
O projeto de remoção da barragem da represa (Lago) da UFSCar, recuperação do Monjolinho e restauração ambiental do entorno foi selecionado pelo programa de aceleração do WRI Brasil. A iniciativa é liderada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Ciência, Tecnologia e Inovação.
Segundo a ONG, a equipe responsável pelo projeto receberá capacitações, mentorias e oportunidades de conexão com financiadores, de forma que o andamento da iniciativa tenha impulso. A WRI Brasil é organização não governamental que promove a proteção ao meio ambiente.
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Para José Galizia Tundisi, secretário de Meio Ambiente de São Carlos, o reconhecimento é fruto de mais de um ano de cooperação com a UFSCar no sentido de recuperar a área da represa da Federal. A estrutura foi construída na década de 1970 e já deu alguns sustos em períodos de chuva forte.
“Já é muito antiga e uma das nossas preocupações é manter a segurança da barragem. (…) Fazemos um projeto completo de revitalização que vai desenvolver e dar maior fluxo da água, a partir da presença de vegetação da área da represa e uso de soluções baseadas na natureza, que seria a implantação de áreas alagadas também”, afirma.
As benfeitorias serão aplicadas à montante (acima) e à jusante (abaixo) da atual represa. O Monjolinho é importante manancial usado para o abastecimento da cidade de São Carlos.
Transferência de tecnologia e recursos
Além da aceleração do projeto via WRI Brasil, Tundisi quer apresentar ao Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia proposta de usar fundo municipal da área para apoiar o projeto de descomissionamento da represa.
“O acelerador não entra com o dinheiro, o que eles ajudam é treinando as pessoas, o que é muito importante, inclusive”.
O professor e secretário ainda adiantou haver a possibilidade de disseminar o conhecimento obtido através da aceleração entre os docentes de universidades instaladas no município, gerando ou reforçando eixo temático que alia engenharia e meio ambiente.
Discussão antiga
Desde a 2013, quando a água passou por cima da barragem após fortes chuvas, a represa é monitorada pela Defesa Civil. Quatro anos depois, em 2017, técnicos encontraram alta vulnerabilidade na estrutura, que ficou sob acompanhamento do Ministério Público. Em 2019 foi esvaziada para manutenção.
O professor Sérgio Henrique de Mattos, da UFSCar, vê com bons olhos a nova parceria para elaboração do projeto de descomissionamento do lago da UFSCar. Para o docente de Hidrobiologia e membro do Grupo Gestor da Barragem de Monjolinho, a opção pelo esvaziamento e renaturalização da área se deve às dificuldades associadas à operação mesmo após eventual reconstrução.
“Mesmo que a gente reconstrua, a barragem continuará a ter o que chamamos de risco associado alto, porque tem pessoas que transitam ali na área, tem rodovias, a própria cidade após a estrutura”, explica.
Uma reconstrução continuaria a exigir custos altos de manutenção do local e a universidade vive momento de fragilidade financeira.
Em reunião realizada no fim do ano passado, várias opções de renaturalização são estudadas para o local, entre elas, jardins de chuva, planos de infiltração, bacias de detenção em cascatas ou barramentos e parques multifuncionais. Todas elas estão à mesa em projeto que passará por “aceleração”.
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