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Família denuncia venda irregular de túmulo e sumiço de ossos do pai em São Carlos

Vaney Romão da Silva foi enterrar o irmão e descobriu que túmulo onde seu pai estava fora ocupado por outras pessoas. Ossada ainda não foi localizada

| ACidadeON/São Carlos

Família denuncia venda irregular de túmulo e sumiço de ossos do pai em São Carlos
Moradores de São Carlos registraram um boletim de ocorrência após descobrir que o túmulo onde o patriarca da família estava enterrado foi violado e vendido para outras pessoas no Cemitério Nossa Senhora do Carmo. Os parentes afirmam que vão entrar com uma ação contra a prefeitura, que vai abrir um processo administrativo para apurar o caso, que pode se tratar de uma venda irregular. As informações são do G1 São Carlos e Araraquara.  

De acordo com o pizzaiolo Vaney Romão da Silva, de 50 anos, ele e os irmãos pretendiam enterrar outro irmão na terça-feira (11), quando foram informados de que não havia lugar para o enterro. Funcionários do cemitério disseram que outras pessoas estavam enterradas no túmulo da família. A ossada do pai, morto em 2000, que deveria estar no jazigo não foi localizada pelos parentes.  

Segundo Vaney, ele nunca foi procurado pela administração do cemitério ou pela prefeitura para falar sobre o túmulo e sequer foi avisado de que o local seria destinado a outra família. No registro do cemitério, a sepultura ainda está no nome da família Romão Silva, mas no livro caixa ela consta como vendida no ano de 2002.  

"O rapaz da diretoria disse que na outra gestão eles tinham vendido vários túmulos para outras pessoas", disse Vaney.  

As lápides apontam que uma das pessoas foi enterrada em 2002 e a outra em 2004. O pizzaoiolo, no entanto, ainda não conseguiu entrar em contato com a família dos sepultados. "Eles também foram lesados", afirmou.  

Vaney e os irmãos acionaram a polícia e se recusaram a enterrar o irmão até que a situação fosse esclarecida. "Foi um constrangimento muito grande porque meu cunhado é muito idoso e quando ele viu tudo isso ele quase infarta, a minha irmã ficou muito mal, as crianças chorando porque viram a polícia e aquela coisa toda", contou.  

Após a confusão, o irmão Vanderley foi enterrado em uma área provisória. "Emprestaram um túmulo por três anos até entrarmos com uma ação contra o cemitério", contou Silva.  

Vaney pretende conseguir de volta, na justiça, o direito à sepultura da família, além de uma explicação sobre o destino dos restos mortais do pai.
A Prefeitura de São Carlos informou que a Secretaria de Serviços Públicos está levantando todas as informações e vai abrir um processo administrativo. A hipótese é de que tenha havido uma venda irregular de túmulo.  

Esquema de venda ilegal

A família Romão da Silva é mais uma das dezenas que foram lesadas por um esquema de venda ilegal de túmulos em São Carlos.
Em 2005, um ex-administrador foi exonerado e condenado a indenizar famílias por venda de túmulos e desvio de taxas. Segundo denúncias de funcionários ele vendia os terrenos por R$ 1 mil. Ele negou envolvimento no caso.  

Em 2013, um casal que morava em Ribeirão Preto denunciou que não encontrou a sepultura dos três filhos e descobriu que eles estavam enterrados em outro local.  

No local onde deveriam estar enterrados os filhos, havia outra sepultura. Com a ajuda de um pedreiro que trabalhava no cemitério, a mãe encontrou onde as crianças foram enterradas clandestinamente. No local, foram descobertas quatro ossadas, sendo uma de um adulto. As outras três foram reconhecidas pela família pelas roupas dos bebês.  

Na época a prefeitura abriu uma sindicância e afirmou ter feito uma auditoria para apurar o número de famílias lesadas. No entanto, novas vítimas vêm aparecendo desde então.


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