Uma mulher está internada há mais de 24 horas na UPA da Vila Prado, em São Carlos, à espera de transferência para a Santa Casa, após apresentar um quadro de fortes dores abdominais e suspeita de obstrução ou aderência intestinal.
Segundo o marido, que relatou o caso ao acidade on, o estado dela exige avaliação cirúrgica, mas o pedido de transferência foi negado pelo sistema Cross.
De acordo com o relato, a paciente sofre de doença de Crohn, uma condição inflamatória crônica do intestino, e já passou por duas cirurgias de apendicite — sendo a segunda necessária devido a complicações da primeira.
“A dor dela é constante, e mesmo a médica da UPA solicitando a transferência, eles não aceitam. Os medicamentos intravenosos dão um breve alívio, mas a dor logo volta”, relatou o marido.
Segundo ele, a Santa Casa teria negado o recebimento da paciente com a justificativa de que o caso deveria ser tratado na Unidade Básica de Saúde (UBS). No entanto, o homem afirma que a esposa aguarda há três anos uma consulta com gastroenterologista pelo SUS.
“Ela procurou a UBS do Cruzeiro do Sul há três anos e pediu a consulta com o especialista. Até hoje não foi chamada. Enquanto isso foi se tratando com os medicamentos antigos, mas o quadro piorou muito nos últimos 40 dias”, contou.
Ainda de acordo com o relato, a mulher já havia procurado atendimento em outras oportunidades.
“Ela foi à maternidade, recebeu antibióticos fortes, mas não resolveu. Voltou à UPA três ou quatro vezes, era medicada e liberada. Ontem, teve uma crise tão forte que não conseguia ficar em pé. O Samu precisou levá-la à UPA da Vila Prado, onde está até agora, tomando medicação na veia”, relatou.
A equipe médica da UPA teria aberto o chamado no sistema Cross (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde) na quinta-feira (06), mas o pedido ficou em análise por mais de 24 horas.
“A médica disse que o caso foi negado porque a Santa Casa entende que não é urgência. Mas ela sente dor o tempo todo. No feriado, fomos até a UPA da Aracy e também recebemos negativa. Nós aceitamos ir até outra cidade, se for o caso, só queremos que ela seja atendida”, disse o marido.
A reportagem do acidade on entrou em contato com a Secretaria de Estado da Saúde, que não respondeu até a publicação desta matéria.
A Santa Casa de São Carlos também foi questionada sobre o caso, mas não deu retorno até o fechamento da reportagem.
*Atualização 16h14: Em nota a Secretaria de Estado da Saúde informou que a Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross) encerrou a solicitação de transferência da paciente nesta sexta-feira (07).
O que diz a Prefeitura?
A Prefeitura de São Carlos informou que a paciente foi atendida na UPA da Vila Prado e passa por acompanhamento e realização de exames. Segundo o município, o caso não apresenta indícios de urgência médica ou necessidade de intervenção imediata, sendo compatível com uma condição de investigação ambulatorial.
Ainda conforme a nota, foram feitos exames laboratoriais e radiografia de abdome, que não apontaram sinais de infecção, obstrução intestinal ou complicações graves. A paciente também relatou disúria (dor ao urinar), e o resultado do exame de urina ainda está sendo aguardado para avaliar a necessidade de tratamento com antibióticos.
A paciente não foi liberada com dor intensa não controlada, recebeu medicação analgésica e orientações sobre acompanhamento ambulatorial, além de informações sobre os sinais de alerta que justificariam retorno imediato à unidade de emergência.
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