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Governo teme que veto da Índia afete importação da vacina de Oxford pelo Brasil

Dois milhões de doses deveriam ser entregues pelo Serum Institute, um dos centros de produção da vacina no país asiático, até o dia 20 de janeiro.

| FOLHAPRESS

Vacina contra a covid-19 da AstraZeneca (Foto ilustrativa: Reuters/Folhapress)
 

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O risco de que a Índia vete exportações de vacinas contra a Covid-19 lançou dúvidas sobre o impacto na importação pelo Brasil de 2 milhões de doses da vacina da Universidade de Oxford/AstraZeneca.As doses deveriam ser entregues pelo Serum Institute, um dos centros de produção da vacina no país asiático.  

No domingo (3), porém, o CEO do instituto, Adar Poonawalla, disse à Associated Press que a Índia não permitirá a exportação nos próximos meses das doses da vacina de Oxford que produzirá. 

A situação levou a Fiocruz, que articula a importação em conjunto com a AstraZeneca, a acionar o Ministério das Relações Exteriores para tentar garantir que o lote chegue no Brasil até 20 de janeiro. 

Segundo fontes ligadas à instituição, o objetivo é verificar um eventual impacto da medida e garantir uma saída diplomática caso haja entrave à liberação. A ideia do governo é usar as doses para iniciar a vacinação no país. 

O Serum Institute havia sido contratado para produzir 1 bilhão de doses do imunizante para países em desenvolvimento. "Só podemos dar [as vacinas] ao governo da Índia no momento", informou. 

A vacina de Oxford é hoje a principal aposta do governo brasileiro para iniciar a imunização contra Covid-19 no país.  

O imunizante é desenvolvido pela AstraZeneca com a Universidade de Oxford, que tem uma parceria no Brasil com a Fiocruz. 

O pedido para importar as 2 milhões de doses foi enviado pela Fiocruz à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no dia 31 de dezembro e liberado pela agência na mesma data, de forma excepcional. 

Em ofício enviado à agência, a Fiocruz alegou que a medida faz parte de uma estratégia para tentar garantir o início da vacinação ainda em janeiro.  

Até então, a Fiocruz planejava entregar as primeiras doses da vacina, obtidas por meio de produção nacional, em 8 de fevereiro. 

Uma negociação com a AstraZeneca, no entanto, abriu a possibilidade de adiantar as datas por meio de doses importadas e enviadas já prontas.  

A previsão era que elas fossem entregues pelo Serum Institute, um dos centros de produção da vacina de Oxford no mundo. Enquanto isso, a Fiocruz pediria à Anvisa aval para uso emergencial das doses. 

Questionada pela reportagem sobre o risco de que veto da Índia afete a obtenção de doses, a Fiocruz disse em nota que "o Ministério das Relações Exteriores está à frente das negociações relacionadas à importação das doses prontas das vacinas da Índia". 

Uma das esperanças do governo brasileiro é que o número de doses negociado com o Serum Institute seja considerado pequeno diante da capacidade de produção da instituição.  

Autoridades brasileiras também apostam na relação de proximidade entre os dois governos e no fato de o instituto indiano ter feito acordos globais para fornecer o imunizante de Oxford. 

No entanto, alguns fatores pesam contra uma solução para viabilizar a exportação.  

O principal deles é a pressão da opinião indiana para que sua população seja imunizada antes que vendas para o exterior sejam realizadas. 

A reportagem procurou o Ministério da Saúde e a AstraZeneca, que informam que cabe à Fiocruz comentar o caso. A Embaixada da Índia também foi procurada, mas não comentou. O Itamaraty não respondeu.


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