Estudo da UFSCar avalia o aproveitamento de restos de alimentos do Restaurante Universitário e de podas de áreas verdes na produção de biogás e biometano, fontes de energia capazes de substituir o gás natural fóssil em aquecimento, geração de eletricidade e até como combustível.
A pesquisa, do Departamento de Química, está no segundo ano de execução e integra atividades práticas em laboratório, análises econômicas e estudos de viabilidade. A equipe estuda a biodigestão anaeróbia – processo em que microrganismos degradam matéria orgânica na ausência de oxigênio, produzindo biogás. A partir disso, são testadas diferentes combinações de substratos, pré-tratamentos e condições operacionais para otimizar o rendimento do sistema.
Segundo o docente Fábio Bentes Freire, a proposta acompanha movimentos globais pela transição energética e pelo uso de tecnologias circulares.
“A iniciativa busca comprovar que resíduos orgânicos, hoje subaproveitados, podem gerar energia local, reduzir impactos ambientais e se integrar a outras fontes renováveis. O objetivo é verificar, com rigor metodológico, se esse modelo pode ser escalado dentro da própria universidade e futuramente replicado por outras instituições”, descreve.
Além das etapas experimentais, o projeto inclui modelagem, simulação e análise de ciclo de vida do sistema, com base em protocolos internacionais e softwares específicos. Como parte do planejamento energético do campus, a equipe também avalia a integração com sistemas fotovoltaicos, considerando disponibilidade de área, radiação solar média, padrões de consumo energético e cenários de retorno financeiro. Nessa perspectiva, a energia solar funciona como fonte complementar ao biogás e biometano, fornecendo eletricidade adicional e maior estabilidade ao conjunto energético local.
Freire reforça que a pesquisa não se limita ao desenvolvimento tecnológico, mas também examina condições reais de implementação. “Energia renovável envolve decisões de longo prazo, investimento inicial, governança e métricas de impacto. Nosso papel é entregar uma base sólida para que a UFSCar possa decidir com segurança se esse caminho é ambiental, técnica e economicamente viável”, afirma.
Os resultados preliminares já foram apresentados em eventos científicos nacionais e internacionais, e artigos estão em fase final de elaboração. A iniciativa também integra atividades de iniciação científica, trabalhos de conclusão de curso e mestrado, contribuindo para a formação de profissionais especializados em bioenergia e gestão de resíduos.
Para o pesquisador, a dimensão formativa é parte essencial do projeto. “Criar conhecimento e formar pessoas capacitadas para lidar com os desafios da transição energética é tão importante quanto os resultados técnicos. Estamos contribuindo para uma cultura que entende resíduo como recurso, e não como problema”, complementa.
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