
A falta de professores tem sido um problema frequente em São Carlos, principalmente na educação infantil. Neste primeiro mês de ano letivo, pais reclamaram sobre terem o direito à educação negado com a ausência das aulas, e segundo o Cfei/UFSCar (Centro de Pesquisa da Criança e Formação de Educadores da Infância), a situação prejudica o desenvolvimento das crianças de diversas maneiras.
O Diário Oficial do município trouxe na terça-feira (7) uma relação de aulas que estão “disponíveis para contratação” por tempo determinado de professores habilitados em professo seletivo, ou seja, sem profissionais. Ao todo, foram listadas 27 unidades escolares entre Cemeis, Emebs e Emeja.
A especialista em educação infantil e pesquisadora do Cfei, Julia Pimenta, explica que a educação é o direito do aluno, e por isso, a ausência das aulas é passível de ser questionada. Além disso, ela aponta que é preocupante que a rede pública não tenha realizado a demanda antes de fevereiro.
“A prefeitura sabe, a escola sabe que eles precisam dos professores no primeiro dia de aula, então esse é um processo que tem que iniciar antes, porque a prefeitura também sabe que é um processo demorado”, disse.
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Um passo de cada vez
A pesquisadora comenta que a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) mudou questões importantes na educação infantil e trouxe entendimento amplo sobre essa educação como um projeto educativo, mas ainda é preciso um olhar minucioso.
“Um dia que a criança que fica fora está em desigualdade com aquela que tem escola, é função do poder público organizar a logística à sua situação funcional, dos seus professores, para eles estarem presentes na escola desde o primeiro dia. Preciso também me preparar para a valorização docente, contratação, carreiras”, completou.

A especialista explica que a educação infantil ainda carece de entendimentos por vir de dois modelos de educação: assistencialista, onde a criança é deixada “para a mãe trabalhar”, e preparatório, perfil das antigas pré-escolas.
“Essa história ajuda a gente a reafirmar o direito da criança a brincar, criar, estabelecer relações, encontrar outras crianças e outros adultos diferentes da família, e esse lugar é a escola, então um dia a menos nesse espaço é prejudicial. É um dia a menos de experiência, um dia a menos de contato com novas pessoas, então é ruim não estar na escola”.
Segundo Pimenta, a escola é um espaço importante também para desenvolvimento de três funções, sendo elas a social – acolhimento, desenvolvimento e socialização; a política – que coloca todas as crianças em um patamar único; e a pedagógica – o aprendizado como um todo, incluindo educação familiar.
“A gente vive num momento de desconhecimento muito grande das pessoas, da sociedade, de quem organiza as políticas públicas de atendimento para com as crianças enquanto sujeitos de direito dentro da sociedade. Desconhecimento, inclusive, dos processos de aprendizagem e consequentemente dos projetos educativos. É preciso entender melhor a criança e entender melhor a educação infantil”, concluiu.
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