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Pais relatam medo e preocupação com retorno presencial das aulas

Muitos afirmaram que, caso as aulas da rede estadual retornem de fato em setembro, não levarão os filhos

| ACidadeON/São Carlos

Foto: Divulgação/Prefeitura São Carlos
O anúncio do Governo do Estado de São Paulo sobre um possível retorno presencial das aulas a partir de setembro causou preocupação em pais de São Carlos (SP), com filhos em escolas estaduais.  

A informação foi divulgada na última quarta-feira (24), durante coletiva de imprensa. Segundo o Governo, a previsão é de que até lá os municípios já estejam classificados na Fase Amarela da flexibilização, possibilitando o retorno gradual e com capacidade de 35% inicialmente.  

Porém, especialistas em Saúde e Educação estão questionando tal retorno por considerarem pouco seguro para a saúde das crianças, adolescentes, jovens, professores e funcionários dos estabelecimentos de ensino.  

Essa também é a preocupação de muitos pais e responsáveis como a dona de casa Rosa Maria Luiz, que tem um filho de 13 anos e afirma que não tem coragem de pensar em mandar o filho de volta para a escola.  

"É muito complicado. Eu mesma não teria coragem de levar meu filho para a escola, sinceramente não acredito que as aulas vão retornar em setembro, está tudo muito incerto ainda. Sem contar que as escolas não estão preparadas e adaptadas para receber as crianças, precisamos nos sentir seguros para que isso aconteça"  

Uma profissional da saúde que não quis ter o nome divulgado tem também tem um filho em idade escolar. Para ela, o estado está se precipitando.  

"As aulas não deveriam retornar presencialmente devido ao risco dessas crianças, porque crianças não conseguem toma todos os cuidados que são necessários neste momento, e também porque elas convivem em casa com pessoas que são do grupo de risco, muitas crianças convivem com portadores de doenç=as crônicas, idosos, então acredito que neste momento não é uma boa decisão", comentou.  

A saúde é a principal preocupação das mães, pais e responsáveis, mas também dos professores. A Roberta da Silva Monteiro é professora de artes na rede estadual e está insegurança com a volta do ensino presencial.  

"O aluno às vezes peca porque quer um abraço, um aperto de mão, quer estar perto, também na educação com os pequenos de 5 e 6 anos, eles não se contentam em dar apenas um bom dia, querem um contato físico. Nós estaremos expostos o tempo todo, e moinha preocupação também é com os próprios alunos. Como nós faremos toda essa interação com a volta?"  

Esquema de revezamento
O retorno escolar presencial, em um primeiro momento, será feito em sistema de revezamento entre os alunos que passarão alguns dias na escola e outros em casa com aulas online.  

E nesse cenário surge o problema da logística. Como os adultos vão se organizar para manter essa rotina dos menores?
E se o panorama já é complicado pensando nos pais, imagina para os professores e professoras que têm filhos em idade escolar?  

É o caso da roberta, a professora de artes na rede estadual, que tem três filhos na escola. Roberta diz que tem o privilégio de ter com quem contar, mas sabe que não é assim para todo mundo. "Uma nova rotina deverá ser criada, mas tenho o privilégio de possuir uma pessoa que pode me ajudar com esse retorno. Porém, esse não é o privilégio de muitas famílias, o revezamento só vai dificultar ainda mais os que têm filhos em mais de uma escola"  

O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp) afirmou que os professores da rede estadual podem entrar em greve após o anúncio. O Centro do Professorado Paulista, a União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES) e a Federação dos Professores do Estado de São Paulo (Fepesp) assinaram uma nota pública criticando a reabertura.


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