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Vereadores são contra a volta às aulas em São Carlos

Consulta pública e uma audiência virtual serão abertas para que a população seja ouvida. Secretário de Educação afirma que não há condições de retorno

| ACidadeON/São Carlos

Aulas presenciais estão suspensas desde março em São Carlos. (Foto ilustrativa: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
 

A Câmara Municipal de São Carlos retomou as sessões ordinárias nesta terça-feira (4). Na semana passada, o trabalho do Legislativo precisou ser suspenso após o vereador Paraná Filho (PSL) testar positivo para Covid-19.  

Ainda sem a presença do parlamentar, que já está curado da doença e se recupera em casa, a maioria dos outros vereadores presentes debateu a questão da educação em São Carlos.  

O vereador Roselei Françoso (MDB) teve um requerimento aprovado para que uma consulta pública seja aberta para discutir com a população a possibilidade ou não da volta às aulas na cidade. "As professoras têm total razão quando dizem que a rede municipal e a rede estadual não estão preparadas para retornar as atividades presencialmente. A gente precisa, urgentemente, criar na cidade de São Carlos um protocolo para discutir quando retornar e como nós vamos retornar. Temos crianças de zero anos de idade, ou seja, seis meses de vida até 90 anos, no caso do EJA [Educação para Jovens e Adultos]. Então é extremamente importante que a gente faça essa discussão", afirmou.  

Outro requerimento aprovado sobre a questão foi do Elton Carvalho (Republicanos), que solicitou informações sobre o planejamento para a volta das aulas na cidade e qual será o protocolo sanitário adotado pela Secretaria de Educação. "O governo estadual vem trazendo informações e a vontade de voltar às aulas em setembro, é inadmissível isso, a gente tem que ter protocolos. É difícil a gente segurar a inquietude de uma criança de 7 anos na escola. Essa criança não sabe se prevenir, não sabe se cuidar, ela não usa uma máscara. Então a gente precisa tomar cuidado com esse assunto", disse Elton.   

Vereador Gustavo Pozzi. Foto de arquivo

Por fim, o vereador Gustavo Pozzi (PL), que também é professor, solicitou uma audiência pública virtual para levar o debate até os pais, professores e toda a sociedade civil. "Eu vejo essa situação com muita preocupação. Eu conheço o dia a dia da sala de aula, eu conheço o dia a dia das escolas, porque sou professor desde 2010. Quando o Elton falava sobre os alunos usarem máscara, nas escolas nós já temos um problema que é de disciplina que, com muito custo, sem pandemia, os professores têm que se virar nos 30 para controlar um pouquinho a ordem dentro da sala. "  

"Eu fico imaginando como seria o professor, além de ter que dar a sua aula, controlar o aluno num distanciamento de dois metros e ainda usando máscara. Isso ainda no ensino médio, no terceiro ano, se a gente tiver muita consciência dos alunos, e eu sou professor no ensino médio do terceiro ano e vejo isso com muita dificuldade. Como fazer isso se forma segura nas escolas? ", questionou Pozzi.  

Outro lado

Procurado pela reportagem do ACidade ON São Carlos, o secretário de Educação, Nino Mengatti, disse que está seguindo a ciência e também se posicionou contrariamente ao retorno das aulas na Rede Pública Municipal. "Eu defendo a vida: ano letivo se repõe, a vida não. Mantenho minha posição, que é a do prefeito também. É desnecessário abrir consulta, eu acho que 80% da população, a grande maioria, não quer levar seus filhos para a escola. Veja os casos crescendo em São Carlos, Rio Claro, Araraquara. Não há a menor condição de volta às aulas agora, seria um genocídio. A vida acima de tudo", afirmou Mengatti.  

Airton Garcia e o secretário Nino Mengatti. Foto: Divulgação


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