Com Agência Fapesp
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Pesquisadores do Instituto de Química de São Carlos, da USP, em parceria com cientistas dos Estados Unidos, relacionaram a redução de uma proteína ligada à formação de memória humana à uma reação química que “anula” genes.
A pesquisa foi publicada no periódico científico Biochimica et Biophysica Acta (BBA) e afirma que a proteína PKMzeta, reconhecidamente ligada a processos de formação de memória e fortalecimento de sinapses, pode ter a sua produção reduzida por causa de reações de metilação nos genes. Nessa reação química, moléculas do grupo metil se “grudam” à PKMzeta, impedindo a produção de mais compostos, em uma explicação bastante simplificada.
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De acordo com os pesquisadores, concentrações reduzidas de PKMzeta são relacionadas à depressão, envelhecimento e ao Alzheimer.
“Nós revelamos que a metilação do DNA regula a expressão desse gene, o que pode ter um papel em certas patologias”, afirma a professora do IQSC e orientadora do trabalho Deborah Schechtman. “Eu acredito que uma ciência básica bem-feita oferece caminhos para o desenvolvimento de drogas e avanços terapêuticos”, completa.
A pesquisa são-carlense usou banco de dados internacionais, como as da Universidade de Yale e a Suny Upstate Medical University, ambas dos Estados Unidos, revelou o biomédico Dimitrius Pramio, primeiro autor do artigo.
“Usamos bancos de dados disponíveis, células humanas isoladas ou modificadas em laboratório e células de animais”.
Novos caminhos
Os estudos sobre a metilação e sua relação com a proteína “da memória” abrem caminho para vias de atuação a nível celular. Técnicas e drogas foram aplicadas para entender de qual forma a produção da PKMzeta era afetada. Entre as “vias” estão drogas que interferem na metilação do DNA até a Crispr, de edição genética.
Os cientistas também analisaram a inibição de outras proteínas do sistema nervoso central pela hipermetilação do DNA.
Os estudos da USP São Carlos colaboram com outros caminhos possível de investigação, sob a ótica química, para verificar qual o papel da metilação do DNA no desenvolvimento de doenças. Mais uma possibilidade é a busca por um entendimento mais refinado sobre o papel da PKMzeta no sistema nervoso central. “Sabemos que ela está envolvida com a memória. Mas como ela faz isso em detalhes? Essa é uma pergunta relevante”, destaca Schechtman.
Dimitrius Pramio acrescenta que também é importante testar esse mecanismo encontrado em modelos mais precisos. É possível examinar áreas específicas do cérebro, ou mesmo modelos animais de certas doenças, como Alzheimer e depressão. “Outros artigos mostram, por exemplo, que o uso de certos antidepressivos em modelos animais de depressão restabelece a expressão do gene PKMzeta que estava inibida. Mas a metilação do DNA não foi investigada aí”, ressalta o biomédico.
Para Pramio, o avanço nessas linhas de pesquisa pode, no futuro, contribuir para novos tratamentos – um fator especialmente importante para a depressão e o Alzheimer, condições ainda desafiadoras para os médicos.
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