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São CarlosCotidianoPesquisadora da UFSCar vence prêmio "Para Mulheres na Ciência", da Unesco

Pesquisadora da UFSCar vence prêmio “Para Mulheres na Ciência”, da Unesco

Daiane Zuanetti conduz projeto para propor métodos estatísticos eficazes e eficientes para descrever tendências e fazer previsões a partir de dados genéticos

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Daiane Zuanetti, a terceira da direita para a esquerda, é uma das vencedoras de prêmio. (Foto: Divulgação/L'Oréal)
Daiane Zuanetti, a terceira da direita para a esquerda, é uma das vencedoras de prêmio. (Foto: Divulgação/L’Oréal)

A pesquisadora e professora Daiane Aparecida Zuanetti, da Universidade Federal de São Carlos, foi uma das vencedoras do programa Para Mulheres na Ciência, da Unesco, Academia Brasileira de Ciências e L’Oréal Brasil. O prêmio será entregue na próxima quarta (30), no Rio de Janeiro.

O prêmio seleciona pesquisas de estudiosas nas áreas de Matemática, Ciências Químicas, Ciências Físicas e Ciências da Vida. Sete mulheres são selecionadas com o objetivo de promover e reconhecer a participação feminina na ciência, favorecendo o equilíbrio entre os gêneros no cenário brasileiro. As ganhadoras receberão bolsa-auxílio de R$ 50 mil cada para dar prosseguimento aos estudos.

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Vencedora na categoria Matemática, Daiane conduz projeto para propor métodos estatísticos eficazes e eficientes para descrever tendências e fazer previsões a partir de dados genéticos, analisando sequências de RNA encontradas em células únicas, isto é, analisadas individualmente, e não em massa. A ideia é disponibilizar essas novas metodologias computacionais publicamente, para que a comunidade científica tenha acesso a elas e possa aplicá-las não apenas na área da saúde humana, mas também em pesquisas sobre saúde animal e melhoramento genético de plantas para a agricultura.
 

“Por meio dessas técnicas, podemos identificar que fatores genéticos determinam, por exemplo, o aparecimento de uma doença, ou fatores de risco para uma doença, ou, ainda, que alguém seja resistente a uma determinada doença. Isso tem um impacto potencial sobre a forma como diagnosticamos e tratamos essas doenças”.

Incentivo que vem de casa

Aos 41 anos, Daiane reconhece que o cenário atual da ciência no Brasil é desanimador. Cortes sucessivos no financiamento à pesquisa, somados aos desafios trazidos pela pandemia de covid-19, deixaram as universidades com poucos recursos financeiros e humanos para dar seguimento aos projetos. Ainda assim, a cientista encontra motivação ao ver o impacto que suas pesquisas podem ter para a sociedade em geral e, em particular, para seus alunos.

Ela compreende bem a diferença que a formação científica pode fazer na vida dos estudantes porque a sua própria trajetória foi tremendamente influenciada por essa formação.

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Nascida em Porto Ferreira, ela não teve acesso, na infância e adolescência, à ciência. “Meus pais completaram o ensino fundamental, mas precisaram começar a trabalhar muito cedo. Eles mal sabiam o que era uma universidade. Ainda assim, foram meus principais incentivadores nos meus estudos”, conta. “Em especial, minha mãe sempre me disse que quanto mais eu conseguisse estudar e aprender, maior seria minha libertação econômica, social e política”.

Com o apoio da família, Daiane viajava todos os dias a São Carlos para cursar graduação e mestrado na UFSCar. Graças a essa formação, recebeu uma proposta de emprego no mercado financeiro, onde trabalhou por sete anos. O desejo de contribuir para o avanço do conhecimento científico e a formação de novos pesquisadores fizeram com que Daiane voltasse à UFSCar para cursar o doutorado. Não saiu mais de lá: hoje, é professora da universidade e lidera um grupo de pesquisa.

Mulher na matemática

Trabalhando na área de matemática e estatística, Daiane sente na pele os desafios de ser mulher em um ambiente predominantemente masculino. “A gente tem que batalhar mais do que os homens para conseguir a confiança e o respeito deles. É como se estivéssemos participando de uma corrida em que as mulheres têm um ponto de partida alguns passos atrás dos homens”, compara.

Apesar de ter sempre se sentido respeitada pelos colegas, a pesquisadora observa que as mulheres de sua área têm mais dificuldade em alcançar os cargos mais altos na academia, e que enfrentam críticas mais duras de seus pares na hora de publicar ou apresentar um trabalho.

Com a bolsa recebida do prêmio Para Mulheres na Ciência, Daiane espera equipar seu laboratório com computadores com alta capacidade de processamento, que permitem simulações com grandes quantidades de dados. Ela também pretende estreitar laços e parcerias de pesquisa com instituições no Brasil e no exterior.

Sete destaques de 2022

Além de Daiane, também ganharão o prêmio Tathiane Malta, da USP Ribeirão Preto; Gisely Cardoso de Melo, da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas; Grazielle Sales Teodoro, da Universidade Federal do Pará (UFPA); Giovana Anceski Bataglion, pesquisadora da Amazônia; e Fernanda Selingardi Matias, da Universidade Federal de Alagoas.

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