento social, além da perda de vidas que também foi maior quando isso aconteceu", finalizou o infectologista.  

Veja como deve funcionar o comércio a partir da quinta-feira (28) e quais as categorias que foram autorizadas a abrir.

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