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Após início da imunização, cresce disseminação de notícias falsas sobre vacina

O teor da maioria dos posts trata do suposto perigo das vacinas e faz referências a diversas teorias da conspiração

| FOLHAPRESS

Fake News (Foto: Pixabay)
A disseminação de notícias falsas sobre as vacinas contra a Covid-19 pelas redes sociais cresceu após o início da imunização no Brasil, mostra análise da União Pró-Vacina, projeto da USP-Ribeirão que monitora desde 2019 os dois maiores grupos antivacina atuando no país.Entre maio e julho de 2020, período em que começaram os testes dos imunizantes no país, o número de publicações mensais alcançou, no máximo, 87. Em dezembro foram 111.   

Em janeiro deste ano, 257.A segunda quinzena de janeiro, período que coincide com a aprovação pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) do uso emergencial das vacinas Coronavac, do Butantan e da Sinovac, e Covishield, da Universidade de Oxford e da AstraZeneca, e início da vacinação, concentrou quase 40% das publicações.  

O teor da maioria dessas postagens trata do suposto perigo das vacinas (45,1%) e faz referências a diversas teorias da conspiração (19%). Ainda persistem outras desinformações usadas pelos grupos antivacina, como alteração do DNA humano (5,7%), conspirações políticas envolvendo os imunizantes (4,9%), ausência de eficácia (4,3%) e uso de fetos abortados na fabricação desses produtos (3,3%).  

Segundo o pesquisador João Henrique Rafael, analista de comunicação do Instituto de Estudos Avançados da USP-Ribeirão e idealizador do projeto, houve uma mudança de teor do conteúdo anti-vacina. "Eles saíram de publicações genéricas para postagens com falsos casos de mortes ou de reações graves. É o clássico caso do bombeiro tal, da enfermeira tal que tomaram a vacina e morreram."  

As postagens utilizam principalmente vídeos (41,6%), links (24,5%), imagens (22%) e textos (11,7%). A maior parte está em português (71,2%), mas há ainda conteúdo em inglês (19,8%), espanhol (7,1%) e outros idiomas (1,9%).O volume de interação dos participantes dos grupos com o conteúdo segue alto, segundo Rafael. As 368 postagens de dezembro e janeiro obtiveram 3.942 reações, 1.313 comentários e 2.372 compartilhamentos. No total, 126 autores foram responsáveis por todas postagens, sendo que 16 responderam por quase metade das publicações (48,10%).  

De acordo com o pesquisador, apesar de circular informações falsas sobre vacina em várias plataformas, grupos organizados antivacina, que já atuavam há anos na disseminação de conteúdo falso, só foram encontrados no Facebook.A análise demonstra que o posicionamento do Facebook em dezembro, afirmando que iria remover postagens que trouxessem alegações falsas sobre vacinas contra a Covid-19, não teve efeito prático nesses grupos.   

Até mesmo a marcação de conteúdo falso foi falha, segundo Rafael: apenas 7,6% das publicações analisadas pelo grupo da USP entre dezembro e janeiro continham um alerta.No início de fevereiro, porém, o Facebook atualizou novamente suas diretrizes e disse que removeria grupos, páginas e contas que compartilhassem repetidamente informações falsas sobre Covid-19 e vacinas."Aparentemente um dos grupos mais ativos, com 13 mil membros, o Facebook derrubou. Não é mais possível acessá-lo desde o dia 10. É uma política tardia, quase um ano depois da pandemia, mas parece que acertou em cheio esses grupos", afirma Rafael.   

O outro grupo, que soma cerca de 15 mil usuários e tem seis anos de atuação, segue disseminando conteúdo falso."Vamos cobrar para que esse grupo também seja derrubado e que o Facebook não permita que novas páginas surjam para ocupar o espaço das que foram derrubadas. Vimos que já tem uma nova [página] surgida em janeiro."  

Para ele, é importante que as plataformas de redes sociais atuem firmemente contra esses grupos para evitar o desencorajamento das pessoas na vacinação. "Com o avanço da imunização, as pessoas que acreditavam nessas teorias absurdas também vão percebendo que ninguém entrou em metamorfose e virou jacaré", brinca.Pesquisa Datafolha aponta que aumentaram a aceitação aos imunizantes e o medo de contrair a Covid-19.


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